segunda-feira, 26 de março de 2018

Domingo de Ramos

No outro dia perguntei no stories quem ainda continuava a ir levar um raminho à madrinha, no Domingo de Ramos, e a esmagadora maioria acha que já não tem idade para isso. Acho estranho mas sei que é assim com a maioria das pessoas, mesmo as que conheço. 
Por ter uma relação muito próxima com a minha madrinha, não me imagino a deixar de o fazer. Vemo-nos, pelo menos, todos os fins de semana, ela é super minha amiga, trata-me como a uma filha, portanto acabamos por ter uma relação muito próxima onde não faz qualquer sentido eu deixar de lhe oferecer flores no dia das madrinhas. Espero fazê-lo até uma de nós já não estar cá. Acho uma treta aquela coisa de "só dou prendas até à comunhão solene/crisma". Quando eu assinei o papelinho na Igreja em como seria madrinha da minha afilhada, não tinha lá nenhum prazo de validade a partir do qual o mesmo expira. Serei madrinha até morrer, da mesma maneira que sou afilhada. Acho tão parvo isso. Primeiro porque os padrinhos não servem só para dar prendas e depois porque, sendo padrinhos, é para a vida. Se sou madrinha para a vida e até gosto e quero dar prendas à minha afilhada, então é para a vida inteira, não é só enquanto ela é pequena ou faz a comunhão ou até aos 18 anos. Como se o nosso amor pelas pessoas, as relações que se criam, tenham um prazo estabelecido. 

Percebo que haja quem tenha relações muito pouco próximas ou até mesmo inexistentes com os padrinhos. Conheço muitos casos assim. Por esse motivo, percebo que  chegue a uma altura em que não faz qualquer sentido continuar a alimentar estas tradições quando nenhuma das partes está particularmente interessada em manter a relação. Só não consigo entender a desculpa do "já somos crescidos para isso". Tanto da parte dos padrinhos, que acham que os afilhados já são muito adultos para receberem prendas ou terem acompanhamento, como dos afilhados, que já se sentem muito adultos para fazerem cumprir esta tradição. Seja como for, obviamente é uma questão pessoal, que respeito. Só não engulo essa história da idade. O que acontece é que as pessoas certamente se afastaram, acabaram por ter relações distantes ou até por nunca criar uma relação, e valem-se dessa desculpa para não terem que fazer o frete. Da minha parte, não é frete nenhum. Continuarei a levar as flores à madrinha e a oliveira ao padrinho, porque gosto e quero (e nunca pelas prendas!).

5 comentários:

  1. Eu não posso dar flores ao meu padrinho porque ele morreu já há uns anos, mas continuo a levar sempre um raminho à minha madrinha. Se não estiver em Portugal, levo da vez seguinte que lá for. E já vou quase nos 30, nunca me passou pela cabeça deixar de o fazer por já não ser uma criança (;

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  2. Nunca usei o hábito de dar um mimo aos padrinhos, mas este ano estreei-me e soube mesmo bem.

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  3. Não tenho amigos católicos praticantes portanto não conheço ninguém que tenha feito o crisma ou que dê prendas aos padrinhos/afilhados.

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  4. Para alem de nunca ter tido uma relacao muito proxima com os meus padrinhos, a verdade e' que so' vim a saber desta tradicao ha poucos anos... De qualquer das maneiras, nem sou religiosa. Mas o meu marido e' padrinho do sobrinho e o miudo para alem de dar o ramo ao padrinho, tambem me da a mim, a titi fixe :D

    Nini

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  5. Confesso que nem sei do que falas. Os meus padrinhos são de boca, não sou baptizada. Nem crente, na verdade.

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