quinta-feira, 1 de junho de 2017

Odiozinho de estimação

Sempre detestei ter que dar contas do que faço ou deixo de fazer, seja a quem for. Não tenho problemas nenhuns em dizer o que faço, com quem saio, etc, mas é por minha vontade e não porque me perguntam ou exigem que eu diga. Nunca corre bem porque nunca digo, na minha atitude de gaja orgulhosa e independente. Detesto sentir que me estão a controlar, que têm que saber tudo da minha vida. Eu não tenho segredos nem problemas nenhuns em partilhar as minhas coisas, o meu dia a dia, o que fiz, com quem estive etc e tal, por isso não aceito que sequer me venham com essas questões em modo justificativo.  

Um exemplo deste controlo que detesto é que a minha mãe tivesse a mania de abrir a minha correspondência. Estamos a falar de coisas normais, cartas do banco (quando as recebia), cartas com cupões do continente, essas coisas. Nem sequer sou do tempo de mandar cartas pessoais aos amigos ou namorados, por isso nem estamos a falar de coisas muito íntimas ou privadas. Ainda assim, detesto que ela faça isso. Ou fizesse, que um dia passei-lhe um corridinho e foi remédio santo. Eu não abro as cartas dela nem do meu pai, por que razão haveria ela de abrir as minhas? Não é, lá está, pelo secretismo do que possa lá estar dentro, já que são coisas normalíssimas e sem importância até. É a atitude. Se diz lá o meu nome (e mais ninguém se chama assim cá em casa), então sou eu que tenho que abrir. É muito feio mexer nas coisas dos outros.

Outra coisa que detesto é que ela venha logo a correr ver as coisas que compro, mexer nos sacos... Um dia também me passei com isso, que não tem nada que mexer nas coisas que não são dela. Agora morre de curiosidade, mas nem pergunta. Dá a entender que quer ver, mas não mexe nem fala abertamente. Eu sou a primeira a chegar a casa e dizer "Olha o que eu comprei! Anda ver", mas não suporto que tenham a ousadia de pegar nas minhas coisas e começar a ver o que tenho ou deixo de ter sem ser eu a dar autorização. Mais uma vez, é pela atitude em si. Eu também gosto de ver as coisas que ela compra, quando chega a casa com sacos, mas não mexo nem espreito até ela querer mostrar. Se não quiser mostrar, também não vou pedir nem perguntar. É porque não tenho nada a ver com isso. 

São exemplos de coisas simples, mesquinhices até, mas não gosto. Eu não mexo em nada que não seja meu, não pego em nada, não pergunto, não chateio. Se as pessoas quiserem dizer, dizem. Se querem mostrar, mostram. É uma atitude muito feia esta de querer saber tudo. Nem tem a ver com controlo, na maioria das vezes, mas sim com curiosidade, mas é essa a imagem que passa. Parece que querem saber mais da minha vida do que eu e isso eu não consigo tolerar.

4 comentários:

  1. Também sou assim, gosto de dizer as coisas por minha vontade, e quando me perguntam, é quando não digo nada mesmo.
    Já com os meus pais, sempre tive sorte nesse aspecto. Nunca me abriram cartas nem vasculharam as minhas coisas. E nem entravam no meu quarto, só se precisassem de dar algum recado. Acho que também é por causa disto que ao contrário de amigos meus, não tive pressa em sair de casa dos meus pais. Mas se fosse o contrário, tinha-me posto logo a milhas. É como relações controladoras, nem pintadas de ouro!
    Beijinhos

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  2. Também são coisas que me incomodam, mas as mães têm um pouco essa mania...

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  3. E a minha mãe que me abria a carteira e as malas? Passava-me e nunca consegui acabar com isso. Acho que hoje em dia já não o faz (espero!), mas na minha adolescência passei-me muito. Ela dava a desculpa que queria os talões de coisas e ajudar-me a limpar, mas para isso pedia, não é? Ganhei o hábito de pagar em dinheiro coisas que não queria que ela soubesse, o que ainda se prolongou durante muitos anos...

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