quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Não tenho paciência para fofocas

Cada vez tenho menos paciência para ouvir fofocas e mexericos. Que é que me interessa a vida das pessoas? Porque fulana roubou, fulano deixou a mulher, cicrana ainda não arranjou emprego, morreu a mãe da tia da prima da vizinha...  Estou cada vez mais farta destas conversas de treta.
Isto nas terrinhas é prato do dia. Toda a gente conhece toda a gente e, pior, gosta de falar da vida dos outros. Se, por um lado, fico contente que alguém me conte que a pessoa x que eu conheço e com quem simpatizo até vai casar, ou teve um bebé ou qualquer coisa assim major, por outro não me aquece nem me arrefece saber destas coisas de outras pessoas da terra, só porque sim. Não me interessa nada, não acrescenta nada à minha vida, não quero ocupar quota mental com essas coisas. Irritam-me estes mexericos. E as teorias? Porque o mexerico vem sempre acompanhado de uma teoria qualquer que justifica aquele acontecimento.  

É preciso ser mesmo desocupado ou ter uma vida mesmo desinteressante para fazer da própria vida um constante fofocar de acontecimentos e suposições da vida dos outros. Tenho vizinhas que se dão ao trabalho de ir de propósito perguntar coisas a pessoas sobre determinados assuntos de terceiros. Tipo, who cares? Ou aquelas pessoas que passam a vida na janela a ver quem passa, quem entra e sai de casa e a que horas. Este fim de semana fui várias vezes ao apartamento onde vou morar, levar umas coisas e fazer limpezas, e esteve sempre um fulano do prédio da frente na janela, a ver. Estivemos em casa a tarde toda e sempre que eu ia à varanda levar lixo ou sempre que entrava e saía no carro, lá estava o homem na janela a olhar para o nosso apartamento. Não percebo, a sério. Estas pessoas não têm mais nada para fazer? Ainda na segunda a minha colega de trabalho me veio buscar a casa. Todo o tempo que estivemos paradas no carro para colocar moradas no GPS e coisas assim, estiveram as vizinhas coladas a olhar para nós, a tirar as medidas à pessoa, ao carro... Oh gentinha tão mexeriqueira. Têm que ver bem que é para depois poderem contar a fofoca com pormenores.

Estas coisas normalmente passam-me ao lado porque as coisas têm a importância que lhes damos. Que olhem, que falem, que comentem com este e aquele. Não me interessa. Só que às vezes torna-se desconfortável sentir que estamos sempre a ser observadas e avaliadas. E, na verdade, é uma questão genuína: eu não percebo mesmo como é que alguém pode sentir tanto interesse pela vida das outras pessoas, a ponto de ir procurar saber coisas, de ficar a espiar, de comentar com terceiros, de fazer mexericos. Porque é que a vida dos outros lhes interessa tanto?

8 comentários:

  1. Felizmente, desde que me casei que passei a viver noutro sítio e muita coisa me passa ao lado. Mas quando vivia com os meus pais, aquilo era mexerico por todo o lado. O problema? Em frente a casa dos meus pais, existem 4 casas cujas pessoas estão permanentemente em casa, sobretudo porque já estão na idade da reforma e tinham de se entreter com qualquer coisa. Quando o meu marido (na altura, namorado) trocou de carro foi falatório para toda a semana.
    A desocupação, penso, será o principal motivo pelo qual esta gente gosta de falar dos outros: têm de se ocupar com qualquer coisa. Mas pior é quando de um ponto final fazem uma história com diversos capítulos e com muitas vírgulas. E é assim que se levantam falsos testemunhos.
    Bem sei que devemos ser imunes a isto, mas na prática, é difícil quando sabemos que é da nossa vida que falam (e inventam!).

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  2. Não podia concordar mais contigo.
    Um beijinho grande*
    Vinte e Muitos

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  3. Sinceramente também é algo para o qual não tenho muita paciência... Tenho tanto que fazer na minha vida que, muito honestamente, por mais que quisesse, não iria ter tempo para me preocupar a vida dos outros.

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  4. Imagina o teu ambiente de trabalho ser assim...😩 e o que mais me choca é que alguns fofoqueiros são jovens na casa dos 30!!! Acho que estou a ficar “ velha “ 😳

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  5. Ai... essa gente tira-me do sério, dá-me vontade de arrumar todos com um bom par de estaladas bem assentes -.-

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  6. Esse homem que ficou à janela o tempo todo é stalker, só pode. Que coisa mais assustadora :|

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  7. Sou duma terrinha com 1000 habitantes... isto é mesmo o prato do dia xD Até mesmo a cidade mais perto é assim (continua a ser pequena). As minhas vizinhas acham que isto é normal, dizem-me "então, se eu quero saber, claro que pergunto" (mas não são cuscas, não, que ideia). Ainda por cima, eu não saio muito lá, porque 1) estou lá pouco e 2) os meus amigos são de fora. Quando eu estou lá e vou a algum sítio, sou TÃO bombardeada com olhares!! No centro de saúde, começo a ouvi-las falar sobre mim, a dizer "então é a i., filha da X, neta do Y. Não sabes? O tio mora aqui ao lado". Mas acham que eu sou surda?? Eu às vezes fico só a olhar para as pessoas, à espera que me perguntem algo xD E se eu levo pessoas lá a casa? Uiii, não descansam enquanto não olharem bem olhado, a entrar e a sair.

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