sexta-feira, 8 de setembro de 2017

O que é meu é nosso ou é só meu mesmo?

A minha forma de viver uma relação é a total partilha. Não existe, para mim, essa divisão de "o que é meu e o que é teu". Nós vivemos assim, o que é de um é dos dois. Ainda não vivemos juntos, não temos gastos juntos e, por isso, não temos contas conjuntas, mas um dia pensamos ter. É assim que nos faz sentido. Acho tão estranho casais casados ou a viver juntos, que partilham contas, responsabilidades, têm coisas materiais comuns mas têm contas separadas... O meu dinheiro, o teu dinheiro, os meus gastos, os teus gastos... Não faz sentido para mim. O que é de um, é dos dois. Ainda agora que não vivemos juntos é muito assim. Vamos a qualquer lado e paga quem tiver que pagar, sem essa de "ontem paguei eu, hoje pagas tu", "sou sempre eu a pagar", etc, porque encaramos o dinheiro de cada um como sendo o dinheiro do outro, já que partilhamos a nossa vida em todos os outros aspetos e pretendemos passar o resto da vida juntos. Claro que cada um gasta apenas aquilo que tem e não está a pensar no dinheiro do outro para os seus gastos mais pessoais. Nunca na vida iria endividar-me, comprar mais do que posso pagar, a contar com o dinheiro dele, mas acho que percebem o que quero dizer. 

Conheço mais casais nesta total partilha do que o contrário. Talvez seja uma questão geracional também. Acho que há cada vez mais casais jovens a fazer esta divisão do dinheiro do que casais mais velhos, como os meus pais ou os meus tios. Talvez seja uma forma de proteção face ao futuro, já que hoje em dia as relações nem sempre são encaradas como antigamente, em que se pensava que era para a vida e nem se punha a hipótese de acabar (mal). Ainda assim, se eu vou viver com ele ou casar com ele, é porque confio plenamente nele e acredito que, na eventualidade de tudo correr mal e termos que nos separar, haverá a clareza de ambas as partes em dividir tudo. Não tenho medo algum que o homem me fuja com o dinheiro :) 
Acredito que as questões monetárias devem sempre ser faladas antes sequer de dar estes passos. É importante que ambos estejam "on the same page" quanto à forma de gastar, tenham hábitos de consumo e de poupança semelhantes e que, acima de tudo, percebam que o dinheiro é dos dois e há que ter cuidado com os gastos que se fazem. Primeiro as responsabilidades conjuntas, as contas, as despesas essenciais e depois logo se vê o que fazer com o que sobra. Deste ponto de vista, percebo que alguns casais não queiram fazer a partilha do dinheiro pois há um que gasta muito ou não tem cuidado com as suas finanças e o outro não é obrigado a suportar aquele estilo de vida. Mas aí nem sequer se colocava a vivência conjunta, para mim. Não poderia partilhar a vida com alguém cujo estilo de vida fosse tão díspar do meu em questões tão importantes, pois conheço-me e sei que não iria dar certo a longo prazo. Eu preciso de estabilidade, de segurança, de confiar plenamente na pessoa para que estas questões nunca me passem pela cabeça sequer. 

A única vantagem que eu vejo em manter contas separadas é poder gastar dinheiro em prendas para o outro sem que este tenha acesso aos extratos :p

Digam-me lá: vocês que são casadas/vivem em pecado com os vossos respetivos, têm contas conjuntas ou separadas? Quais os motivos que vos levam a fazer essa divisão ou, pelo contrário, essa partilha? Adoro saber estas coisas :)

18 comentários:

  1. Eu sou casado há 7 anos e lá em casa há contas separadas...
    Apesar disso ambos temos acesso á conta do outro, e quando é para pagar as contas é indiferente, porque o dinheiro é dos dois...
    A questão das contas separadas tem apenas a ver com o facto de, quando casamos, ambos já termos casa própria, sobre a qual pendia um emprestimo e nos obrigava a outras coisas, nomeadamente o emprestimo da minha casa de solteiro está num banco e tenho que ter o ordenado e algumas despesas domiciliadas lá, e o emprestimo da nossa casa está noutro banco, que também os exige um ordenado (neste caso está o dela) e algumas despesas domiciliadas. Para além destes 2 ainda temos um terceiro banco onde está o crédito da casa de solteira dela, e que felizmente não exige domiciliação de ordenado nem de despesas...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Lá está, este é um dos casos em que faz sentido que as contas sejam separadas. Quando escrevi o post não era com o objetivo de criticar quem tem contas separadas, obviamente, mas apenas dar a minha opinião em relação a este assunto porque, confesso, é estranho para mim que haja quem queira ter contas separadas por motivos de desconfiança, por exemplo. Assumi que há casos em que faz sentido que as contas sejam separadas e este é um dos casos práticos :)

