terça-feira, 23 de outubro de 2018

Asas para voar, raízes para voltar

Tenho conhecimento de algumas pessoas que tiveram muitos problemas no momento de sair de casa, porque os pais tinham medo que os filhos se fossem embora e nunca mais voltassem, tinham medo de não ver mais os filhos, de se afastarem. A minha experiência é o completo oposto.
Desde que saí de casa, a relação com a minha família melhorou muito! É maravilhoso termos a capacidade de nos afastarmos de certas coisas, de certas situações. Estou com os meus pais praticamente todos os dias, mas saber que tenho a liberdade de não estar ou de poder ir para a minha casa a qualquer altura e deixá-los na vidinha deles, é maravilhoso. Agora até sinto mais falta deles, parece que até gosto mais deles e que os compreendo melhor. Acho que estou naquela fase da minha vida em que realmente estou a perceber as coisas que os meus pais queriam dizer quando me diziam "quando fores grande vais ver!/ quando tiveres a tua casa, tu vais dar valor!". Vejo os meus pais com outros olhos porque agora eu estou "de fora". Não estou toldada pelas emoções de viver junto com eles, ter que conviver com os defeitos deles, ter que viver com os dramas deles, ter aquele conflito de interesses, os problemas... Dito assim parece que éramos uma família problemática, o que não é verdade, mas todas as famílias, por mais felizes que sejam, têm os seus stresses, as pessoas chateiam-se, há coisas que maçam dia após dia. Agora sinto mais vontade de estar com eles, de partilhar coisas com eles, sinto que estamos mais em pé de igualdade e podemos falar das coisas como adultos, de igual para igual, porque não dependo deles e já passo por muitas coisas que eles passam/passaram. Acho isto maravilhoso! Sair de casa dos pais pode ser uma forma de aproximar a família, muito mais do que de a separar. Até com os meus futuros sogros sinto essa diferença, parece que agora a relação é mais de adulto para adulto, igual para igual. 

sábado, 20 de outubro de 2018

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Mi casa es su casa

Desde sempre que quando me imaginava a ter uma casa, imaginava que gostaria muito de ter visitas, de convidar amigos para lanches e jantares. Dos meus amigos próximos, três casais começaram a viver juntos antes de mim e sempre houve essa coisa de marcar jantaradas na casa de dois deles, incluindo as pessoas que ainda viviam com os pais. Nada de problemático. Quando eu fiquei em pé de igualdade, fiz questão de convidar os mesmos amigos para um lanche cá em casa, para conhecerem o espaço, e desde sempre me mostrei disponível para que viessem cá, marcassem coisas para aqui. Contudo, tenho uma amiga que, já vivendo com o namorado até antes de mim, veio cá mas nunca me convidou a ir a casa dela. Já falou sobre isso mas desvia sempre o assunto. Na semana passada disse-me que temos que marcar um encontro mas sugeriu logo ir ao sítio x comer não sei o quê, para nem dar espaço a ir a casa dela. 

Eu compreenderia isto se as pessoas não tivessem casas onde todos pudessem estar confortáveis, onde não houvesse espaço para receber tanta gente (somos um grupo grande), se as pessoas donas da casa fossem responsáveis por pagar tudo (nunca é, dividimos sempre despesas ou cada um leva algo) e não pudessem. O que acontece nos casos específicos que conheço é pura mesquinhice, querer ir a casa dos outros mas não querer ninguém em casa delas.
A minha tia, por exemplo, é do tipo de inventar desculpas para ninguém ir a casa dela ou se fazer algum evento lá (Natal, aniversários...), porque a casa é fria, porque é pequena, porque não está em condições, etc etc, quando na verdade tem uma casa de tamanho igual à de todos os outros familiares e está tão habitável como outra qualquer, afinal ela vive lá. Ela não quer é que ninguém vá para lá sujar-lhe nada ou sentar-se no sofá. True story.

Claro que nem toda a gente tem que querer enfiar pessoas dentro das suas casas. Compreendo que possa ser uma questão de feitio, há pessoas que não gostam de ter ninguém no seu espaço. Nada de errado nisso, ninguém é obrigado a ter pessoas em casa se não quer. O problema é que estas pessoas estão sempre prontas a ir para casa dos outros e isto é que eu não acho correto. Se não querem ninguém em casa delas, não deveriam querer ir a casa dos outros, porque se gera aqui a expetativa da reciprocidade que depois não é correspondida. Temos que ser uns para os outros. É muito chato sentir que abrimos as portas da nossa casa a alguém mas a pessoa não quer fazer isso por nós. Que as coisas são sempre marcadas para as casas dos mesmos, quando poderíamos rodar mais, havendo outras pessoas com iguais condições. 
No caso da minha tia, só não passamos o Natal mais confortáveis porque ela se recusa a fazer o sistema rotativo (um ano na casa dela, outro ano na casa dos meus pais, outro na minha, outro na minha outra tia) e as pessoas não estão para a receber sempre e depois não serem recebidas por ela. Acabamos por ficar sempre na casa da minha avó, que é velhota e tem menos condições para todos estarmos bem e confortáveis, porque ela simplesmente não quer ninguém em casa dela para não sujar nada ou gastar-lhe água e luz, mas está pronta a ir fazer isso em casa dos outros. 

