segunda-feira, 9 de abril de 2018

Porque é que as mulheres insistem para casar?

Todos nós conhecemos algum casal em que um quer muito casar e passa a vida a mandar a dica. Normalmente essa pessoa que "pressiona" é a mulher. Vamos assumir que sim, embora saibamos perfeitamente que não devemos generalizar, etc. Façamos já aqui um parêntesis para dizer que há uma diferença grande entre pressionar para casar no sentido de ameaçar com ruturas ou chantagens várias quando o outro claramente não quer e uma insistência que é feita porque há uma parte que tem esse sonho e o outro, embora não partilhando do sonho, até se vê a casar com aquela pessoa e gostaria de ajudar o outro a cumprir esse objetivo. 

No meu caso, eu sempre fui a pessoa dos planos e objetivos bem definidos. Gosto de planear, por isso, sim, tenho a minha vida planeada quase ao milímetro, pelo menos no futuro mais próximo. Eu quero ser o agente principal da minha vida. Do lado oposto, temos o meu namorado. Ele nem sabe o que quer fazer mais logo, quanto mais no próximo mês ou ano. É uma questão de feitios e de formas de viver a vida. Como somos da maneira que somos, sou quase sempre eu a tomar iniciativa para os acontecimentos importantes da nossa vida. Obviamente que todas estas coisas só podem acontecer por vontade de ambos e essas coisas são faladas, mas sou quase sempre eu a sugerir as coisas. A louca do planeamento cria os objetivos e os prazos e ele dá o seu parecer, reajustando ou não os mesmos, dando as suas opiniões e o seu consentimento/vontade de ir em frente. Por exemplo, foi da vontade de ambos virmos viver juntos, como é da vontade de ambos ter filhos. Casar é algo que eu quero muito e que para ele seria irrelevante, mas por ser um grande objetivo meu, ele já se rendeu à ideia. Ainda assim, fui sempre eu a ter a iniciativa de sugerir datas para as coisas porque para ele é tudo ao sabor do vento, "vamos ver o que a vida nos dá" e eu não consigo viver assim. 
É romântico? É esta a forma que as pessoas sonham ou imaginam? Não. Vemos sempre nos filmes que as mulheres são aqueles seres passivos que têm que esperar que sejam os outros a tomar as rédeas das vidas delas e a decidir por elas o que vai acontecer e quando. Elas têm que esperar pelo pedido de casamento, por exemplo, que acontece quando o homem se lembra. Pois, na vida real as coisas não são bem assim. Para uma parte significativa dos homens estas coisas não são imperativas, portanto nem têm em mente quando é que o querem fazer (se é que querem). Assim sendo, é normal que a parte que queira muito coabitar/casar/ter filhos tenha que agir ou então vai ficar eternamente à espera do outro. Acredito que tudo isto é fruto das nossas próprias diferenças enquanto sexos distintos (nós somos, regra geral, mais dadas ao controlo, ao planeamento, sonhamos com certos acontecimentos) e também da cultura (é a nós que se incute o sonho de casar, de ter filhos, etc), portanto parece-me muito normal que a sugestão dos grandes acontecimentos de vida parta das mulheres. E claro que depois somos vistas como as chatas que obrigam os homens a casar e a ter filhos.

Casar nunca tinha sido um objetivo na minha vida, mas eu tinha 14 anos quando entrei nesta relação. Muita coisa mudou. Quero casar e tenho um prazo definido para o fazer, uma vez que condiciona outras questões da minha vida. Para o meu namorado seria indiferente fazê-lo amanhã ou daqui a 20 anos. Para mim é impensável, portanto já lhe disse quando é que eu gostava que acontecesse. Acho normal ter um espaço temporal para o acontecimento, da mesma forma que tenho um espaço temporal em que gostaria de ser mãe, ter um carro, uma casa própria, um certo montante na conta do banco, etc. Significa que tem mesmo que ser naquele prazo que está definido na minha cabeça? Não! E se nunca acontecer não vou ser menos feliz por isso. Serei mais feliz porque sou sempre mais feliz quando alcanço algum dos meus objetivos de vida, mas a minha felicidade ou a nossa continuidade enquanto casal não depende de ele me pedir em casamento ou de casarmos no ano que vem, daqui a 10 anos, ou nunca. 
Não considero que seja insistência ou pressão dizer ao outro o que se quer e quando se quer. Faz parte do nosso planeamento de vida.  Não falo de impor a nossa vontade, mas sim de comunicar os nossos desejos e vontades, com prazos se os houver, e de preferência que os mesmos sejam partilhados pela outra parte. Não sendo, é um problema que ambos têm que resolver, mas isso já são outros quinhentos!

5 comentários:

  1. É isso mesmo!
    Percebo-te perfeitamente, também sou muiito mais dada a planear tudo, enquanto que o meu namorado se deixa ir com a corrente. Provavelmente quando chegar a altura farei o mesmo que tu, um assunto como este exige muita comunicação. Ser e ficar passiva, à espera, para mim não.

    Beijinhos!
    MESSY GAZING

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  2. Cerebralmente somos diferentes, o que leva a que as mulheres, não só por questões culturais, seja mais dada a planos e objetivos.
    Mas o teu texto é um bocadinho confuso na medida em que se nota que queres casar, que já tens uma data definida e que ia o comunicaste ao teu namorado. Também obviamente se tens um limite para o fazer é porque não vais progredir para outros objetivos enquanto não o fizeres, se não cumpres os teus objetivos não podes ser feliz.
    Não tem mal nenhum assumir isso. Estou no mesmo barco, ate por razões de religião.

    Felicidades

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    1. Não sei se me expressei mal, então. Sim, é um facto, tenho esse objetivo, já defini um certo espaço temporal em que gostava que o mesmo acontecesse (embora nada possa ser assim tão linear e tenho essa flexibilidade para mudar "o prazo") e o meu namorado sabe esse prazo e concorda com ele. A vida pode é meter-se aí pelo meio :) Existem outros objetivos que estarão dependentes desse, neste momento, mas se não casar, não os irei adiar ou desistir deles, apenas terei que redefinir a minha vida e os meus planos :) Não serei menos feliz se não casar, embora haja outros objetivos que, neste momento, só fazem sentido acontecerem depois de casar. Mas se não acontecer, vou ter que reavaliar a minha vida e conquistá-los na mesma, de outras formas.

      Felicidades para ti também, M. e obrigada pelo comentário :)

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  3. Olá olá!
    Eu concordo contigo, pessoalmente eu não penso em casar, não tem que ser já!
    Acho que a comunicação é importante nesses casos mas apressar coisas nunca correm bem.
    Segui o teu blog, adorei! Quero convidar-te a visitar e a seguir o meu de volta <3

    pimentamaisdoce.blogspot.pt

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  4. Conheço pessoas que sempre afirmaram que não casariam e depois conhecem a pessoa certa e mudam de ideias.
    É normal um casal ajustar-se aos desejos um do outro, a não ser que seja mesmo uma convicção mais do que definida e intransigente. Nada como falarem abertamente sobre o que um quer e o outro deseja e chegar a um entendimento comum.
    Pessoalmente, quando comecei a namorar com o meu atual marido, na altura tinha eu 19 anos, já sabia que um dia queria casar e ter filhos. Ele pensava o mesmo e nesse aspeto, foi fácil encontrar um consenso.

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