terça-feira, 5 de junho de 2018

Só sabem pedir...

Sinto, em quase todas as áreas da minha vida, que dou sempre mais do que recebo. Seja em que situação ou contexto for, raramente sou eu a parte em falta. Dou tudo de mim, sempre. Quando me insiro em algum projeto, em algum grupo, quando inicio uma relação, um hobbie, um trabalho, não concebo investir em algo se não for a 100%. Faz parte de quem eu sou, da minha forma de estar na vida. Acho que, se não for assim, não vale a pena. O que acontece é que nem todos somos assim (nem temos que ser), portanto acabo quase sempre a ser a pessoa que dá tudo e recebe muito pouco (ou nada). E se esta constatação não me faz mudar a investimento que faço nos outros, simplesmente porque é parte do que sou e não há como ser diferente, há alturas ou situações em que magoa perceber que dou tudo em troca de muito pouco. Às vezes desmotiva, tem dias que cansa, em que me zango e digo "nunca mais!". Já houve alturas em que, de facto, tive que dar como terminadas algumas relações ou projetos por sentir que não valia a pena o meu investimento. Mas volto sempre ao mesmo, até me zangar de novo e ver que não vale a pena continuar a ser a pessoa que puxa, que faz as coisas acontecerem, que rema contra a maré.
É um ciclo que em nada se relaciona com uma possível falta autoestima ou de autoreconhecimento do meu valor, eu serei sempre a pessoa que dá mais e pronto. E a verdade é que eu ganho sempre algo, mais que não seja, a confirmação de que eu nunca falho a ninguém, eu estou sempre lá, eu dou sempre tudo, o que claramente é uma característica importante para mim e, portanto, só valida a minha forma de ser e estar, o que me faz sentir bem. Mas há dias - ai se não há! - em que é difícil este cansaço de dar tudo em troca de quase nada.

4 comentários:

  1. Sou assim em muitas áreas da minha vida. Só deixo de o ser quando as coisas entram em conflito: dar tudo no meu trabalho faz-me dar menos (mas nem por isso pouco, mas nem por isso menos do que os outros) à minha família ou (mas nem por isso pouco, ainda assim menos do que a maioria) aos meus amigos.
    Estou tranquila porque, na verdade, já me "habituei" mas compreendo totalmente o teu ponto de vista.
    Aliás, como digo em algumas situações, quando espero mais dos outros e acabo por ser eu (de novo) quem mais se entrega: "ai de mim... Se não fosse eu!"

    ResponderExcluir
  2. Confesso que já fui mais assim, mas talvez porque percebia que havia áreas (principalmente no trabalho)em que não sentia o retorno, acabei por me moldar em função disso.

    ResponderExcluir