É mesmo chato perceber que não há essa reciprocidade. O que é que faço? Convido quem me convida a mim. Não quero em minha casa pessoas que não me querem na casa delas. Mas faz-me mesmo confusão que haja gente assim. Às vezes penso se será só no meu círculo de amizades/familiar que estas coisas acontecem.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Manter o foco

Hoje estou num daqueles dias em que morrer parece-me mais apelativo do que ter que trabalhar. Vou ver se repito o mantra dos próximos dias até à exaustão.
Só mais duas semanas e tenho fim de semana prolongado. Só mais duas semanas e tenho fim de semana prolongado. Só mais duas semanas e tenho fim de semana prolongado.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Things I don't miss

Vêm aí os dias de muita chuva e frio que, por si só, já são uma seca, mas que não deixam secar a roupa. Lá vou eu demorar uma semana para secar um estendal de roupa.

(Tenho um estendal na sala desde ontem, com roupa que estendi primeiramente na varanda no sábado. Ainda há peças que não estão completamente secas. How fun)

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

No vosso círculo familiar/de amigos, é comum fazer-se uma pequena sessão com foguetes/fogo de artifício em pequenos eventos? É uma coisa que foi crescendo por cá, já há uns anos, e agora parece-me que TODA A GENTE faz. Já fui a algumas festas de anos de crianças pequenas e todos tinham, bem como é muito comum em casamentos. O que é que vocês acham disso?
Para mim, fogo de artifício no aniversário/casamento é uma coisa que não faz sentido nenhum nem se coaduna com o meu estilo. Não condeno quem gosta e o faz, só acho "too much" para mim. Então pensar que estão, literalmente, a queimar dinheiro, faz-me uma confusão enorme mesmo que, obviamente, o dinheiro não seja meu. É daquelas coisas que, na minha opinião, é completamente desnecessário. Agora está na moda toda a gente ter meia dúzia de foguetes no aniversário, especialmente crianças (pelo menos cá na zona), e eu só penso que, ainda por cima, os putos têm medo, assustam-se com o barulho (quando são muito pequenos) portanto aquilo é "just for show", mostrar aos vizinhos que também sabem, que também podem, ou só para agradar aos pais. Pelo menos aqui, é essa a sensação com que fico. Nada contra, mais uma vez, mas é algo que está completamente fora de questão para mim e para futuros eventos meus. 
Vocês gostam? Fariam/farão? O que é que acham?

sábado, 13 de outubro de 2018

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

You're just mean

Tudo o que faço na minha vida é com amor, com carinho, com dedicação, por isso magoa-me que as pessoas não dêem o devido valor. Tenho uns membros na família que têm sempre algo a apontar. Abro-lhes a porta de minha casa com gosto, só me atiram defeitos de volta. Que o sofá é minúsculo, que os móveis ikea é só chinesice, que as cortinas isto, que as paredes aquilo. No dia do meu aniversário, convidei-os para virem a minha casa cantar os parabéns e comer bolo. Comentário para o bolo, à frente de toda a gente: parece vomitado (só porque tinha um creme por cima). A tarte gelada de mousse de chocolate, bolachas e natas, só sabia a café. Os copos são esquisitos, não pousam bem. Um deles passou o tempo todo de trombas porque não comprei cervejas.
Fico mesmo chateada com estas coisas. São pessoas que adoro e que, no geral, são boas pessoas, mas têm esta mania horrível de pôr defeitos em tudo. Ainda por cima, são pessoas normalíssimas, habituadas até a ter menos do que eu tenho, portanto não percebo estas críticas, como se estivessem habituados a melhor. Basicamente não têm onde cair mortos, mas têm a mania das grandezas e nada do que os outros têm parece estar à altura deles. É mesmo estranho.

Quando vou a casa de alguém, sou incapaz de dizer o que quer que seja de negativo sobre aquilo que os anfitriões preparam para mim. Acho tremendamente desadequado reclamar de algo que as pessoas fizeram para nós com carinho. Ainda mais desadequado acho estar a apontar defeitos à casa das pessoas. Uma casa tem a personalidade de quem lá vive, reflete os gostos daquelas pessoas, não tem que agradar a mais ninguém. Ir a casa de alguém e dizer mal abertamente de pequenas coisas que a pessoa adora, é só maldade. Ou falta de educação. Já estava habituada a estes comentários porque fazem o mesmo na casa dos meus pais, mas fiquei mesmo chateada com isto.

Fiz uma mini festa de aniversário com a minha família próxima, as pessoas de quem gosto, e recebi em troco estas chatices. Estava mortinha que se fossem embora porque só souberam apontar defeitos às minhas coisas. O pior é que fiz tudo com tanto carinho, numa fase da minha vida em que aquele dinheiro até faz falta para outras coisas, mas quis proporcionar um fim de dia bom para toda a gente, com aquilo que podia, como podia. Como resposta tenho isto. Acho que se acabaram as festas de aniversário cá em casa.