quarta-feira, 29 de março de 2017

A importância de ter poupanças

Eu sei que não estamos propriamente nos tempos em que toda a gente tem emprego e ganha muito bem. Aliás, infelizmente acho que nunca assim foi. Bem sei que os tempos estão difíceis e é muito complicado arranjar emprego, quanto mais poupar dinheiro, mas é algo extremamente necessário.
Não sei quanto a vocês, mas a mim sempre me foi incutida a ideia de poupar para eventualidades. Ter algum dinheiro de parte para casos de necessidade é algo que considero essencial para o meu bem-estar psicológico. Sei que nem toda a gente o consegue fazer, seja pelos motivos que for, mas também ainda há muita gente que nem sequer pensa nisso, principalmente pessoas mais jovens.

Quando comecei a trabalhar, comecei também a ter dinheiro para as coisas que queria e a gastar muitas vezes só porque sim. Toda a gente o faz, é natural. Sou jovem, não tenho filhos, não tenho casa nem carro nem despesas para pagar. Gastei algum dinheiro mal gasto, sim. Não me arrependo porque acredito que faz parte da idade e da fase da vida em que sentimos que, tendo o nosso dinheiro, merecemos usufruir dele. Ainda assim, sempre fui cautelosa. Mal pude, criei uma conta poupança para onde me retiram, mensalmente, uma quantia acordada com o banco. É dinheiro que nem chego a ver, tal como se fosse um pagamento qualquer. Nem me lembro disso, não penso que aquele dinheiro poderia estar a ser gasto em x ou y. Sempre tive objetivos definidos para a minha vida e ter um certo valor ao fim do ano é algo que me move. Gosto de estipular um valor para atingir até à data x e ir poupando para o conseguir. Infelizmente também nunca tive empregos que me permitissem tirar um valor elevado para essa conta à parte, mas sempre que sobrava ou vinha algum extra, eu própria pegava nesse dinheiro e juntava à poupança. Sou sovina, admito que adorava ver a conta crescer. 

O que é certo é que, também fruto da minha racionalidade e capacidade de distinguir o extremamente necessário das futilidades e inutilidades, consegui viver estes meses de desemprego sem tirar dinheiro da minha poupança e sem pedir nada a ninguém. Mais uma vez, tudo isto facilitado pelo facto de viver com os meus pais e, por isso, não ter despesas associadas a rendas, carros e comida. Este início do meu novo emprego é que está a ser a provação. Posso garantir que, se não fosse essa conta poupança, não sei como poderia arcar com as despesas que tenho vindo a ter que fazer face. Deslocações todos os dias, investimento em roupas para o trabalho e outros pormenores mas que foram necessários para estes dias de viagens, etc. E, ainda que a empresa pague despesas como alimentação e os hóteis, em muitas situações sou eu que tenho que andar com o meu dinheiro à frente, para já. Quando estive em Lisboa, por exemplo, tive que pagar o hotel porque houve um problema com a reserva feita pela empresa. Se não estivesse prevenida, nem sequer tinha como pagar o hotel. 
Estive imensos meses desempregada e é agora que tenho emprego que me vejo obrigada a mexer na conta poupança. Bem sei que, recebendo o meu salário e com o reembolso das despesas que são a empresa a suportar, pouco ou nada terei que voltar a lá depositar, mas ainda assim custa-me mexer ali. E pus-me a pensar que, se não fosse esta minha mania de pensar sempre para a frente, de ter planos e objetivos, de querer ter ali uma certa segurança, nunca teria podido fazer face a todas estas coisas, tal como sei que muitos jovens, na mesma situação, nem sequer teriam uma conta do género a que recorrer.

Eu não consigo viver na insegurança, na incerteza. O que eu puder controlar, eu quero controlar. Ter uma conta poupança, mesmo muito modesta como a minha ainda é, dá-me uma sensação de controlo e segurança que me permite uma certa estabilidade, principalmente emocional. Não me canso de dizer: façam poupanças! Tenham sempre o cuidado de retirar uma parte, por mais pequena que seja, do vosso salário para uma conta à parte, juntem moedas pretas, façam o desafio das 52 semanas, eu sei lá, mas estejam prevenidos. Nunca se sabe quando vamos ficar sem emprego, doentes, ter um acidente, uma despesa inesperada. Pessoas prevenidas valem sempre por duas!

18 comentários:

  1. Concordo a 100%, mas acho que tem mesmo muito a ver com a forma como fomos educadas. Além de que o "patamar de segurança" depende muito de pessoa para pessoa.. Eu posso achar que as possíveis eventualidades precisam de pelo menos X€ de parte e outra pessoa pode achar que é apenas metade. O problema é que esta sociedade é muito consumista e impulsiva. As pessoas querem as coisas aqui e agora, mesmo que passado 2 meses se cansem das mesmas. E, com esta febre de viver e ter tudo, esquecem-se que imprevistos acontecem.. Eu já gastei muito dinheiro em médicos e medicamentos na vida e, quando fico chateada porque gastei demasiado dinheiro em algo, a minha mãe diz "oh filha, deixa estar. Em médicos era pior. Vai-se arranjando..". E vai, vai-se arranjando, mas à conta de muitos sacrifícios. Atenção.. Eu não estou para aqui a dizer "pobrezinha de mim, que não tenho dinheiro", mas é muito fácil olhar e dizer "a i. comprou X ou fez Y porque pode". Posso, mas sempre me ensinaram que sem trabalho e esforço não se tem nada e que há coisas mais importantes do que malas e sapatos.

