quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Futebol vs praxe

O meu pai nunca percebeu muito bem isto que me liga à praxe. Não acha piada nenhuma àquilo, mas como qualquer pai acha imensa piada a ver a filhinha trajada (uma vergonha). Mas, de qualquer forma, nunca entendeu o porquê de muitas coisas, o porquê de me ter sujeitado a ter alguém a berrar-me e a dar-me ordens que pra ele não fazem sentido. Contar coisas de praxe, enquanto caloira, era sinal que ele iria olhar pra mim com aquela cara de incompreensão e sairia sempre um "havia de ser comigo". Quando chegava a casa toda feliz e contava as coisas marcantes com uma lagriminha no olho, ele ria-se de mim. Não acha piada, pronto. Não compreende, como muitas outras pessoas, é legítimo.

Recentemente chegou a casa entusiasmadíssimo com o resultado da equipa que ele dirige, que estava prestes a descer de divisão, bla bla bla. Ora, nesta matéria, quem não entende o entusiasmo sou eu. Não percebo a piada de andar prali a sofrer como loucos por um resultado de um jogo, pronto. Anyway, estava ele a contar os pormenores que tinham levado à tão desejada vitória e que até teve que conter as lágrimas, porque olhava à volta e estava tudo a chorar e tinha sido uma coisa tão importante, quando todos começam a olhar pra ele com cara de oh-meu-deus-és-tão-parvinho-pelo-amor-da-santa-um-homem-deste-tamanho-chorar-por-causa-disso. E foi neste momento que eu lhe disse "vês? é isso que eu sinto em relação à praxe! Tu não percebes o que me ligou tanto e desta forma tão intensa e eu também não percebo o teu amor pelo futebol. Mas consigo perceber o que te leva a ficares assim" e ele disse-me "pois, são as pessoas! O que nós passamos ali ,pra vocês não interessa, mas pra nós é importante".

E foi este o momento glorioso em que consegui finalmente ser compreendida e deixar de ser a parvinha que tem saudades de ser caloira e fica sempre com os olhos cheios de água quando pensa/fala/vê fotos de momentos mesmo importantes em praxe.

8 comentários:

  1. eu tive o caso unico de que fui caloira e no ano seguinte a minha mãe foi caloira e quis ser praxada lol muito me ri...

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  2. Pois, é mesmo isso. As pessoas, o que passámos ali. :)

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  3. Os meus pais nem me ligam a ver trajada... é a 3a que vemos trajada... pensam eles xD

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  4. Compreendo-te perfeitamente!
    Eu quando fui caloira, sinceramente não gostava muito daquilo, eu sou meia acanhada e não gostava de estar no meio das pessoas e essas coisas (isto no primeiro dia)! Depois conheci pessoas que hoje em dia são um apoio para mi, principalmente os meus padrinhos!
    Hoje como "doutora" o pensamento leva ao retorno das memórias que vivi e senti lá no fundo saudades. Hoje quando "grito" com os meus caloiros faz-me lembrar o quanto os meus padrinhos o fizeram comigo!

    Quanto aos meus pais, gostam de me ver trajada mas em relação às praxes não são a favor nem contra, simplesmente não comentam ! :)

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  5. São pequenos pormenores que fazem toda a diferença, é compreender a paixão.

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  6. Por aqui passa-se mais ou menos o mesmo.. As saudades de ser caloiro, oh que belos tempos! Mas agora é pensar que pr'o ano já sou doutora e vou ter pequenos caloiros a quem ensinar tudo o que me foi ensinado a mim :)

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  7. sinto o mesmo em relação à praxe :) mas ainda não consegui arranjar uma metáfora para a minha mãe!

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  8. tmb gosto mto da praxe, tho saudades de ser caloira, embora trajar seja um grande motivo de orgulho :D

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