quinta-feira, 18 de maio de 2017

Desigualdades

Estava na cabeleireira e já estava a ferver só de ouvir aquela conversa. Uma senhora falava com outra sobre o filho. Pelo que entendi, o filho foi estudar para Lisboa e acabou por ficar lá a viver depois de terminados os estudos. Portanto, estamos a falar de alguém que tem 20 e muitos anos já. A senhora lamentava-se muito, que coitadinho do filho lá sozinho, mas tudo o que ela dizia só fazia notar que ele tinha uma vida normal, com um trabalho que gosta, amigos, vida social ativa... Não é como se vivesse para lá sozinho e isolado de tudo. Mas coitadinho, tinha que fazer as tarefas domésticas sem ajuda, tinha que cozinhar para si mesmo, tratar das roupas. Chegou ao ponto de dizer "Às vezes ele ligava-me para me perguntar como é que se fazia determinada comida e eu até ficava sem forças para lhe dizer, coitadinho!". Oh pá, ou eu sou muito fria ou então as pessoas são demasiado coninhas. Ficar sem forças porque o filho lhe liga a perguntar como se faz comida?? Oi? Enfim. E lá continuou ela a enumerar uma lista de coisas que o filho tinha que fazer sozinho, coitadinho, onde já se viu ser independente e tratar das coisas que são para ele...

Durante toda esta conversa só me apetecia dizer "Se tivesse uma filha em vez de um filho, também ia ter essa peninha toda dela, por ter que se desenrascar sozinha e fazer essas coisas todas?". Tenho para mim que a resposta seria não. Porque numa mulher é normal, as mulheres têm que saber cuidar delas e da casa, serem independentes, boas empregadas domésticas de si mesmas e dos outros. Ninguém diz "Coitadinha da minha filha que tem que cozinhar para ela e tratar da própria roupa". Pelo contrário, os comentários são sempre "Faz-lhe muito bem, que é para ver o que custa a vida! Não pode ter sempre a mãe a tratar de tudo.". É ou não é? Em vez de ficar contente por ter um filho independente e que se faz à vida sem precisar de ninguém que o ampare nas tarefas mais básicas, fica muito desolada por ele ter que fazer o trabalho que, claramente, pensa ser da mãe e depois da mulher que o aturar. Estas coisas deixa-me fora de mim!

11 comentários:

  1. Pode ser que eu me engane, mas acho que só mesmo a Mãezinha é que estava preocupada com o tema...

    Pelo menos a avaliar pela minha experiencia, é verdade que às vezes ligava à minha mãe a perguntar como se faziam alguns pratos, ou como havia de lavar determinada peça de roupa (Claro que eu na altura tinha 18 anos, mas pronto), mas nunca me senti mal, inferior, sozinho ou o que quer que fosse por esse motivo...

    Antes pelo contrário, sair de casa dos Pais foi o primeiro passo para a minha independencia, para começar a trabalhar enquanto estudava, e confesso que isso me fez muito feliz...

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  2. Aaaaiii esses discursos irritam-me tanto! A minha sogra é igual, passo-me! Também tem muita peninha do filho, que reparte as tarefas comigo. Já ele acha normal (e ainda bem, senão estávamos mal!). Enfim =p

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  3. Olha que não sei se é bem assim. Eu fui morar sozinha com vinte anos e a minha mãe ainda me achava uma coitadinha. Porque estava sozinha e ninguém me ajudava xD Acho que isso passa de pai para pai, não de sexo para sexo.

    THE PINK ELEPHANT SHOE // INSTAGRAM

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  4. Identifico-me TANTO com o que disseste... ainda há pouco os meus pais tiveram cá na nossa casa no UK e a questão dos meus tios que estão cá a viver foi: "então e o Puto (o meu irmão) ficou sozinho na Bila? Como é que ele almoça e janta?"
    Minha resposta imediata: Pelo o que sei o Puto não é nenhum aleijadinho
    Não tenho mesmo paciência nenhuma para isso...

    Beijinhos,
    O meu reino da noite ~ facebook ~ bloglovin'

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  5. No teu lugar, eu não teria sido capaz de ficar calada. Abomino essas mães dos filhos coitadinhos.



    Ms. Telita | Telita LifeStyleFacebookinstagramTwitter


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  6. Este tipo de diferenciação entre homens e mulheres não vai acabar tão cedo. Continuamos com os dogmas que os homens não podem ter algumas tarefas porque os torna menores de alguma forma. Não há pachorra!

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  7. Que triste essa senhora .. enfim !

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  8. Oh. Meu. Deus. Coitadinho, de facto... Coitadinha é dela. Eu estou "sozinha" há quase 6 anos e, se é muito bom ter a ajuda da mãe quando estou com ela, quando não estou ela até fica contente quando eu lhe telefono a perguntar "olha, como é que eu faço o prato X?". Como se isto fosse uma anormalice xD Aliás, lembro-me do primeiro fim-de-semana em que fiquei sozinha em Lisboa, algures em Outubro de 2011, e liguei-lhe quando estava no supermercado, completamente perdida da vida, a perguntar que detergente comprar. Ela riu-se na minha cara, mas ajudou-me, claro. Essa senhora desligava o telefone e ia a correr para Lisboa para lavar a roupa ao filho!

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  9. Odeio ir à cabeleireira. Há sempre conversas de merda. Essa de ficar sem forças, realmente... Penso exactamente como tu. É que não há pachorra. Detesto esse tipo de conversas e se as tiverem directamente comigo, lamento, mas têm que ouvir a minha opinião mais sincera. Também ficaria a ferver!!

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  10. Uma vez que estudo num curso, maioritariamente, masculino posso-te dizer que (pelo menos, pelo que observo) as mães já não são assim tão coninhas e ainda bem. Maior parte deles foi ensinado a fazer as tarefas mais básicas e quando chegou à universidade já as sabiam fazer e sem ter de estar sempre a ligar à mãe.

    Mas são este tipo de coisas que me fazem ir à cabeleireira duas vezes ao ano. Não há pachorra para algumas conversas que por lá se ouve.

    Sara
    http://keep-choosing-joy.blogspot.pt/

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