segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

A crise dos 20

Devo confessar que nunca acreditei nestas coisas, achava que era treta, mas depois passei por elas e entendi. De repente, fez-se luz. Tudo o que eu senti, todas as minhas frustrações e preocupações, os medos e as incertezas, tinham uma razão de ser. Estava/Estou a passar pela crise dos 20.

A crise dos 20 é uma fase conturbada da vida dos jovens adultos, quando nos damos de caras com toda uma vida pela frente e as coisas não são como nós pensávamos ou como gostaríamos que fossem. Por um lado, somos demasiado jovens para fazermos um sem fim de coisas, sermos levados a sério, por outro, é suposto serem estes os anos de definição da nossa vida adulta. É nos vintes que se acabam cursos, que se entra no mercado de trabalho, que se acabam amizades que pensávamos ser para a vida, que se encontra a nossa alma gémea, etc etc. Tudo muito linear, obviamente, mas é mais ou menos assim que acontece para a maioria das pessoas. Pelo menos, é nos vintes que acontecem (quase) todas as coisas que antecedem as maiores decisões das nossas vidas e que nos levam depois a esses grandes marcos, seja nos 30 ou pela vida fora. 

O que marca esta fase é a indecisão, a incerteza e o medo. Depois chegam as comparações. Não basta não sabermos o que fazer com a nossa vida ou termos medo de estarmos a fazer tudo errado, ainda temos que nos comparar com os nossos pares ou, pior, com outras pessoas que já passaram esta fase. Um dos pensamentos que eu mais tinha (e às vezes ainda tenho) era que, da minha idade, os meus pais já tinham carro, casa e filhos e eu não tenho nada disso nem perspetivas de ter brevemente. Confesso que isto foi o que me levou a sentir a crise dos 20 com mais força. Tudo o que eu quero para a minha vida estava longe de ser possível realizar. Os tempos mudaram, mas a forma como vemos a vida e as suas etapas está quase igual. Os nossos pais, tios ou avós casavam cedo e tinham filhos cedo porque, na sua maioria, saiam da escola e iam trabalhar logo. Hoje em dia estuda-se até mais tarde, parece óbvio que todas essas fases da vida sejam também adiadas, só que ainda há pressão (nossa e dos outros) para fazermos tudo rápido. A tia que está sempre a perguntar se já temos namorado, o primo que pergunta sempre quando acabamos o curso, a mãe que já só pensa em ser avó... E nós vamos vivendo com esta pressão. Não é de admirar que, saída da faculdade com 23 anos, sem emprego e sem dinheiro, me sentisse um fracasso. 

Esta crise foi passando quando comecei a meter na cabeça que o que tiver que acontecer, acontecerá. Não vale a pena stressar, nem criar metas com datas definitivas e inflexíveis. Não me posso comparar com pessoas mais velhas e como elas eram e o que tinham na minha idade, porque são tempos diferentes. Não me posso comparar com os meus amigos ou outros da minha idade porque eu não tenho a vida deles. Vou-me comparar comigo mesma, com o que eu era há dois anos e sou agora, com o que eu quero ser daqui a dois, cinco ou dez anos. É mais fácil pensar assim desde que tenho emprego e começo a ver a minha vida melhorar e caminhar no sentido que pretendo, claro, mas é um trabalho diário.

Para todos os que possam estar a viver a crise dos 20, um conselho: relativizem, dêem tempo ao tempo e nunca, mas mesmo nunca, se comparem com os vossos pais, os vossos tios ou os vossos amigos. Tomemos as decisões que acharmos que temos que tomar, sejamos conscientes e não nos esqueçamos que é nos vintes que vamos alicerçando o resto da nossa vida, mas sempre tendo em mente que nada é definitivo, ainda temos muito para viver e ainda vamos fazer muitas asneiras e viver muitas conquistas. O nosso tempo vai chegar! Sem pressa.

Mais alguém por aí se sentiu/sente assim?

7 comentários:

  1. Nunca passei pela crise dos 20. Mas acho que tou a chegar a crise dos 30. Vejo tudo a passar a minh volta, os meus amigos a casar, ter filhos, comprar casas e carros e eu estou aqui, sentada a trabalhar, a viver cada dia de cada vez sem grandes planos para o futuro...


    TheNotSoGirlyGirl // Instagram // Facebook

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  2. Não passei por isso aos vinte, mas sinto-me a desesperar perto dos 30. Já devia ter a minha vida toda traçada e parece que ando por aqui..

    THE PINK ELEPHANT SHOE // Instagram

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  3. Sem dúvida, o tempo passa demasiado depressa ( ... ) mas o importante é manter a calma e deixar as coisas tomarem o rumo certo .

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  4. Honestamente, acho que comecei a sentir essa crise quando acabei o curso. Dei por mim com 25 anos e alguns sonhos, mas nada definido. E acho que o pior é mesmo a comparação, o olhar para o lado e ver que determinadas vidas estão organizadas. Claro que cada caso é um caso, mas construímos algumas expectativas (também aliadas a essa pressão) e começamos a colocar-nos em causa quando não as atingimos num determinado espaço de tempo.
    É engraçado como, supostamente, a sociedade evoluiu, mas continuamos a pressionarmos nas mesmas fases

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  5. Eu jA vou na crise dos 40.. aí meus ricos 20 anos !! 😊

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  6. Acho que já estou na crise dos 20... Há quase 1 ano. Ver-me a acabar o curso, sem rumo certo, dá cabo de mim. No entanto, a minha crise dos 20 é só em termos profissionais. Não tenho experiência laboral, não acho que faça sentido pensar em casar ou em ter filhos. Com o dinheiro que ganhei e aprendi a gerir? Posso não ser uma gastadora, mas tenho tido uma vida qb facilitada nos últimos anos... Ainda tenho muito a aprender antes desses grandes passos. Claro que, daqui a um ano, posso estar a pensar que evoluí muito e isso já fará sentido para mim, mas de momento a minha crise é pura e exclusivamente do campo de trabalho. Sim, tudo há-de chegar (aparentemente, já chegou... não é perfeito, mas se calhar já chegou), a seu tempo. Mas a frustração ninguém ma tira... Resta-me saber lidar com ela.

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  7. Não tive tempo de entrar nessa crise, primeiro não passei essa transição de final de curso, porque não andei na faculdade. E, depois, talvez porque fui mãe com 20 e todas as minhas atenções estavam concentradas no pequeno ser que tinha comigo :)

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