quarta-feira, 5 de julho de 2017

Ver maldade onde ela não existe

Hoje discutia-se que a pessoa x tinha namorado mas foi vista numa pastelaria com outro rapaz e estavam com muitas intimidades. Pensamento de toda a gente: anda a meter os palitos ao namorado, aquilo era intimidade a mais (mas não estavam aos beijos nem agarrados nem nada assim mais flagrante que só pudesse ser conotado como sendo expressão típica de alguém numa relação). O meu pensamento: mas então não podem ser só amigos? Ah e tal que aquelas intimidades todas não seria só de amizade.

Eu não sei como são as relações das outras pessoas com os seus namorados e amigos, mas para mim seria completamente normal ir tomar café com um amigo sozinha, sem namorado. E depois a questão da intimidade... Só sou amiga de pessoas com quem me possa relacionar intimamente. Com todas as pessoas a quem verdadeiramente considero e chamo de amigo, tenho uma relação de muita proximidade e intimidade. Não tenho qualquer problema em demonstrar a minha amizade de forma física, embora seja diferente da demonstração de amor com o meu namorado. Não beijo os meus amigos na boca, mas dou beijinhos na cara, abraço, há sempre algum toque, proximidade física. Aliás, a forma de relacionamento com a maioria dos meus amigos é toda na base do respeito, mas há sempre innuendos, puns e brincadeiras que tais que faço (e me fazem) na frente de quem quer que seja, namorado e namoradas deles incluídos. O meu namorado faz o mesmo. Acredito que ajude a isso o facto de sermos um grupo pequeno e de todos termos relacionamentos estáveis e conhecermos (e sermos mesmo amigos) dos namorados e namoradas uns dos outros. Até agora nunca ninguém teve problemas com isso. Brincamos imensas vezes uns com os outros sobre essas coisas, passamos a vida a dizer asneiras e nunca ninguém passa dos limites razoáveis ou se sente ofendido/com ciúmes. Claro que não ando aí empoleirada no pescoço dos meus amigos a toda a hora, mas percebo que, para pessoas de fora, a relação que tenho com os meus amigos pode ser vista como "com muitas intimidades".
Não sei ser de outra forma. Sou uma pessoa de afetos e preciso de demonstrar o meu amor, também, com expressões físicas. Sou assim e acredito que nunca ninguém se sentiu ofendido ou invadido com isso. Da mesma forma que agarraria qualquer amiga sem nenhum problema e a abraçaria ou beijaria ou o que quer que seja, faço o mesmo com os meus amigos homens porque não tenho qualquer intenção extra que não a que teria com amigas. 

É aqui que reside o problema: parece que homens e mulheres não se podem relacionar sem que haja interesse sexual. As pessoas ainda ficam de pé atrás, ainda acham tudo muito mal, muito desrespeitoso... tudo menos com as melhores intenções. 
Da vida dos outros não posso falar, mas falo por mim: a partir do momento em que estou numa relação com alguém, todos os outros, por muito lindos e fantásticos que possam ser e que eu possa identificar todas essas características, não me dizem nada. Não sinto desejo sexual ou interesse romântico por alguém que não a pessoa com quem estou. Os meus amigos, apesar de conseguir identificar neles muitas características compatíveis comigo (afinal de contas somos amigos), são apenas e só amigos, sem segundas intenções e sempre, mas sempre, na base do respeito mútuo pelas pessoas em si, pela pessoa com quem estou e pelas pessoas com quem eles estiverem na altura. 

Se calhar também já fui a rapariga na pastelaria que estava cheia de intimidades com um gajo que nem era namorado dela. Por exemplo, com o meu bff, que morava a 3min de distância de mim, que conheço desde os 5 anos e com quem era frequente passar tardes em casa um do outro sozinhos, sair os dois, etc. Agora ele está longe em trabalho, mas quando nos vemos temos sempre aquele à vontade igual, quase como irmãos. Se calhar já passamos por namorados para algumas pessoas. A mim não me importa nada o que os outros pensam de mim porque a minha consciência nestas coisas está mais do que limpa e eu mais do que segura da minha relação amorosa e de todas as minhas relações de amizade. A maldade está nos outros, que procuram motivos para falar, sem sequer pensar que aquelas pessoas podem ser só boas e velhas amigas. Como se fosse impossível homens e mulheres relacionarem-se sem segundas intenções...

4 comentários:

  1. Infelizmente a mente das pessoas é assim, ver maldade onde ela não existe

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  2. também já fui essa rapariga... e sem ser por mal, é mesmo a minha maneira de ser. E o facto de tratar toda a gente de quem gosto com carinho não quer dizer mais nem menos.
    É só isso: gosto das pessoas e quero que se sintam amadas por mim... é triste ver que em tantos aspectos ainda somos tão vmesquinhos =(

    Um beijinho dourado,

    Catarina

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  3. Eu sou essa rapariga quase diariamente, tenho amigos rapazes, e sei que no passado houve quem comentasse que acompanhava com este e com aquele porque estava interessada... Enfim. ( o que mais me faz rir é que alguns desses meus amigos são gays xD). É um preconceito. É coisa de mentalidadezinha pequenina. E para piorar, são as raparigas que são umas galdérias por andarem com s rapazes! Hahaha

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  4. As pessoas são tão nojentinhas e mesquinhas! Cada vez me cansam mais... É o tipo de mentalidade que me faz ferver!

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