quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Cérebro totó

Sabem quando têm perfeita noção que estão a ser "enganadas" mas ainda assim funciona? Dou-vos um exemplo prático: liguei a uma pessoa, a pessoa disse-me que estava num sítio importante e eu disse que ligaria mais tarde, que não era importante, ao que a pessoa responde "Quando a M. me telefona é sempre importante". Mal ouvi aquilo pensei "Motherfucker, a usar as técnicas de vendas comigo" mas resultou porque fiquei toda armada em importante, fiz um sorrisinho envergonhado e prossegui.

Tenho formação em Psicologia, o comportamento humano é uma área de muito interesse para mim e tenho lido, cada vez mais, sobre técnicas de persuasão, vendas, desenvolvimento pessoal... Portanto, eu consigo perceber quando alguém está a usar comigo as técnicas que eu conheço, mas funciona na mesma! É impressionante como somos tão facilmente enganados ou bajulados, mesmo tendo noção que é uma técnica, uma coisa deliberada. O cérebro pensa "I know what you did there" e segure-se logo "Tell me more!". Como seres humanos, adoramos a sensação de atenção, de sermos importantes para alguém, adoramos que nos tratem bem, que sejam carinhosos, que nos elogiem. Impressionante como caímos nessas tretas todas. 

Não gosto da sensação de ser bajulada, detesto que me dêem graxa de forma óbvia. A diferença está em ser-se sincero. Aliás, o segredo para usar as técnicas de persuasão e de relacionamento interpessoal no geral é sermos sinceros nos elogios que fazemos (e em tudo o resto, na verdade). Dá perfeitamente para perceber quando alguém nos diz as coisas que nós queremos ouvir, quando alguém nos elogia de forma sincera ou está só a atirar adjetivos queridos porque nos quer dar graxa. É essa subtil diferença que faz com que caíamos na esparrela. É por isso que eu caio sempre nestas técnicas desta pessoa em particular. É mestre nesta arte dos relacionamentos e sabe fazer com que as pessoas se sintam verdadeiramente apreciadas e importantes. Nada soa a falso, embora estes conhecimentos tenham sido adquiridos e requeiram muito trabalho ao longo dos anos.  E eu fico sempre a pensar o quão interessante é este nosso cérebro que, mesmo conscientemente, se deixa cair nestas armadilhas. 

Podemos ser muito inteligentes, mas todos temos um ego que adoramos alimentar.

2 comentários:

  1. Atenção nunca é demais, por mais que se tenha conhecimento dessas técnicas, deixamo-nos influenciar diariamente de muitas formas. Por um lado é o ego, por outro é a facilidade com que as pessoas se identificam com outras pessoas, situações, objetos. Há o que se quer fazer, o que se quer ter e aquilo que somos levados a querer. Cada um tem que fazer essa distinção, o que não é fácil.

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  2. Disseste tudo com o último parágrafo. Engraçado, ainda há uns dias aconteceu-me algo semelhante e a minha reação foi a mesma: ter toda a consciência do que estava a acontecer e ainda assim dizer que sim, credo!

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