sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Não fazer as coisas porque não há certezas

Sou uma pessoa muito sensata e ponderada. Gosto de avaliar bem os prós e os contras, todas as possibilidades, antes de tomar uma decisão. Se falarmos de decisões importantes e arriscadas, mais ainda! Não gosto de correr riscos e essa característica é uma condição normal do ser humano, é a nossa capacidade autopreservação. É normal termos medo e sentirmo-nos desconfortáveis e inseguros quando temos que tomar decisões que podem alterar toda a nossa vida e das quais não temos certezas nenhumas. 

Tudo aquilo que fazemos pode correr bem ou mal, é a lei da vida. Só vamos saber quando tentarmos. Há coisas na vida que devem ser bem ponderadas, é preciso ter mais prudência, outras seguranças, mas, em geral, tudo na vida tem o seu quê de incerteza. É mesmo assim e só temos é que aceitar que assim seja. Não fazer as coisas porque não temos certezas de como vão correr é que me parece um perfeito disparate.

Lembrei-me disto a propósito de um comentário que vi no Shiuuu, de uma anónima que dizia que não sabia como havia pessoas que se comprometiam a comprar casa quando não têm certezas que vão ter emprego toda a vida. Ora, mesmo nos tempos em que havia empregos para a vida, comprar casas sempre foi um risco. Nem é preciso ficarmos sem emprego: podemos ficar doentes, de baixa, ter um acidente, ficar sem dinheiro de qualquer forma, a outra pessoa (em caso de compra partilhada) morrer, eu sei lá! Todas estas coisas são importantes e contam muito na hora de assumir um compromisso deste tipo. Dizia a anónima que, pensando nessas incertezas, nem sequer queria alugar casa porque não sabe se iria poder pagar sempre. Ninguém sabe! A vida é mesmo assim. Não temos certeza de continuar com o nosso emprego, com a nossa saúde... Mas isso não pode ser impeditivo de nada! Claro que são decisões importantes e que têm que ser bem pensadas, não basta ter muita vontade de fazer as coisas. Só que não podemos é cair neste pensamento negativo de incertezas. A vida é incerta. Agora estou bem, tenho saúde, estou bem disposta, sei lá se daqui a nada não estou morta. Não podemos pensar assim!

Sei que há momentos mais propícios a certos investimentos, a certas decisões. Temos sempre que ter um mínimo de estabilidade (e isso depende do que cada um considera como estável ou quanto e de quê é que precisa para essa estabilidade). O que eu posso considerar "é o mínimo que preciso para X", para outra pessoa esse pode ser o máximo ou precisar de algo muito mais elevado! Não podemos é esperar ter as condições ideais para fazer o que quer que seja. Ter o suficiente não é ter tudo ou ter as condições perfeitas. Se estivermos à espera das condições perfeitas nunca teremos nada. Nunca vamos estar suficientemente preparados ou ter dinheiro suficiente. É da natureza humana também querer sempre mais, nunca nada ser suficiente. Se fossemos ligar a isso, ninguém casava, comprava casas/carros, tinha filhos, mudava de emprego, viajava... Porque vai sempre haver qualquer coisa em falta. E a incerteza, essa maldita, estará sempre cá, a fazer-nos olhar por cima do ombro. 

Medo toda a gente tem, é intrínseco. Deixar de ser feliz, de viver, porque não se tem certezas de nada, é parvo. A única coisa certa no mundo é a morte, e nem dessa sabemos o dia em que chegará. Se adiarmos os nossos sonhos/planos/projectos com medo da incerteza, chega a morte e não fizemos nem temos nada do que queríamos. Assim nem é viver!

5 comentários:

  1. NÃO PODIA CONCORDAR MAIS! Disseste tudo e é exactamente assim que também eu penso, apesar de ser uma pessoa muito ponderada. :)

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  2. Concordo com o que tu disseste mas, percebo que comprar casa e ficar anos a pagar as prestações deve ser uma grande pressão. Exactamente por não sabermos o dia de amanhã. Mas, lá está devemos ser ponderados e pensar bem num plano B caso haja imprevistos.

    http://confessionsinpink.blogspot.pt/

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  3. Quando quis comprar casa o que pensei foi... "Eu até posso vir a ficar desempregada, mas enquanto tiver saúde vou sempre ter de trabalhar, se algo acontecer e não puder continuar a pagar, que remédio tenho eu se não vender coisas e a própria casa e arranjar um plano B..."
    Não concebo deixar de fazer coisas apenas e somente porque tem de ser seguro, nada é imutável nesta vida, mas não podemos viver pela metade a pensar no que poderá ser.
    Relembro aqui aquela frase famosa (já não me lembro de quem é): "Every man dies, but not every man lives".
    Já tive a minha vida bastante condicionada precisamente por este motivo e confesso que me faz confusão. Sou uma pessoa ponderada que não dá passos maiores do que a perna, mas ainda assim, há sempre liberdade de movimentos. :)

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  4. É, realmente, um risco comprar casa... Mas, francamente, quem é que sabe se terá emprego durante 20, 30 ou 40 anos (o tempo de pagar o crédito)?? Assim sendo, é melhor não fazer nada, enrolar-se na caminha à espera da morte. Que raio de vida é essa? Correr riscos é sempre motivo de receio e, sim, deve ponderar-se, mas não conseguimos planear cada minuto da nossa vida, da nossa saúde e estabilidade até ao fim da vida.

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  5. Concordo contigo. Claro que é um risco, mas a maior parte das decisões que tomamos acarreta sempre algum risco. E deixar de viver, presos no medo do que poderá acontecer também não me parece a melhor solução...

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