sexta-feira, 21 de julho de 2017

Aquelas vezes em que perdi uma boa oportunidade para estar calada

Gosto de tudo o que me obrigue a pensar em mim, na minha vida e na forma como a conduzo. Gosto de oportunidade de reflexão sobre mim mesma porque aprendo sempre alguma coisa e é sempre bom saber o que precisamos de mudar ou melhorar.

Inspirada neste post aqui, do blog Marés, estive a pensar nas vezes em que disse ou pensei que nunca faria ou seria ou diria x e y e depois me arrependi... Ou seja, daquelas vezes em que cuspi para o ar e me caiu em cima. Ora vejamos:
  1. Eu odeio o novo acordo ortográfico e nunca o irei usar! Estava tão enganadinha... Resisti enquanto pude, mas comecei a usar mais a sério quando tive que começar a escrever a minha tese e, a partir daí, habituei-me. Sou uma velha do restelo em muitas coisas, mas a verdade é que esta mudança era necessária e agora nem dou por ela.
  2.  Casar não muda nada e é um desperdício de dinheiro, não quero casar, não preciso do papel para nada que o que interessa é o amor. Claro que o que interessa é o amor, a relação que as pessoas têm e não é casar que torna o casal mais feliz. Continuo a achar que a maioria dos casamentos de hoje em dia só servem para as pessoas desperdiçarem dinheiro. Mas agora que estou numa relação há 10 anos, que tenho quase 25 e muitos projetos para o futuro, casar é um sonho. Não casar pela igreja, big party, vestido de princesa e essas coisas todas. Turns out que preciso do papel, sim. 
  3. Nunca vou ser igual à minha mãe! Guess what? Nem vale a pena... Tudo o que me enerva na minha mãe, eu sou e faço igual.
  4. Os meus pés são horríveis, nunca vou usar sandálias! Sapatilhas é que são confortáveis. Aquela mentalidadezinha de adolescente insegura e que não quer mostrar-se muito feminina sob pena de acharem que é uma princesa e "eu sou é uma gaja super forte e independente". Depois de experimentar, não quis outra coisa. Adeus morrer de calor no Verão e de frio no Inverno. Sandálias, sabrinas e botas são a minha cena... Agora raramente uso sapatilhas.
  5. Não preciso de carro próprio para nada! Dizia eu com 20 anos, acabada de tirar a carta e condutora de fim de semana. O carro emprestado do meu pai servia-me perfeitamente, achava eu. Agora adoraria ter o meu próprio carro, não porque não tenha o do meu pai disponível sempre que preciso, mas porque é muito chato estar sempre a depender dos outros ou a ter que pedir. Detesto pedir favores, detesto não depender só de mim. Mal posso esperar para ter um carrinho meu e fazer dele e com ele o que me apetecer.
  6. Nunca hei de fazer madeixas, odeio madeixas! Pois, claro. Não só foi a primeira coisa radical que fiz ao meu cabelo (contra a minha vontade - eu queria pintar, as pessoas do cabeleireiro acharam que era muito cedo e que ia estragar o cabelo, então disseram para fazer antes madeixas, que odiei e acabei por pintar "por cima" no dia a seguir), como ainda acabei por fazer madeixas este ano. E voltei a não gostar e a tirar tudo, mas fiz.
  7. Telemóveis touchscreen são coisas muito moderninhas e sem necessidade nenhuma, eu hei de ter sempre um telemóvel de teclas, da Nokia! Sure. Acabei por me render aos ecrãs touch e, claro, nem haveria agora de encontrar muitas opções de telemóveis com teclas. Coisas que dizemos sem fazer ideia das avanços tecnológicos futuros.
  8. Só quero estudar até ao 9º ano e ir logo trabalhar. Estudar não serve de nada nem é garantia de nada. Até há pouco tempo não era sequer obrigatório estudar até ao 12º ano. Quando andava no segundo ciclo, achava que ia completar o 9º ano e começar logo a trabalhar. Acabei o 9º ano e inscrevi-me no secundário, claro. Depois dizia que não queria ir para a Universidade e, a ir, iria tirar o curso de jornalismo em Coimbra. Saiu tudo ao lado. Fui para a Universidade, escolhi entrar no Porto e entrei na minha primeira opção, Psicologia. Continuo a achar que estudar não é garantia de um futuro melhor, mas é óbvio que estudar serve de muita coisa e aconselho toda a gente a estudar o máximo que possa, mais que não seja pelo enriquecimento pessoal.
  9. Não gostar nada de algumas pessoas por puro preconceito e depois tornar-me amiga delas. Não costumo errar quando não vou com a cara de alguma pessoa, mas já aconteceu algumas vezes ter uma opinião errada da pessoa por me ter baseado apenas em aparências ou julgar certas atitudes sem conhecer verdadeiramente a essência das pessoas. Já fiz amizades sérias e bonitas com pessoas de quem não gostava no início.
  10. Achar que, depois de sair da faculdade, ia logo arranjar emprego e casar num curto espaço de tempo. Sabia que as coisas no mundo do trabalho estavam más, mas nunca imaginei que seria assim. Desisti de procurar trabalho na minha área porque entretanto arranjei um emprego onde me sinto apreciada e sou paga pelo trabalho que faço, com todos os direitos e mais alguns, num ambiente excelente, e onde tenho oportunidades que, trabalhando na área, nunca teria. Mas na minha cabeça de sonhadora, achava mesmo que em 2016 já teria um bom emprego na minha área de estudos e já teria casado (ou viveria com ele, pelo menos). Não podia estar mais enganada.

Inspirem-se vocês também e partilhem connosco as coisas que tinham como verdades absolutas e acabou por vos sair tudo ao contrário :)

10 comentários:

  1. Adorei o teu texto e identifiquei-me com a 2., 5., 7. e 9.
    Achava que nunca ia casar a determinada altura da minha vida, que não precisava de carro meu, que não fazia diferença, que algumas pessoas não eram nada a minha cena e depois tornei-me amiga delas, o telemóvel então é uma cena que resisti enquanto pude, o meu homem é que me ofereceu um touch e não quero outra coisa.

    beijinhos

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  2. Acho que devemos de vez em quando fazer uma introspeção, identifiquei-me com o 1, 2, 3,4, 9 e 10. ehehe

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  3. Identifiquei-me tanto com os três primeiros pontos!
    Beijinhos,
    Cherry
    Blog: Life of Cherry

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  4. Omg o que me ri! Acho que me identifico com todos os pontos, mas o do touchscreen... toca-me no coração ahahah

    TheNotSoGirlyGirl // Instagram // Facebook

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  5. Opa, identifiquei-me tanto com este post babe! O do casório ahah, pela boca morre o peixe!
    THE PINK ELEPHANT SHOE

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  6. Ponto 2,9 e 10. Tal e qual!
    https://jusajublog.blogspot.pt/

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  7. Identifiquei-me com algumas 😊 acho que se olharmos para trás vemos que existem imensas coisas que diziamos qhe nao faziamos e agora é totalmente o oposto 😜

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  8. Foi tão giro ler o teu post! Eu sou das que dizem que não quer casar e não quero mesmo. Já moro com o meu namorado há dois anos e o dinheiro que iríamos gastar dá muito jeito para outras coisas! Eu também dizia que nunca seria igual à minha mãe e agora sou uma cópia super fiel!

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  9. Bom, este post podia bem ter sido escrito por mim! Tirando uma coisa ou outra, temos muitas dessas em comum. Eheh!

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  10. Ri-me muito... E adoro como sou o oposto da 2. Totalmente o oposto! xD

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