quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Fico fora de mim

Não sou uma pessoa egoísta. Tudo o que tenho, partilho, se assim se justificar, de bom grado. Crescer com um irmão mais novo e imensos primos fez com que me habituasse desde cedo a partilhar, a ceder, a perceber que existem mais pessoas no mundo que não eu e sempre vivi muito bem com isso. Penso até que o meu lado altruísta está bastante desenvolvido, faço o que for preciso pelos meus e pelos outros. Mas se há algo que eu preservo são as minhas coisas. Gosto de ter tudo o que é meu bem guardado, bem tratado, disponível sempre que eu quiser. Sempre fui muito cuidadosa, mesmo em criança, e nunca estragava nada. 

Não se trata de não saber ou não querer partilhar, mas mete-me confusão comprar as minhas coisas e não ser nada verdadeiramente só meu se não guardar/esconder. Cá em casa é tudo de toda a gente (principalmente as minhas coisas) e isso deixa-me possuída. Não porque usam as coisas mas porque não têm os cuidados que eu gosto de ter com as mesmas. Se compro um creme, um shampoo, uma pasta de dentes ou algo assim desse género mais indicado às minhas necessidades e deixo na casa de banho, toda a gente usa. Quando vou para usar já vai a meio ou até já acabou, como já tantas vezes aconteceu. Depois também não gosto nada dessa coisa dos empréstimos de roupas e acessórios. Hoje anda uma, amanhã anda outra. O que é meu é meu. Prefiro abrir mão das coisas do que ter que andar a partilhar uma camisola ou uma mala, hoje é meu, amanhã é teu. Não gosto. Gosto de ter as minhas coisas disponíveis quando eu quero e preciso, limpinhas e arranjadinhas do jeito que eu deixei. E dizer isso à minha mãe? Hoje é um lenço, amanhã uma mala, depois uns brincos, depois um colar...até perfumes! Uma vez recebi um perfume e nem tinha usado, a minha mãe foi a primeira a dar-lhe uso e andava sempre "posso tirar mais um bocadinho do teu perfume?" até que vou a ver e já só sobrava uma ninharia no fundo. Não digo que não se possa emprestar, uma vez ou outra, para alguma ocasião especial. Tudo bem. Já emprestei imensas vezes sapatos e malas a tias, primas... Mas já se sabe que as coisas nunca voltam como vão e fico mesmo chateada que as pessoas não tenham cuidado com as coisas que nem sequer são delas. 

Sinto como se fosse uma invasão de privacidade, principalmente quando nem pedem ou perguntam se podem usar isto ou aquilo. Já por diversas vezes quis usar uma mala ou uns brincos e a minha mãe já estava a usar. Quantas vezes senti o meu perfume nela sem sequer saber que ela tinha ido ao quarto buscar. "Ah mas tu tens sempre coisas tão bonitas!", olha que caraças, pois tenho, porque as comprei! Onde comprei havia mais!!! Que falta de noção. Depois se digo isto ainda fazem um drama e que sou invejosa e egoísta, que não custa nada emprestar as coisas. A partir de agora acabam-se os empréstimos e vou trancar tudo à chave!

6 comentários:

  1. Por muito que gostemos de partilhar, também sabe bem ter coisas só nossas. Eu tenho 3 irmãos, gosto de partilhar, mas há certas coisas que prefiro ter só para mim. kiss kiss*

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  2. Tu nem imaginas como eu me identifico com este post!! A minha mãe não faz nada disso, mas a minha irmã... ui. E sim, eu tranco a porta do quarto já há algum tempo, principalmente porque detesto essa invasão de privacidade e o facto de as outras pessoas não tratarem as coisas como eu as trato. As coisas são nossas, ninguém tem de usar, é uma falta de personalidade de todo o tamanho. Não penso que seja egoísta, mesmo. Mas toda a gente acha que sim!

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  3. Sou como tu, não me importo de emprestar, mas as pessoas acabam sempre por exagerar e isso deixa-me chateada .

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  4. Acho que para tudo é necessário equilíbrio. Também não me importo nada de emprestar as minhas coisas mas compreendo que deve ser chato se começarmos a sentir um abuso por parte de quem pede emprestado... E isso de não cuidarem convenientemente do que emprestamos é uma coisa que me enerva: tenho imenso cuidado com as minhas coisas, mas acho que ainda tenho maior cuidado com o que me emprestam. Faço questão de devolver as coisas impecáveis. Não compreendo quem não se preocupa minimamente com isso...

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  5. Eu sou muito de partilhar. Qualquer coisa que tenha. Mas nao gosto de abusos. E isso ja me aconteceu muito. E irrita-me. A minha mae estava sempre a usar uma camisola que eu adorava, que era minha, ate que um dia encontrei uma mancha na camisola e fiquei super chateada. Outra "situação" foi que eu tinha um sabonete espcial para lavrva cara, que vinha num frasco com uma bomba, e nao sei porque aquilo começou a desaparecer super rápido. Como aquilo estava no na wc, no lavatório ao lado da torneira todos assumiram que aquilo era para lavar as maos. Fiquei passada! Comecei a trancar a porta do quarto mas pouco tempo depois sai de casa...
    Tranca a porta, éno meu conselho!

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  6. Eu sou de partilhar, tal como tu. Mas sempre demarquei a minha posição em que o que é meu é meu, não há empréstimos no que toca a objectos íntimos (roupa, brincos, calçado, malas, acessórios, perfumes, etc.).

    Beijinhos :)

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