quinta-feira, 25 de maio de 2017

Fingir a morte


Há dias li um artigo sobre uma rapariga de 26 anos que, depois de ter discutido com o namorado e de já estar bastante bêbeda, foi para casa e enforcou-se. Supostamente, a ideia seria que o namorado a encontrasse antes, mas correu mal. Ou seja, ela queria que o namorado a visse assim para que ele se sentisse mal por terem discutido. Infelizmente, a história não acabou bem. Pais e amigos dizem que ambos tinham um excelente relacionamento, um futuro planeado e nada fazia prever um desfecho destes. Inclusivamente, todos afirmavam que ela era uma pessoa alegre, divertida, de bem com a vida, saudável e mentalmente estável.
Na minha opinião, os familiares podem achar tudo isso, mas nenhuma pessoa mentalmente sã e estável pensa "deixa-me fazer de conta que me vou enforcar, para o meu namorado chegar a casa e ver-me assim, sentir remorsos pela discussão e amar-me incondicionalmente". Uma pessoa que tenta manipular outra desta forma, na minha opinião, não é mentalmente saudável. 


Nunca consegui entender esta lógica de "vou fazer de conta que me mato/que morri para ver se ele não me deixa/volta para mim/me dá valor". Qual é a ideia? Querem que a outra pessoa fique na relação porque as ama ou sob ameaças, pelo medo que a outra acabe com a sua vida? E quando há encenação de morte, pensam que a outra pessoa nunca vai descobrir? Qual é mesmo a linha de pensamento aqui? 

Conheci bem de perto uma situação semelhante. Namoraram durante uns anos, ela era aparentemente adorável mas já se notava ali uns certos sinais de alarme que, na altura, considerei resultantes da educação, por ser muito mimada, talvez um pouco imatura. Acabaram a relação. Depois penso que reataram brevemente, mas acabaram mesmo por pôr um ponto final definitivo. Já tinha passado uns tempos desde o rompimento, penso que nunca mais houve contacto entre ambos, quando um dia ele recebe uma mensagem do número da mãe dela a dizer que ela se tinha suicidado e que o funeral seria no dia seguinte. Ele ficou mesmo mal, faltou ao trabalho e tudo, andou ali uns dias de rastos, até que se descobriu que era tudo farsa. O objetivo de tudo aquilo? Talvez fazê-lo sentir-se culpado, não sei. Sei que depois disso a vi uma ou duas vezes na rua, fez de conta que nem me viu e ainda bem, porque a minha vontade é de lhe dar dois murros nos olhos. Uma pessoa que brinca assim com os sentimentos dos outros não merece qualquer respeito da minha parte. Que coisa ridícula e tão sem noção. Não se brinca com assuntos sérios como estes. Que raio de pensamento mesquinho este, de propositadamente fazer sofrer as pessoas que as amam. Só pode mesmo ser atitude de alguém muito perturbado. Em vez de se meterem a fazer destas coisas, que procurem mas é alguém que as ajude, um amigo, um psicólogo... Não me venham é dizer que estas pessoas são mentalmente sãs porque é impossível que assim seja.

15 comentários:

  1. Aos níveis ridículos que as pessoas descem...Não entendo.

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  2. Isto é um comportamento demasiado egocêntrico, o que as pessoas ficaram paradas na adolescência. Ou como por exemplo, depois de anos de casamento, e de um dia para o outro dizer que já não se ama a outra pessoa. Faz-me confusão este tipo de comportamentos, e é como dizes, não são pessoas mentalmente saudáveis. Acho que podemos evitar este tipo de comportamentos se houver uma educação de base sólida. Num mundo em que as pessoas vivem de respostas imediatas, que não sabem esperar, que não partilham amor e amizade de forma verdadeira com os outros, não me espanta este tipo de atitudes. Há um longo trabalho a fazer com pais, crianças e adolescentes. Porém esquecemo-nos sempre de apostar na promoção de atitudes e comportamentos saudáveis... Mais tarde pagamos a fatura! :(

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  3. Como é que há pessoas assim? Não percebo. Nem percebo essa coisa de "morrer por amor". É ridículo.
    TheNotSoGirlyGirl // Instagram // Facebook

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    1. A questão aqui nem é bem, parece-me, essa coisa de "morrer por amor". É uma forma de manipulação, de chamar a atenção, porque estamos a falar de pessoas que fingem que vão matar-se mas nem sequer há a tentativa, não é esse o desejo final, apenas querem fazer os outros pensar que o fizeram.

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  4. Peço desculpa pela observação, mas a m* não tem formação em psicologia? Ou estou a confundir?

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    1. Tenho sim. Por isso mesmo é que acredito que uma pessoa que apresenta este tipo de comportamento não está, pelo menos naquele momento, mentalmente sã e estável.

