segunda-feira, 16 de abril de 2018

Os selvagens dos meus vizinhos

Como já aqui referi algumas vezes, os meus vizinhos, quando morava em casa dos meus pais, eram praticamente uns santos. Tirando os miúdos do apartamento imediatamente ao lado que, estando de férias, às vezes se chateavam uns com os outros e andavam aos gritos, era tudo muito civilizado. Nunca ouvi bebés a chorar (e todos os vizinhos já tiveram bebés, crianças pequenas), pessoas a discutir ou qualquer tipo de barulho. Até quando celebravam aniversários tinham a consideração de avisar ou pedir desculpa pelo barulho (que nunca ouvi) no dia seguinte. Pessoas normais, portanto.
Entretanto vim morar para um aglomerado de prédios que mais parece um bairro. É verdade que a localização não tem a melhor reputação, mas foi o que se arranjou. Como o meu apartamento está no fundo do prédio, acabo por estar um pouco mais deslocalizada do centro da confusão e tudo estaria a correr bem, não fossem os vizinhos de baixo. Eu já lhes conhecia a fama muito antes de para cá vir viver, mas isto soa o ridículo.

Além do casal não trabalhar e ter que arranjar entretenimento discutindo várias vezes ao dia, têm quatro filhos pequenos que são uns selvagens. O facto de eles chorarem ou se zangarem uns com os outros não me incomoda nada, são crianças, é normal. Correr pela casa é um problema dos pais deles, embora se ouça na minha. Mas são coisas normais de crianças, eles têm que brincar. O problema são os berros. Estes miúdos só sabem berrar e fazem-no desde as 7 da manhã, mal abrem as pestanas, até que vão para a escola um pouco antes das 9h. Assim que regressam a casa, recomeça o espetáculo até irem dormir (felizmente dormem cedo). Um dos miúdos parece que só sabe comunicar aos gritos e faz aquele tipo de berro que até arranha a garganta, sabem? Com um raiva, uma agressividade, que nunca vi semelhante. E as coisas que chamam uns aos outros? O mais simpático é chamarem-se filhos da puta. O pior é que não é um daqueles palavrões que às vezes as crianças dizem porque ouviram alguém dizer, sem atribuírem significado. Estes dizem aqueles palavrões com um sentimento, uma vontade... Eu nunca vi igual. E os pais? Nunca ouvi os pais repreendê-los depois de um palavrão deste tipo ou pior. 
Também gostam de ouvir música muito alta, tão alta que o chão da minha casa treme, às sextas e ao fim de semana. Têm um cd que ouvem sempre de seguida, vira o disco e toca o mesmo, que parece que foi gravado por algum daqueles profissionais dos carrinhos de choque, porque a meio de uma música o som baixa e ouve-se alguém a falar com aquele tom de voz saído das animações de feiras. Juro. Ouvem Modern Talking e Leandro. Ligam o aspirador às 7 da manhã a qualquer dia da semana, é sempre uma surpresa, não há dia definido. E os pais têm uma capacidade de discutir que nunca vi igual. São capazes de começar a discutir à meia noite de um dia, dormem, acordam às 7h e discutem mais um bocado, ele sai para o café, volta e voltam a discutir, almoçam e discutem mais um bocado, ele volta ao café e temos paz, depois volta a meio da tarde e discutem mais um bocadinho até irem dormir. É isto. Juro que não sabia que uma discussão poderia demorar tanto tempo. 

Depois de um mês já me começo a habituar, mas é sempre engraçada a reação dos meus convidados quando os ouvem. Toda a gente fica estupefacta com o que se passa no apartamento de baixo. Nunca ninguém ouviu crianças dizerem tantos palavrões com tanto sentimento ou pais que não se pronunciam quando os filhos chamam filhos da puta uns aos outros. Aiii, que bom que é ter vizinhos selvagens! #sqn

4 comentários:

  1. Depois de ler isto os meus vizinhos de cima são uns santos! Aqui no prédio há uma família parecida com essa, tirando as asneiras. As miúdas a descer as escadas parecem mamutes. Moram no 3° andar... Já se informaram junto da policia se podem fazer algo relativamente ao barulho tão cedo?

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  2. Já passei por semelhante e consegue ser um verdadeiro inferno que não desejo a ninguém. Gente que não sabe viver em sociedade nem consegue respeitar os outros tira-me completamente do sério. Arranjem dinheiro e vão viver sozinhos para o meio do monte, se não sabem ter vizinhos.

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  3. Estes pais não se pronunciam quando os filhos chamam nomes uns aos outros porque sabem que foi com eles que aprenderam e não podem recriminar quando eles próprios são o modelo mau a copiar pelos filhos.
    Eu moro num rés do chão e os vizinhos de cima são uns amores. Felizmente não tenho razões de queixa. Estamos a pensar mudar de casa e já disse que só espero ter a mesma sorte que aqui: paz e sossego.

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  4. Não te gabo a sorte. Eu tenho uma sina com vizinhos selvagens que só me dá vontade de me tornar antissocial!!!!
    Que venham melhores dias!

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