quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Prioridades

Ao longo da minha vida já senti algumas vezes uma certa vergonha por não ter ou não fazer coisas que as pessoas da minha idade têm e fazem (ou é suposto fazerem e terem), porque parece que sou uma ave rara no meio dos outros. As pessoas esperam de nós um certo padrão de comportamento onde não me revejo. Isto durou até ter percebido que não há vergonha em termos prioridades e objetivos diferentes na vida.

Algumas pessoas aproveitam os seus vintes para fazerem coisas como viajarem, partirem em aventuras, comprarem grandes carros, passearem muito, irem a bons restaurantes, comprarem roupas caras e as últimas tecnologias. Nada disso foi ou é para mim uma prioridade. Faço o que posso quando posso, mas o meu foco é outro. A minha prioridade sempre foi ter a minha casa, com tudo o que eu considero essencial, e uma base de segurança financeira que me permita ter algum dinheiro de lado para qualquer eventualidade. Poderia fazer isto ao mesmo tempo que gastava em saídas, viagens e roupas? Sim, mas o meu objetivo principal iria demorar muito mais tempo a ser atingido, uma vez que não sou rica nem tenho um salário fora do normal. 

Sei que há pessoas que pensam que devemos aproveitar a vida enquanto podemos porque não sabemos se amanhã vamos cá estar para gastar o fruto do nosso trabalho. Pois eu acho que vou mais do que a tempo de fazer todas essas coisas, se eu quiser, depois de ter conseguido os meus objetivos principais. O mundo não vai acabar amanhã e uma pessoa saudável nos seus vintes tem cada vez mais probabilidades de chegar aos 80 ou 90 anos. Se Deus quiser, ainda tenho muita vida pela frente para poder viajar, sair e fazer todas essas coisas que as pessoas querem que eu faça agora. Também não é como se eu vivesse em privação e não andasse a gozar a minha vida! Faço as coisas que gosto, apenas tenho sempre em mente que há coisas que não são prioridade neste momento e que poderei fazê-las mais tarde. Não há uma idade limite para fazermos o que quer que seja, neste campo de aproveitar a vida e as experiências.

Para mim, os vintes são anos de criar a base para o futuro e, na minha vida, essa base é ter uma casa e as minhas coisas. Sei que a M. do futuro vai agradecer à M. do agora por em vez de comprar aquela blusinha ter comprado uma panela ou em vez de uma viagem tenha posto esse dinheiro de lado para um sofá, por exemplo. Há pessoas que não dão valor a estas coisas e está tudo bem! Da mesma maneira que está tudo bem que eu prefira abrir mão de algumas coisas agora em prol do futuro que ambiciono. A questão é que todos temos prioridades diferentes na vida, todos temos objetivos pessoais que não precisam de ser iguais uns aos outros. O meu foco sempre foi casa e família, embora perceba que o foco dos outros pode nem passar por aí. Para mim é importante portanto faço o que posso para tornar isso possível num futuro próximo. O foco dos outros pode ser viajar ou ter um estilo de vida assim ou assado e não estão nem aí para ter a sua casa, casar, sei lá. 
Ainda bem que todos temos prioridades diferentes na nossa vida! Foi só quando comecei a perceber que lutar pelos meus objetivos é mais importante do que a opinião dos outros sobre a minha vida que me deixei de vergonhas. Nunca devemos sentir vergonha por sermos quem somos ou por lutarmos pelo que queremos na vida.

10 comentários:

  1. Lá está, depende tudo das prioridades de cada pessoa. E com um pouco de organização, tudo se consegue. Eu adoro viajar mas também preciso de poupar para o casamento. Mas há forma de fazer as duas coisas: em vez de ir para um local paradisíaco gastar 1000 euros por pessoa, ficámos em portugal, um fim de semana prolongado e foi fantástico.
    Um beijinho grande*
    Vinte e Muitos

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  2. É isso mesmo, tudo depende das prioridades e dos objectivos que temos a curto, médio e longo prazo. É bem certo que tudo muda, o que hoje achamos que é certo, amanhã deixa de o ser. Saber ajustar aquilo que não controlamos com o que ambicionamos e focarmos a nossa energia nisso.

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  3. Verdade! ♥
    eu tinha exactamente as mesmas prioridades que tu!!
    bjssssssss M.

