segunda-feira, 6 de março de 2017

Há pessoas que conseguem dizer as maiores barbaridades nos piores momentos. Já me ofendi, já me indignei, já me apeteceu partir para a violência. Depois aprendi que há pessoas que não sabem o que dizem e que falam para não estar caladas. 

Estava na cabeleireira, com tinta no cabelo, quando soube a notícia de ontem. Incrédula, fiquei ainda pior por saber que não podia fazer nada, não podia sair dali, porque estava naquela figura. Tive que esperar que me lavassem o cabelo para poder ir para casa. Apesar do meu estado lastimável, houve uma pessoa que proferiu a seguinte frase: "Deixa lá, ao menos estás bonita para o funeral!". No mesmo dia, no velório, na presença da família e da pessoa falecida, pergunta-me uma tia (que por acaso me vê todos os dias e nunca me pergunta nada) se já arranjei emprego e se tenho concorrido para coisas na minha área. 

Lá está, a vida continua e é preciso ter conversas que vão além da saudade, do choro, da dor, mas há claramente locais e momentos para o fazer. Na capela mortuária, enquanto a família chora a perda de alguém, não é um desses locais ou momentos. E é isso que me chateia muito nestas situações. As pessoas encontram-se, vê-se gente que não vemos noutras ocasiões, há perguntas e conversas para pôr em dia, mas parece que se perde o respeito pela dor dos outros, pela vida que acaba. Não sei como é noutros lados, acredito que seja igual em qualquer parte, mas aqui há o costume de se juntarem imensas pessoas à porta da capela a conversar. E embora essas conversas comecem sempre por causa da morte, acabam sempre em futebol, em mexericos, muitas vezes em voz alta. Acho lastimável! Se querem conversar, que vão para um café! Por muita paciência e entendimento pela expressão dos outros que eu possa ter, por muito que me tente colocar no lugar do outro e perceber que há formas diferentes de fazer o luto e de lidar com a morte, às vezes tenho mesmo dificuldade em entender certas atitudes de algumas pessoas. E penso, que Deus me dê paciência e força para me focar noutras coisas realmente importantes, para entender que há mesmo quem fale para não estar calado e não o faça por maldade. Só assim consigo abstrair-me destas coisas.

22 comentários:

  1. Força, querida M. Melhores dias virão, com certeza! É sempre muito difícil ultrapassar uma perda, mas o tempo ajuda e muito. Quanto a essas pessoas... é tentar ignorar, sorrir e acenar. Um grande beijinho :*

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  2. Força !
    Infelizmente também tenho alguns desses cromos na família :x

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    1. Há sempre, em todas as famílias, uma pessoa assim.
      Obrigada. Beijinhos

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  3. Há pessoas inconvenientes, de facto!
    Acredito que, muitas vezes, essas conversas acabem por surgir não por desrespeito, mas para tentar desanuviar do ambiente pesado que, inevitavelmente, se instala. No entanto, concordo contigo quando referes que há locais e momentos para isso. Bem sei que todos nós temos maneiras distintas de reagir perante a mesma situação, mas não podemos pensar só em nós. Se querem conversar, pelo menos tenham o cuidado de irem para outro sítio.

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  4. Opa, a do cabeleireiro então... Matou-me -.- que falta de tudo. Mas, como dizes, as pessoas às vezes dizem porcaria para não estarem caladas :/ Espero que estejas mais calma... A morte é uma coisa tão certa, mas que magoa tanto. Sempre, seja em que idade for, é sempre difícil de aceitar. Restam os bons momentos passados em vida :') Muita força, minha querida.

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    1. Obrigada pela força, i. Já estou mais bem disposta. A vida segue.
      Beijinhos

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  5. Não dês importância a essas coisas, são apenas conversas de circunstância de quem gosta de meter o bedelho na vida fos outros. E é verdade, as pessoas aproveitam os velórios para pôr a conversa em dia. Triste.....

