quinta-feira, 3 de maio de 2018

O maravilhoso mundo do pensamento de uma velhinha da terrinha

Há muitas coisas das terrinhas pequenas que me tiram do sério, chateiam ou simplesmente não compreendo, como é o caso das fofocas como contei ontem. Outra é o hábito de deixar de dar prendas às pessoas que casaram/vivem com os respetivos namorados. É uma cena aqui, principalmente entre as pessoas mais velhas (avós). 

Somos 15 netos e 4 bisnetos e a minha avó, apesar da reforma mixuruca, sempre fez questão de dar alguma coisa aos netos na Páscoa, aniversário e Natal. Contudo, a partir do momento em que os netos casam ou vão viver com os namorados, não há mais prenda para ninguém. Eu acho isto das coisas mais parvas que já vi na minha vida. Em primeiro lugar porque o argumento é o de que já temos a nossa vida a dois, então temos o nosso dinheiro e não precisamos da nota que ela dá ou da prenda, que podemos comprar. Se o argumento é o de que temos o nosso dinheiro, então já o temos quando começamos a ter o nosso salário e não somente quando nos casamos. Depois chateia-me esta ideia de deixar de dar prendas às pessoas com base na idade ou fases da vida (como aquela questão de deixar de presentear os afilhados porque já fizeram a comunhão). Eu dou prendas às pessoas de quem gosto, nas ocasiões especiais ou noutras em que me apetece, baseada no amor que sinto por elas, na ocasião e no facto de querer dar. Não filtro isso por idades ou estados civis. 

Obviamente não está aqui em causa a prenda, o valor da mesma ou sequer a obrigatoriedade de dar. Aliás, há muitos anos que lhe dizia que não era preciso, que guardasse o dinheiro, que lhe faz muito mais falta a ela do que jeito a mim. Mas ela sempre insistia, sempre quis. Ainda no Natal me deu prenda, mas na Páscoa já não tive direito ao folar porque agora vivo com o meu namorado. How weird is that? Mais uma vez, não é a prenda, é a ideia. Coisas esquisitas que se passam na cabeça das velhotas das terriolas. Que raio de ideia parva. Então a pessoa depois de casada ou em coabitação deixa de ser pessoa? De ser neta, filha, prima, amiga? Já não tem direito a receber prendas como até então?  É tipo a partir de uma certa idade ou depois de casadas e mães, as mulheres começarem a receber só coisas para a casa ou para os filhos, como se até então não tivessem sido (e continuem a ser) pessoas com gostos e interesses pessoais variados, que não envolvessem panos de cozinha e bibelôs para a mesa da sala. 
Estes hábitos das terriolas dão material para discussão que nunca mais acaba!

5 comentários:

  1. Ai este pensamento de 1920 da terrinha também me dá cá uma comichão!

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  2. Esses hábitos e ideias das terrinhas causa-me urticária... fico cheia de calores quando alguém me vem com essas conversas! Não acho normal...

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  3. Enquanto uma avó não faz distinção entre mim e o meu irmão, a outra acha que como trabalho não devo receber a tal moedinha que muito de vez em quando o meu irmão recebe! O pior é que da escondido mas comigo ao lado a aperceber-me de tudo! Já nem falo da ideia que como já sou cachopa não recebo prenda de anos nem Natal, etc. É como dizes, não é pelo valor é pela atitude..

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  4. O teu post anterior fez-me rir pois sou de um sítio pequeno onde as pessoas até dizem que eu comprei casa lá porque ouviram que alguém também senhora de nome igual ao meu estava interessada nessa propriedade. Oh Meu Deus! E eu já saí da terrinha há vários anos! Agora, sobre isto das prendas. Assim que me tornei "adulta" uma das minhas tias também achou que devamos parar de trocar prendas porque já somos "crescidos". Vá se lá entender! Uma pessoa dá prendas porque quer, quando quer.

    beijinhos

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  5. Infelizmente esse é um hábito que não se resume às terriolas, acho que é mesmo mentalidade, que eu também não compreendo nem me faz sentido mas pronto. Se não querem dar mais prendas pelo menos digam que deixa de fazer sentido e não arranjem desculpas idiotas -.-

    Bjs

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