quinta-feira, 15 de março de 2018

Coisas que fiz e nunca me arrependi

Não podem ser só posts sobre aquelas vezes em que me arrependi do que disse, fiz ou pensei! Desta vez lembrei-me de escrever sobre as quais que nunca me arrependi de fazer, mesmo que na altura possam ter duvidado das minhas escolhas ou de eu mesmo ter uma certa insegurança perante essas situações. Ora vamos lá. Nunca me arrependi de:

Ter saído do meu primeiro emprego (ou do segundo) sem ter outro emprego em vista. Hoje em dia as responsabilidades são outras e não me poderia dar ao luxo de ficar sem emprego sem ter outro já assegurado, principalmente agora que sou uma dona de casa com contas para pagar. Mas na altura foram as melhores decisões que tomei e nunca me arrependi de ter virado as costas sem pestanejar, mesmo que as pessoas à minha volta tenham questionado e me tivessem aconselhado cautela. Foi das melhores coisas que fiz por mim, pelo meu bem estar, pela minha saúde física e mental.


Ter estudado até tarde. Já tive os meus momentos de desânimo e de descrença, já pensei algumas vezes, nos momentos de desespero, "porque raio me fui meter numa empreitada do género se era para acabar a trabalhar num café". Não minto, houve alturas em que os sacrifícios pareceram em vão, mas essa ferida já está curada. Seja como for, nunca me arrependi de ter estudado aquilo que queria, aquilo para o qual acredito ter vocação, aquilo que me apaixona. Todas as experiências da faculdade fizeram de mim uma pessoa mais feliz e mais rica (infelizmente, não monetariamente).

Ter cortado metade do cabelo. Vamos lá ser fúteis por dois minutos. Cortar o cabelo é sempre aquele drama porque depois demora a crescer, etc etc. Em 2015, quando cortei metade do comprimento do meu cabelo, ao contrário do que as pessoas me diziam que eu ia sentir, nunca me arrependi. Adorei ter cabelo mais curto! Não sei se voltaria a fazer de novo agora porque realmente adoro cabelo comprido, mas na altura gostei muito da liberdade de um cabelo mais curto e leve. Nunca tive um daqueles dias de arrependimento em que jurei que nunca mais iria voltar a fazer uma dessas. Já de cortar a franja, não posso dizer a mesma coisa. Já fiz e me arrependi e fiz de novo umas 350 mil vezes. 

Ter começado a namorar cedo. Até agora, pelo menos, nunca me arrependi de ter-me prendido logo ao primeiro namorado, como as pessoas gostam de frisar. Não sinto que tenha perdido coisas da minha vida por estar numa relação desde sempre. As pessoas gostam sempre de dizer que devemos aproveitar a nossa juventude, que temos que namorar muito primeiro, que devemos conhecer outras pessoas, mas nunca fez diferença para mim. Se encontrei a pessoa que considero ser a pessoa que vai estar comigo o resto da minha vida, porque razão haveria de ter desistido disso? Sinto-me até uma privilegiada por ter encontrado "a minha metade" tão cedo e poder viver com ele tantas coisas boas, termos crescido juntos, estarmos a planear a nossa vida juntos desde novos. Nunca me arrependi e, mesmo que não dê certo no futuro, acho que posso dizer com certeza que não me arrependerei desta escolha porque é algo que vem do coração, que sinto que é o que eu devo fazer, que é este o rumo que a minha vida tinha que tomar.

Ter cortado algumas pessoas da minha vida. Custa sempre um bocadinho cortar com pessoas tóxicas ou o afastamento dito normal a algumas pessoas que pensava que seriam minhas amigas para a vida, mas nunca olhei para trás e senti falta dessas pessoas ou pensei que deveria ter-lhes dado uma outra oportunidade ou ter corrido atrás daquela relação. Se não era para ser, não foi e não será. A verdade é que agora me sinto realmente numa bolha de amor. A sério, é meio parolo mas é verdade. Olho para as pessoas que tenho ao meu lado e sei que qualquer uma delas me doaria um órgão, por exemplo, se necessário fosse. Este amor, esta serenidade, não tem preço. Só quero na minha vida quem me quer, quem também se preocupa, quem me mostra que também tem interesse em ter-me na vida delas. O resto, nem nunca parei para pensar duas vezes. 

Ter sido simpática ou "boa demais" ou generosa para alguém, mesmo que esse alguém não merecesse. Costuma-se dizer "never suppress a generous thought" e eu acredito nisso. Mesmo que eu saiba que às vezes as pessoas não mereciam ou vejo agora que não mereceram o meu tamanho respeito, admiração, os meus sacrifícios ou as coisas boas que, de alguma forma, lhes fiz ou proporcionei, não me arrependo nunca de ser a pessoa empática e preocupada que sou. Fiz o que achava que deveria ter feito, sem arrependimentos.

Ter deixado de fazer ou ter algumas coisas que queria em prole de outros objetivos. Sou focada naquilo que quero e encaro os sacrifícios de prazeres imediatos em troca de prazeres futuros mais apelativos do que o contrário. Gosto muito do poder da conquista, da sensação de "finalmente consegui o que queria" portanto não encaro as abnegações pelo caminho como arrependimentos, uma vez que têm dado frutos. 


Sinceramente, ainda não consigo olhar para trás e pensar numa coisa que me tenha arrependido de fazer ou de não ter feito. Digo ainda porque só tenho 25 anos e uma vida inteira (espero), pela frente, para tomar decisões, fazer escolhas e colher os frutos dessas escolhas. Claro que há muitas coisas que eu gostava que tivessem sido diferentes, mas nada que me tire o sono ou me venha ao pensamento se falar em arrependimentos. Sei que, em qualquer altura, tomei as decisões e fiz as escolhas que tinha a fazer com muita ponderação e veio tudo tão de dentro... Mesmo que agora possa pensar que poderia ter sido diferente, não seria igual. A vida seria outra e eu estou tão feliz pela vida que tenho agora, pela pessoa que sou, que não há nada que gostasse de poder alterar no passado. Tudo me trouxe à pessoa que sou hoje, às pessoas e coisas que tenho hoje. Espero poder continuar a não ter arrependimentos graves pela vida fora.

6 comentários:

  1. Por vezes temos mesmo de mudar!
    Beijinhos,
    http://chicana.blogs.sapo.pt/

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  2. Tu tens 25 anos e achas que estudaste até tarde?...

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    1. Estudar até tarde é uma expressão anónimo...

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  3. Eu tenho contas para pagar e talvez seja isso o principal impedimento para ainda não ter abandonado de vez o meu atual emprego. Mas estou a ponderar seriamente essa opção, precisamente pela minha saúde mental, acima de tudo. De momento, estou de licença de gravidez e com o nascimento iminente do J. quero concentrar-me nisso apenas mas sei que vou ter de tomar decisões bem sérias daqui a uns 3, 4 meses. A ver vamos. Falta-me a coragem, custa-me virar costas a um trabalho, sabendo que não tenho outro em vista mas a exploração a que me sujeito é demais.

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  4. Eu às vezes fico a pensar demasiado nas coisas... no que devia ter dito e não disse e no que não devia ter dito e disse (disse, feito, sentido, whatever). Será que é arrependimento? Não sei.
    No entanto, acho que é um orgulho não te teres arrependido de muitas destas coisas :) és uma grande pessoa, com pulso forte.

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