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  6. No mês passado fui ao funeral de uma senhora que nunca conheci... fui só para acompanhar a minha mãe. O ambiente estava pesadíssimo, na casa mortuária... com imensa gente a chorar, em pranto, mesmo! Entretanto chega uma senhora que decide cumprimentar a que está sentada ao meu lado - até aí, tudo bem. No entanto, conversa puxa conversa, entretanto já estão em amena cavaqueira: "ah, a minha filha está na faculdade x", "ah, a minha está na y", "acaba o curso não sei quando", "tem muito boas notas". Esperei 5 minutos até que me passei, toquei-lhe no braço e disse "Vocês lembram-se de onde é que estão?". Contive-me durante aqueles 5 minutos porque achei que não estava no direito, porque nem conhecia a senhora, afinal de contas... mas esta falta de respeito indignou-me tanto que tive de falar! Infelizmente, situações assim, tal como as que relatas, são muito comuns... :(

    Um beijinho grande para ti e os meus sentimentos.

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    1. Obrigada.
      Realmente há pessoas que não têm mesmo noção e é preciso alguém avisar quão inconvenientes estão a ser.

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  7. "Estás tão magrinha" "estás mais gordinha" "então e o namorado?"... Já assisti e passei por algumas situações dessas, infelizmente não há respeito, nem nos pior momentos. Um beijinho grande e cheio de força para ti*

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    1. Acima de tudo, não há bom senso.
      Obrigada. Beijinhos

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  8. Sorri para essa gente e mentalmente manda-as à merda! Haja paciência...Como eu te percebo...

    Segue o meu blogue :) http://arefilona.blogs.sapo.pt/

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  9. Bah, em todas as famílias há pessoas assim. São pessoas NQS (Ninguém Quer Saber).

    Força, querida. Força! <3

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  10. Às vezes até são conversas bem intencionadas, para tentar distrair um bocado daquele momento tão triste... força, querida! Melhores dias virão!

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    1. Acredito que sim, mas, ainda assim, existem formas e locais mais adequados para o fazer.
      Obrigada

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  11. Minha querida, moro num sítio pequeno e infelizmente por aqui também é assim. As pessoas vão aos funerais mas estão mais preocupadas em falar da vida do defunto... a quem vai deixar a herança, se tinha a casa suja, se limpa.... só coisas horríveis. Há gentinha que não tem respeito por ninguém! Muita força e coragem! Beijinho

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    1. É verdade, tal e qual. Pessoas que vão à capela só para saber se tem muitas ou poucas flores, muitas ou poucas pessoas, quem foi, quem estava zangado com quem... Enfim.
      Obrigada

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  12. Há mesmo pessoas sem noção. Por aqui, terra pequena, é exatamente a mesma coisa. Por norma, não costumo cumprimentar as pessoas quando vou a um funeral. Primeiro, porque o odeio quando fazem comigo (das piores memórias que tenho do funeral do meu avô e de pessoas que não conhecia de lado nenhum a apertarem-me a cara); segundo, a dor das pessoas é tão grandes, e estão tão absorvidas nela que querem é um pouco de paz com os seus pensamentos e na forma como os partilham com aqueles que partiram.
    Essas conversas é do pior... Eu sou muito calada, e isso faz com as que as pessoas não perguntem muito. O pior, como não conseguem saber diretamente vão por outros meios -_- (perguntar aos meus pais, por exemplo).

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    1. Tens toda a razão! Eu naqueles dois dias só pensava na filha dele, que é uma pessoa que detesta estas coisas, estas hipocrisias, que não se dá com quase ninguém cá da terra, e toda a gente a apertar-lhe a cara, a dar beijos, a dizer palavras ocas... Já não bastava o sofrimento, ainda é preciso fazer o frete. Mas é mesmo assim, nestas coisas.

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  13. Great post dear

    Have a nice day! :)

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