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  4. Eu espero também ainda ter muitas décadas de vida pela frente, mas não consigo adiar (ou deixar de fazer) certas coisas com base nesse pensamento. Pelo contrário, acho que tenho é que aproveitar estes anos preciosos em que ainda estou cheia de vitalidade e não tenho filhos (que podem até ser o melhor do mundo mas limitam muitos planos, é um facto) para aproveitar (e aproveitar, para mim, implica gastar algum dinheiro, já que uma das coisas que mais prazer me dá é viajar).
    Eu tinha um tio (que adorava) que era super forreta, mas aquele tipo de forreta que chega ao ponto de até um café lhe custa pagar (quanto mais oferecer a alguém, isso então era impensável), poupou imenso, até que construiu a casa dos sonhos dele, na altura em que estava a fazer 50 anos...e faleceu meses depois, com um AVC (uma pessoa que tinha hábitos de vida bastante saudáveis, ainda por cima).
    Eu poupo, sou incapaz de não o fazer, e podia poupar muito mais mas eu não sei o futuro, e o prazer daquilo que vou fazendo, as experiências que vou vivendo, as memórias que vou construindo, essas já ninguém me tira.
    Já o futuro é demasiado incerto.
    E com isto não estou a criticar o teu ponto de vista, estou só a dar o meu, que é diferente. É como dizes, são prioridades. Cada um com as suas.

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    1. Compreendo a tua posição e acho que o segredo está no equilíbrio. Fazermos o que gostamos mas termos na mesma uma segurança para o futuro. Não condeno quem é forreta, da mesma maneira que não condeno quem vive a vida e esbanja o que tem. Cada um é livre de fazer como entender, até porque as prioridades e objetivos são pessoais. Eu sou uma pessoa muito simples e sem vícios, não sou de luxos ou extravagâncias, por isso vivo muito bem um estilo de vida mais frugal. Mas é porque faz sentido para mim, não me sinto privada de nada, apenas sou mais ponderada nos gastos tendo em conta os meus objetivos futuros.

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  5. Nunca devemos ter vergonha de sermos quem somos para "agradar aos outros" ou "ficar dentro de um padrão". Eu compreendo tudo o que escreveste, o melhor para mim também é ter a minha casa, decorada como eu gosto, mesmo que isso demore algum tempo! Continuo a preferir um candeeiro a umas botas caras, um tapete a uma blusa nova. Neste momento com a vida mais orientada já se consegue poupar e viajar, é bom quando conseguimos o equilíbrio, mas nem sempre é fácil ou rápido!

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  6. As prioridades e as motivações é algo muito individual. Não nos devemos basear no que para os outros é importante, mas sim no que é importante para nós. O facto de teres feito um pouco o contrário do expectável, mostra a força interior que tens. Mostra que consegues ouvir o teu coração e agir segundo ele. Keep going :)

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  7. Gostei imenso deste post e fico feliz por ainda haver jovens que pensam no dia de amanhã. Não podemos generalizar mas noto que atualmente poucos são os jovens que se preocupam com o futuro. Pessoalmente revi-me em muito do que escreveste: casei aos 26 anos, quando a maior parte das minhas amigas estavam desimpedidas e preocupadas em curtir a juventude ao máximo: jantares, saídas e afins. No meu caso, eu tinha outras prioridades. E Sabia que as minhas amigas criticavam certas coisas. Lembro-me de uma delas, já estava eu casada, me criticar tremendamente porque fui ao Pingo Doce no célebre dia 1 maio de há uns belos anos atrás, quando fizeram aquela primeira grande promoção de 50% de desconto em tudo. Disse-me ela taxativamente que nunca na vida estaria 2 horas dentro de um hipermercado num feriado para poupar uns trocos. Tinha mais que fazer na vida dela.
    Acima de tudo, acho que nos devemos reger pelos nossos princípios. E não ter vergonha de assumirmos como prioritário coisas que os outros não consideram. A vida é nossa, não deles.

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  8. Percebo totalmente o teu ponto e não tens (nem nunca devias ter tido) vergonha disso. Tens um objectivo, não tens? Isso é que importa. Não ter objectivos faz-me mais confusão (se bem que não sou ninguém para julgar) e mexe comigo...
    No meu caso, viajar é mesmo muito importante para mim. Foi uma conquista pessoal e é um "bichinho" que nunca morre... Não me importo de ficar em sítios piores e comer sandes de supermercado nessas mesmas viagens para que fique mais barato. No entanto, há outros prazeres dos quais abdicaria sem problema para conseguir ter o meu cantinho, por exemplo.
    Agora, sendo fatalista, essa ideia de que "há tempo para tudo" já mexe comigo. Tenho demasiados exemplos em que não houve esse tempo...
    Sabes o que é que é mais engraçado? É que com o meu ordenado, a morar num quarto em Lisboa, não há margem para planos futuros :D Agora, o meu "devaneio" mensal vai ser ir jantar fora com os meus amigos uma vez por mês, assim mesmo à esbanjadora xD

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