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    2. M* por acreditar que as pessoas não estão mentalmente sas é que não se devem fazer o gênero se comentários que fez.
      Não são bonitos nem são de uma pessoa que até tem formação na área é que mais do que ninguém não deveria fazer estes julgamentos.
      E infelizmente tenho notado cada vez mais uma agressividade sua para com os outros, os comportamentos dos outros e a vida dos outros.

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    3. Antes de ter uma formação em psicologia, sou uma pessoa normal, com opiniões. Uma coisa sou eu enquanto pessoa e outra sou eu enquanto profissional (e nem sequer estou a trabalhar na área da psicologia).

      Analisando o meu post, verá que parte muito mais da minha incompreensão perante uma atitude destas (embora perceba, do ponto de vista psicológico, de onde ela vem) do que do julgamento de quem as tem. No caso específico que relatei, estava a falar de alguém que me é muito próximo e, naturalmente, foi uma situação que mexeu com pessoas de quem gosto muito. Não estava a falar na qualidade de pessoa com formação em psicologia, mas sim na qualidade de familiar. Nós não somos seres indissociáveis das nossas características profissionais, de facto, mas há momentos e situações em que o lado pessoal prevalece sobre o lado profissional ou formativo. Enquanto psicóloga, nunca faria observações destas aos meus clientes. Enquanto familiar e amiga, tenho os meus momentos de "que se lixe o politicamente correto e o que nos ensinam nos cursos, apetece-me bater nesta pessoa!". Porque magoou alguém de quem gosto muito.

      Repare, as observações que faço no meu blog pessoal em nada influenciam a minha capacidade de lidar de forma correta com as pessoas ou de exercer de forma ética o meu trabalho (se estivesse a trabalhar como psicóloga). Bem sei que a imagem que passo de mim mesma em muitos posts é de uma pessoa que critica, que tem muitas opiniões, que reclama, que se queixa. Este é um espaço para dizer o que quero e penso, sem filtros. Não sou, de modo nenhum, uma pessoa agressiva com os outros nem me relaciono de forma pouco saudável com ninguém. O que eu me esqueço é que quem me lê não me conhece. Que não estou no seio de amigos, onde posso dizer estas coisas mais azedas sobre terceiros, como brincadeiras ou como opiniões mais sérias, e onde me entendem na mesma e percebem que não é por isso que sou uma má pessoa, ou agressiva. Talvez deva ter mais cuidado na expressão de certas opiniões, concordo em absoluto. Até porque quem me lê só sabe de mim aquilo que dou a conhecer e, de facto, posso ter opiniões bastante ásperas sobre alguns temas e não saber expressar da melhor maneira. Ou ser incompreendida no sentido que queria transmitir.

      Compreendo perfeitamente o teu comentário, Catarina. Obrigada por partilhares a tua opinião e espero que tenhas entendido também o meu lado. Espero não ter ferido susceptibilidades (tuas e de quem mais me lê) pois de facto a ideia não era julgar, mas sim expressar a minha incapacidade de incompreensão por estas atitudes quando têm o único objetivo de manipular e magoar os outros. Nem sequer estava a falar de casos graves em que existe, claramente, uma necessidade real de pôr fim à vida! Estava a falar destes engodos, nada mais. A saúde mental é um assunto muito sério que eu, pela minha formação, reconheço melhor do que a maioria das pessoas que me lêem.

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  5. Eu acho que não devemos falar quando não sabemos o que se passa ou passou. As pessoas por desespero fazem coisas muito parvas, não sei :\
    THE PINK ELEPHANT SHOE // GANHA UM MEGA CABAZ DE VERÃO

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    1. Não devemos julgar, mas podemos ter uma opinião formada sobre os dados que se nos apresentam. Não acredito que "mentalmente sã e estável" seja um atributo de alguém que apresente um comportamento destes, pelo menos não será naquele momento.

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  6. Muito mau...muito mau mesmo!
    Essas pessoas são fortemente perturbadas, precisam de ajuda.

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  7. Opa realmente há com cada uma...Eu acho que uma pessoa devia ser presa por fazer uma coisa dessas!!!

    Beijinho*

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  8. Uma pessoa mentalmente sã não faz isso, e muito menos brinca com algo tão sério como a morte, também conheço um caso idêntico. É incrível como as pessoas conseguem fazer tudo e mais alguma coisa perante o desespero.
    Kiss*

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  9. Concordo que uma pessoa mentalmente sã não tem essas atitudes. Nesses casos, em que são chamadas de atenção com o único intuito de manipular... é simplesmente cruel. Não reconheço nenhuma razão válida para alguém fazer isso.

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  10. Estas coisas são totalmente doentes. E claramente não têm nem amor próprio, nem pela outra pessoa... Porque, por si próprias, não se submeteriam a uma coisa destas. Pela outra pessoa, não a quereriam fazer sofrer dessa maneira. É apenas um sentimento doentio, na minha opinião...

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