segunda-feira, 25 de junho de 2018

Simples assim

Cresci em casa da minha avó, com os pés descalços, despenteada, sempre suja de andar a brincar na terra, com os joelhos esfolados. Cresci a saltar à corda, a jogar à macaca, a fingir que era cabeleireira ou cantora, rodeada de primos com quem me pegava amiúde, mas que foram companheiros inigualáveis nessa aventura de crescer. Nos meus primeiros anos de vida vivíamos bem, depois as coisas começaram a complicar-se e tivemos, desde então, sempre uma vida mediana, sem grandes luxos mas nunca nos faltou nada. Os meus pais são gente trabalhadora, honesta, vivem com o que têm e tentam sempre dar-nos o melhor que podem. Toda a minha família é de pessoas trabalhadoras, com vidas medianas, sem luxos. A educação foi sempre centrada em valores de respeito, honestidade, a família em primeiro lugar, trabalhar para atingirmos os nossos objetivos, não viver à custa de ninguém, não fazer mal aos outros. Somos todos pessoas simples. Vivemos numa terrinha pequena, rodeados de família. Não somos pessoas de vícios ou maus hábitos. Levamos a vida como podemos, com o fruto do nosso trabalho, sem gastar mais do que podemos ou temos. Não somos ricos nem pobres, mas a vida também não dá para grandes festas.
Tenho hábitos simples, contento-me com pouco e sou feliz com tudo o que tenho. Vivo uma vida mediana, sem grandes sobressaltos. Não saio mais porque não quero ou nem sempre posso. Gosto genuinamente de estar em casa, de estar sozinha, de ler os meus livrinhos ou ver as minhas séries, de fazer passeios a pé até ao parque da cidade, de andar de bicicleta, de comer um gelado numa esplanada, de simplesmente estar sentada no chão de casa a conversar. Não preciso de grandes coisas para ser feliz. Sinto-me desconfortável em sítios muito chiques ou elaborados. Detesto ter que me vestir toda pipi, de ter que andar demasiado arranjada. Prefiro mil vezes andar descalça na terra do que pisar lugares fancy. Gosto da minha zona de conforto. Gosto de me sentir bonita e arranjada, mas não sou vaidosa. Não vivo para ser melhor do que os outros, para ter as melhores coisas, para competir com ninguém. Não vivo de aparências. Sou sempre a mesma em qualquer lado que vá, com quem esteja a falar, em qualquer contexto. Tenho alguns sonhos e objetivos para a minha vida, mas não sou ambiciosa. Não quero pisar todos os continentes do mundo, não quero comer nos restaurantes mais in, vestir as roupas mais xpto, não tenho uma bucket list cheia de aventuras e coisas loucas. Quero levar uma vida serena, despreocupada, criar uma família como fui eu mesma criada. Não preciso de ter a melhor casa, o melhor carro, as melhores viagens de férias, o melhor salário... Preciso de muito pouco para ser realmente feliz. Sou simples. Quero uma vida simples, recheada de amor como até agora. O resto, chegará por acréscimo.

8 comentários:

  1. Eu podia ter escrito este post (diferenças familiares à parte)! Mas já reparaste que por vezes é preciso uma longa descrição para definir que o que queremos é simples? Não é fácil, é um exercício diário de clarificação. E às vezes o que é simples pode ser complicado de atingir. Por mim falo, que já tive muitas decepções e desvios desse objectivo. Mas voltei sempre a ele, as coisas fazem-se, as ambições mantêm-se (simples) e a vida decorre ao ritmo que tem de ser.

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    1. É verdade, tanta coisa para dizer que só queremos algo simples... Mas são sempre as coisas simples as mais difíceis de explicar, principalmente para quem não entende esse nosso objetivo.

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  2. Gostei muito!
    Sou parecida contigo, excepto na parte de conhecer o mundo. Ainda não viajei nem pouco mais ou menos tanto quanto gostaria; adorava viajar mais e mais, mas de mochila às costas e num airbnb qualquer fico mais do que satisfeita! Também dispenso os restaurantes e hotéis xpto. Igualmente no que toca aos carros! O que quero mesmo mesmo mesmo mesmo mesmo é constituir a minha família :)
    Beijinhos,
    Salomé

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    1. Gostaria de viajar e de conhecer alguns sítios, mas não é a minha ambição, o meu objetivo. Se acontecer, ótimo, mas não é prioridade neste momento. Há outras coisas que valorizo mais nesta fase da minha vida, não quer dizer que não mude de foco, posteriormente.

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  3. por isso gosto de ti!
    através do teu blog consegue-se sentir um pouco disso tudo!
    bjos doces

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    1. Oh, obrigada!
      Ainda bem que isso transparece.

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  4. Ohh tão eu!! Que texto bom de se ler, leve como a vida que queremos levar, senti-me identificada em praticamente todo o texto! Costumo dizer que a pior pobreza é a de espírito e que sou muito rica em pessoas e sentimentos nobres!beijinhos

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  5. Sou tão mas tão parecida ! Hoje em dia parece que as crianças não sabem o que é brincar na rua, à macaca ..

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