domingo, 1 de setembro de 2013

Esta pressa de crescer


Quando somos adolescentes achamos que a solução milagrosa para os nossos problemas é fazer 18 anos. Aí sim, vamos ser aquilo que queremos, fazer o que nos apetecer, ser os donos da verdade. Poder finalmente tirar a carta de condução e votar são conquistas super relevantes e que nos darão a sensação de sermos adultos a sério. E assim passamos anos da nossa adolescência na esperança que o tempo voe e que chegue o momento de fazermos 18 anos e podermos ser adultos. Pois bem, não é assim tão verdade. 
Ter 18 anos é igual a ter 17, 16 e 15, mas podendo fazer algumas coisas que éramos impedidos por lei até então. Nós não mudamos, os nossos problemas não desaparecem nem desce em nós toda a sabedoria do Mundo (apesar de acharmos que sim). Continuamos a ser os mesmos miúdos estúpidos, com a mania que sabemos muito da vida, com aqueles probleminhas que não lembram a ninguém e a não saber o que fazer com todas estas novas conquistas e oportunidades.  No fundo, continuamos a ser as mesmas crianças que dependem dos pais para (quase) tudo, só que um pouco mais velhos. 


Com os 18 anos chegam tantas questões decisivas do nosso futuro que às vezes só apetece chorar e ir para um sítio onde nunca mais ninguém nos encontre e nos obrigue a decidir. Porque nessa idade tudo nos parece ainda tão distante, porque é que temos que decidir já?  No fundo, não só ficamos com os problemas da adolescência como somos confrontados com as responsabilidades de adultos que legalmente já somos. E isso assusta um bocadinho, principalmente para aquelas pessoas indecisas e mais imaturas. 

Isto surgiu-me à ideia porque o que mais vejo ultimamente é crianças a quererem crescer demasiado depressa. Saltam etapas para poderem ser crescidos num piscar de olhos, sem se aperceberem que ser adulto não é só poder conduzir e dar sangue. Acredito que, se a maior parte destes miúdos soubessem o que realmente os espera, não quereriam sair de debaixo da saia da mamã. O Mundo dos adultos é tão complicado às vezes, que muitos dariam tudo para poderem voltar a ser crianças. Mas bem, acho que é como tantas e tantas coisas na vida, só damos percebemos quando passamos por elas. 

7 comentários:

  1. Quanto ao texto concordo mesmo! Eu própria tinha (e tenho) uma sede de independência enorme.. mas ao mesmo tempo tenho saudades da ingenuidade de quando era criança

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  2. Eu não voltaria atrás no tempo... mas também acho que vivi as coisas no tempo certo. Não deixas de ter razão e entristece-me que muitas adolescentes, mesmo no início dessa fase, apenas com 12 ou 13 anos, já queiram ser levados como alguém de 19 ou 20. No fundo são crianças... É pena que estejam a saltar tantas coisas boas que podiam viver. Enfim...

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    1. Eu também não sinto vontade nenhuma de voltar atrás. fui muito feliz e muito infeliz naquela fase chata da adolescência, mas vivi o que tinha a viver no tempo certo e isso trouxe-me até aqui, ao que sou hoje. Acho que é isso que importa :)

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  3. Nem mais... penso nisto algumas vezes! Nunca fui de acelerar o tempo à força, mas confesso que, a dada altura, achava que os 18 anos eram o melhor que a vida podia ter... certamente iria ter carro e morar sozinha. Claro, então não....?! Obviamente continuo a morar em casa dos meus pais... e já vou nos 23... Claro que a independência que ganhamos em determinados aspectos é agradável. Mas o preço a pagar também é alto... Acarreta responsabilidades. O bom mesmo é ir vivendo cada fase e disfrutar dela o mais possível.

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  4. concordo plenamente!! ultimamente também tenho pensado muito sobre esse assunto, a pressa de crescer rouba-nos momentos a que só mais tarde damos valor..

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