      Excluir
  2. Olha no meu caso namoro há 8 anos, vivo junto há 3 anos e já tenho conta conjunta com ele há 5 anos. Foi uma opção nossa! Quando íamos jantar fora, saídas, viagens, optamos por ter a conta em conjunto. Começamos a pôr de vez em quando valores iguais na conta e agora que trabalhamos e temos casa todos os meses fazemos uma transferência para essa conta das nossas pessoais, e usamos para tudo o que diz respeito aos gastos de casa, carros e para tudo o que fazemos em comum.
    No que diz respeito a roupa, acessórios, telemóveis, e esse género de coisas cada um compra com o "seu" dinheiro.
    Foi a nossa opção, e estamos perfeitamente adaptados a ela, mas conheço bastante casais que preferem manter as contas separadas e vão pagando "á vez" as despesas. Isso para mim não funciona!!!
    https://jusajublog.blogspot.pt/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Conheço pessoas que também criaram contas conjuntas antes de viverem juntas/casar, não por esse lado prático de terem ali uma conta para as despesas de saídas, viagens, etc, mas porque queriam casar no futuro e essa era a forma de ir juntando dinheiro para esse objetivo :) É uma excelente ideia.

      Excluir
  3. Nós temos uma conta conjunta, onde cada um deposita dinheiro para as despesas que são conjuntas. Mas cada um mantém a sua conta, onde cai o seu salário e para fazer às compras que quer sem haver chatices. Por exemplo, eu adoro comprar roupa, maquilhagem, malas. Assim compro sem ter de dar satisfações. Já ele pagou uma fortuna por uma televisão, com a qual eu nunca teria concordado =p

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É exatamente o que penso e que fazemos cá em casa =).

      Excluir
  4. Ainda tenho de passar por muitos anos até que um dia me case, se o fizer claro, mas penso nisso e para não haver chatices seria melhor que cada um tivesse a sua conta e pagaríamos as coisas a meias claro, mas assim cada um podia fazer com o resto do seu dinheiro o que quisesse.

    https://norwegian-heart-portuguese-blood.blogspot.pt/

    ResponderExcluir
  5. Concordo contigo! As coisas devem ser faladas e esclarecidas, para que não existam mal-entendidos. Enquanto namorados, compreendo perfeitamente essa separação de contas, mas a partir do momento em que passam a partilhar casa, ou se casam, acho que essa divisão não faz muito sentido.

    ResponderExcluir
  6. Eu e o senhor meu namorado temos uma conta conjunta para a qual transferimos, todos os meses, dinheiro suficiente para cobrir as despesas comuns (inclusive as relacionadas com lazer). Mas cada um mantém a sua conta pessoal para as suas despesas próprias. E funciona na perfeição assim (ainda por cima ganhamos o mesmo, o que tb ajuda).
    Para mim é inconcebível que ele ande a pagar despesas como a roupa que eu muitas vezes não preciso e compro (para mim), por exemplo, ou qualquer outra despesa fútil (ou não fútil) que me apeteça ter. Ou ter que comunicar-lhe que comprei seja o que for, porque o dinheiro tb é dele (e ia sentir-me obrigada a isso). Ou vice-versa, mas claramente no nosso caso ficaria ele a perder se não houvesse divisão nenhuma porque eu tenho mais despesas "extra-casal" do que ele.
    Pode ser uma visão pouco romântica, admito que sim, mas para mim não dá de outra forma. E, lucky me, o homem concorda comigo a 200% neste assunto =).

    ResponderExcluir
  7. Por cá também temos duas contas. Uma para os gastos de casa, lazer, saídas, jantares, etc e depois a de cada um, onde cada um gere como quer, e compra as suas coisas pessoais. Corre mesmo muito bem e nunca temos discussões sobre dinheiro ou sobre "gastaste aqui ou ali" :)

    ResponderExcluir
  8. Contas separdas , mas acaba por ser como se fosse em conjunto .. o que ganha mais fica com as despesas mais " chatas" : renda da casa, gás , água , electricidade , condomínio . Eu que ganho menos pago o supermercado . Digamos que sou a gestora da casa. Jantares , férias , saídas sai do bolso de ambos .. já pensamos em ter conta em conjunto para as poupanças .. mas na realidade não se poupa grande coisa quando o ordenado é para pagar despesas , comer e pouco mais . O mais importante é a confiança mútua .

