terça-feira, 15 de maio de 2018

Uma luta para a vida

Sempre tive complexos com o meu corpo. Ou porque era muito peluda, ou porque achava que tinha umas pernas gordas, ou porque sempre tive uma anca larga e tendência a fazer muffin top, ou porque tinha dentes tortos, ou porque a minha barriga sempre foi mole... Sempre me achei gorda. Ou melhor, eu sabia que não era gorda, mas achava que poderia sempre ser mais magra. Olho para trás, vejo fotos minhas com 15 ou 18 anos, e vejo que era uma rapariga normalíssima. Com um metro e meio e cinquenta quilos, estava até muito bem. Principalmente para uma alminha que nunca fez exercício além das aulas de educação física e que viveu sempre num contexto familiar onde se comia de tudo e os doces eram parte da alimentação diária. Nunca vos deu aquela vontade de ir atrás no tempo e esbofetear a pessoa parva que foram? Gorda, com 50kgs? Gorda estou agora!

Sei que estou com peso a mais, embora continue a gostar de mim. Gostava de emagrecer uns quilos, mas também não faço muito por isso. Já não faço exercício há meses, passo o dia sentada a trabalhar, o tempo não tem ajudado a grandes caminhadas e a preguiça tem sido maior. Não vou inventar desculpas porque não as há. Sou preguiçosa, ponto final. Nunca gostei de fazer exercício, embora adore a sensação de estar ao ar livre e a sensação do depois. Mas sempre me obriguei a ir, sempre custou sair de casa, não é algo que me saia naturalmente porque faz parte de quem sou. Sei que tenho que mudar hábitos alimentares. Não acho que como muito, como é mal. Nunca fui de extremismos, nunca fiz dietas, nunca me preocupei com essas coisas, mas sei que tenho que o fazer. Custa é começar. E começar sozinha. Se tivesse alguém que alinhasse em fazer exercício comigo ou que fizesse "dieta" (aka não comer porcarias a toda a hora só porque sim), dava logo outro ânimo. Mas bem sei que é uma luta que tenho que ser eu a travar. 
Estou saudável, não olho para mim e odeio o que vejo, mas gostaria mais se tivesse com uns quilos a menos. Mesmo que com quilos a menos continue a ter pernas rechonchudas (sempre tive), uma barriga mole (sempre tive), uma cara redonda (nada a fazer), anca larga (faz parte do meu biótipo) e tendência a fazer muffin top (também sempre tive). A ver se me entusiasmo e começo a ter mais cuidados. Não vou ter 25 anos para sempre e convém não piorar assim tanto com a idade. Mas o que eu queria mesmo, mesmo, era voltar a ser a gorda que achava que era com 15 anos. Isso é que era!

8 comentários:

  1. Adorei! Realmente quando olhamos para trás vemos que tinhamos macaquinhos no sótão sen qualquer razão! Que tontas! :) temos de gostar de nós tal como somos! ;)

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  2. Estou exatamente na mesma situação. Mas a preguiça ganha. Ahaha

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Podia ter sido eu a escrever quase que cada palavra do primeiro parágrafo do teu texto!
    Podes crer! 50kg e não era magra o suficiente? Agora então! Mas sabes que mais? Se estamos confortáveis assim, quem pode julgar-nos? Nem nós próprias se nada fazemos para mudar!!!

    Não tenho feitio para me proibir ou recriminar por isto ou aquilo e portanto não me obrigo a nada. Acredito que sou moderada e sinto-me bem na minha pele. Podemos sempre melhorar, essa é a beleza da coisa. Mas sou apologista que o devemos fazer quando para nós faz sentido e no sentido que bem entendemos.

    Afinal sentir-mo-nos bem e gostarmos de nós está muito além de um número numa balança ou numa peça de roupa ou numa contagem de calorias de alimentos.

    ***

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  5. Olha... eu desde que tive o Príncipe e estou a tentar ter o meu corpo de volta que agora olho para trás e penso: eu achava que antes de engravidar estava gorda, que tinha barriga, tinha os braços gordos... Agora? LOL Penso que estava mas é louca! Ajudou a relativizar bastante.

    Beijinhos,
    O meu reino da noite ~ facebook ~ bloglovin'

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  6. Também tive uma adolescência de complexos e acho que nunca estou realmente satisfeita com o que vejo. Mas acho que a maioria das mulheres acha sempre que podia melhorar qualquer coisinha.

    Se estás saudável, isso é o mais importante. Se gostavas de ver diferenças, sabes que está nas tuas mãos mudar alguns hábitos e acabarás por ter os resultados...

    O importante é que te sintas bem e feliz :)

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  7. Eu nunca me preocupei muito com dietas, mas depois de ter tido a minha primeira filha e passado dois anos continuar com quilos a mais, decidi na altura ir a uma nutricionista e continuo a ser seguida por ela. É a nutricionista da farmácia da minha área de residência, as consultas são 8€ e sinto que, no meu caso, preciso de alguém exterior que me controle.
    Não sou dada a fazer exercício físico, já estive inscrita num ginásio e de nada serviu: detestava aquilo. Gosto muito de comer pão e massa. São problemas crónicos em mim. Gosto de doces, apesar de não os comer sempre. Mas não é fácil mudarmos hábitos de um dia para o outro. Ah e sou preguiçosa, muito! Tenho de fazer abdominais e, como detesto fazê-los, adio, adio, adio.

    Quanto aos complexos: no meu caso, quando era adolescente, nem era tanto o peso, mas sim os complexos com os pelitos que tinha ( e tenho) nos braços (são muito escuros!) e com os meus dentes. Entretanto, uma pessoa cresce e começa a saber viver com isso, mas era algo que, ainda hoje, mudaria em mim, sem dúvida.

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