quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

"Tratar os bois pelos nomes"

Uma das lições mais poderosas que aprendi em 2017 foi que tratar as pessoas pelos seus nomes pode fazer milagres. Já escrevi sobre isto algures no ano passado e volto a reforçar: muda toda a interação. Funciona, eu sei, não só pela experiência que tenho agora que faço isso com os outros com maior frequência como pela sensação que me dá quando sou eu a visada. Mesmo com clientes, já reparei que corre sempre muito melhor quando eles têm a delicadeza de me tratarem pelo meu nome ou atendem os telefones logo a dizerem o meu nome. É delicado, fica bem, gosto que tenham tido o cuidado de gravar o meu número. Mas o maior impacto é na vida pessoal e tive o exemplo no final do ano.

Fui com uns amigos a um bar aqui da terra onde nunca tínhamos ido. À porta, a entregar os bilhetes para apontar o consumo, estava um dos rapazes fixes dos nossos tempos de ciclo. Era daqueles rapazes super simpáticos e de boa, muito sociável, sempre amigável, de quem toda a gente queria ser amigo. Nem é daqueles casos do tipo rapaz gato da escola que todas as miúdas querem que reparem nelas, era só mesmo um rapaz mais velho, simpático e educado, que eu achava que deveria ser muito fixe. Nada mais que isso. Mas, enfim, sucede que os meus amigos foram todos à minha frente e ele deu os cartões. Quando chegou a minha vez, sorri-lhe e disse boa noite, ao que ele responde muito simpaticamente "Olá M., tudo bem?". Eu segui a minha vida normalmente, mas por dentro estava num momento de puro fangirling. Ele sabia o meu nome! O rapaz fixe da escola sabia que eu existia e até sabia o meu nome! Eu fico sempre muito afetada com estas coisas porque nunca fui popular e fico sempre contente que as outras pessoas reconheçam a minha existência desses tempos idos. O facto de ter usado o meu nome numa simples entrega de um cartão de consumo fez a diferença. Tanto que já passou quase um mês e eu ainda me lembro. 

É esta a sensação que deixamos nas pessoas quando as tratamos pelos seus nomes. Claro que, neste caso em específico, tem a agravante de toda a história de reconhecimento de existência da miúda invisível lá da escola etc etc, mas resulta mesmo em situações sem esta história anterior. Sei que resulta porque fico atenta a estas coisas quando me fazem aquelas chamadas chatas de telemarketing. E a diferença que faz para as pessoas que, dia após dia, ligam para centenas de clientes por dia, se apresentam e há uma que usa o seu nome na conversa? Sei que faz porque o sinto quando é comigo e porque já percebi pela forma como as pessoas reagem quando faço isso com elas.  E não custa nada! É tão giro. A sério, experimentem fazer isso um dia. No supermercado, olhem para os cartões identificadores da pessoa na caixa de pagamento, por exemplo, e quando ela vos disser bom dia, digam bom dia X. Vejam a reação e depois venham cá contar se não tenho razão :)

3 comentários:

  1. É bem verdade. Eu tenho uma péssima memória, mas cá na clínica tento sempre tratar os clientes pelo nome. Pelo menos os clientes mais habituais.
    Um beijinho grande*
    Vinte e Muitos

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  2. Também costumo fazer isso, mas confesso que o fazia sem ter pensado nestas coisas todas... mas tens razão (;

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  3. Percebo, torna a coisa mais pessoal e as pessoas sentem-se bem com isso.

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