    ResponderExcluir
  9. Apesar de ser solteira, acho que a melhor opção é uma conta conjunta para as despesas conjuntas e depois cada um ter a sua conta para as suas coisas, mas tal como dizes essas coisas têm de ser combinadas em conjunto e cada casal encontra a melhor opção para eles :)

    Beijinhos da Mó :D
    O blog da Mó | Instagram

    ResponderExcluir
  10. Nós temos duas contas mas por um motivo que não aparece no texto. Em solteira fiz um seguro da Medis através do meu banco, com certos privilegios por estar associada às contas dos meus pais. Quando começámos à procura de casa fizemos o crédito habitação num banco diferente. Se eu acabasse com a minha conta iria acabar também com o meu seguro, algo que eu não quero. Da conta dele sai a renda, os seguros de vida/habitação e tudo o ar a o carro. Da minha sai o resto das contas (luz, água, condomínio...). Compras grandes só fazemos depois de falarmos um com o outro e quando fazemos compras mercearia vemos qual é a conta que está mais à vontade para pagarmos. Gerimos o dinheiro na totalidade mas com dois cartões diferentes!

    ResponderExcluir
  11. No meu caso, temos 2 contas para as nossas coisas, mas mais recentemente abrimos uma para juntarmos dinheiro :)

    ResponderExcluir
  12. Mas o que é que alguém tem a ver com a forma como um casal organiza as suas economias?
    Por terem contas separadas significa que há menos amor ou menos confiança?
    Tantos preconceitos e tanta confusão neste texto.
    Necessitas tanto de abrir horizontes.

    ResponderExcluir
  13. Por cá, só eu tenho uma conta só minha, simplesmente porque a abri quando comecei a trabalhar. Ele tinha uma dele e precisou de fechar. Entretanto, abrimos uma conta conjunta. Mas, a partir do momento em que nos juntámos, todo o dinheiro que entra em casa é de ambos. Seja ele ou eu a receber. Qualquer dinheiro que entra serve para pagar contas. Mas não só. Se for o meu ordenado, ele tem toda a autorização para comprar uns ténis para ele, bem como eu tenho autorização para comprar uma blusa com o dinheiro dele. Porque não há qualquer espécie de divisão. Nem me faz sentido. Mas conheço um casal que divide tudo ao pormenor. Inclusive, em aniversário do filho e natal, cada um vai comprar separadamente uma prenda para o pequeno. Cada um fará o que resulta melhor para si :)

    ResponderExcluir
  14. Bem, ainda não estou nesta fase de vida, mas já penso nisto. Acho que isto é uma questão muito pessoal... E também própria de gerações, como falaste. O que fazia sentido nos casais de há 40 anos pode não fazer nos de agora. Eu sou filha de pais divorciados e, talvez por isso, encare as coisas duma maneira mais fria e calculista. Isto também me faz pensar: se a minha mãe se tivesse voltado a casar com um homem sem filhos, porque é que ele haveria de ter de contribuir para as minhas despesas? Uma coisa é fazê-lo por gosto, outra é por obrigação - esta pessoa hipotética não teria nenhuma obrigação em relação a mim. Mas claro que as coisas não são pretas e brancas, são cinzentas... As despesas da minha alimentação poderiam ser divididas pelos dois e, se eu precisasse de ir ao médico, de roupa ou medicamentos, poderia ser apenas encargo da minha mãe (e do meu pai, porque claro que o meu pai não perderia a obrigação dele).
    Enfim, estou a afastar-me do que queria dizer. Acho que faz sentido ter-se uma conta conjunta, sim senhor, mas também contas separadas. Isto não significa que o dinheiro da conta separada seja meu e só meu e o outro não tenha nada a ver com isso. Se o casal tem uma vida em comum, a parte económica é bastante importante e deve ser falada, mesmo que individual. Até porque, imaginando que precisamos de uma máquina de lavar nova, e eu decido gastar 500€ num telemóvel "só porque posso e o dinheiro é meu" também não é muito saudável. Como tu dizes, eu também confio no meu namorado e não acho que ele me queira "roubar" (ou o que for), mas às vezes só conhecemos verdadeiramente as pessoas em momentos mais chatos e arrependemo-nos de não nos termos precavido. Lá está... Se calhar o facto de eu ser filha de pais divorciados (e de ter visto outros muito piores) não ajuda a querer partilhar e dividir tudo.
    Seja que decisão for, acho que o mais importante é tudo ser falado e esclarecido. As despesas não podem ser um fardo só para um, mas claro que em momentos de aflição, a pessoa que pode "mais" deve garantir as coisas, por um futuro melhor dos dois.

    ResponderExcluir