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    1. Não quer dizer que as pessoas não tenham os seus luxos, que não possam gastar dinheiro em roupas, viagens, tralhas, ou o que quer que as deixa feliz. Eu estou para aqui com esta conversa das poupanças mas mal vejo a hora de ter dinheiro para poder começar a comprar livros novamente! A questão não é privarmo-nos de tudo mas ser mais seletivo nos gastos e ter sempre algum de lado para as eventualidades da vida. Cada um gaste o seu dinheiro como quiser, mas depois que não se venham queixar que não têm dinheiro quando precisam!

      Este post surgiu em conversa com o meu bff, que ganha e gasta quase tudo. Não pensa no futuro. Não tem hábitos de poupança e já os pais dele são iguais. É, como dizes, uma questão de educação! Daí achar importante falar sobre estas questões, para alertar para a necessidade de ter um patamar de segurança, seja ele qual for, como dizes.

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  2. Tens razão, nunca sabemos o dia de amanhã...


    Isabel Sá
    Brilhos da Moda

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  3. Great post dear

    Have a nice day! :)

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  4. Gostei do post, concordo contigo, o dia de amanhã é incerto!

    Beijinhos,
    Inês
    http://www.indiglitz.pt

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  5. Concordo completamente contigo, desde pequena que quase todo o dinheiro que me davam eu metia na minha conta poupança e depois quando cheguei à universidade e vi uma oportunidade de ir em Erasmus foi esse dinheiro que me permitiu ir e fiquei super feliz por o ter. Agora desempregada tenho andado a poupar o máximo possivel para não ter de mexer nas poupanças e quando começar a trabalhar haverei de estabelecer um certo valor de dinheiro que irei colocar lá todos os meses, para quando voltar a estar desempregada (é algo que temos de estar sempre a contar) ter o meu dinheirinho para suportar os meus gastos.

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    1. Ainda por cima nos tempos que correm, é certo que uma vez ou outra acabaremos por ficar sem emprego. O problema é que podem ser meia dúzia de dias ou meses, como já foi o meu caso em ambas as situações. Ter dinheiro de lado para podermos suportar as nossas despesas até ter um novo emprego é essencial!

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  6. Eu sou exactamente assim, embora muita gente pense o contrário. Gosto de andar bem vestida, de viajar, etc etc etc, mas está muito enganado quem pensa que eu não junto dinheiro! Especialmente, estando fora e tendo o sonho de voltar para Portugal, não facilito!

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    1. Sofia, no teu caso em especial, penso mesmo que é fundamental ter uma conta poupança para guardar tudo o que conseguires, se pensas voltar a Portugal.

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  7. uooooooooooooooooow M, que post mais direcionado para mim haha. Adorei mesmo o seu ponto de vista e obrigada pelo incentivo.

    http://www.1001julietas.com/

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    1. Ainda bem que escrevi então, já ajudei alguém :) Boas poupanças!

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  8. É muito difícil poupar mas vale muito a pena e pode dar-nos imenso jeito em situações que não prevemos. Beijinhos*

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  9. Concordo perfeitamente contigo, apesar de ser extremamente difícil poupar. Numa casa onde temos de nos sustentar e aos nossos animais, mesmo com dois salários é difícil!

    THE PINK ELEPHANT SHOE // INSTAGRAM //

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  10. Hoje em dia é mesmo das coisas mais difíceis de conseguir.
    Eu que não estou em Portugal,mesmo assim se não aperto os cintinhos que tanto gosto, não consigo ir de férias, para ver a família e as pessoas que gosto.


    www.anafernandes.ch

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  11. Eu também sou mt poupadinha e tenho mealheiro e tudo😊😊

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  12. Pois, eu gostava muito de conseguir ter uma poupança, que gostava. Mas é-me impossível. Tem sido até aqui, espero ainda conseguir mudar isso. E não porque tenha grandes luxos, bem pelo contrário, mas porque os ordenados são uma merda.

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  13. Totalmente de acordo! Sou assim também. Faz-me muita confusão não ter nenhum dinheiro de parte, não estar prevenida para alguma eventualidade. Mas como já disseram, acho que é muito da educação de cada um... Os meus pais sempre me passaram esta ideia de que é importante poupar, mas quando os pais não têm essa preocupação, quando não é esse o seu modo de ser e de estar na vida, dificilmente os filhos conseguem ter a noção da importância das poupanças...

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  14. Concordo contigo. Também tenho uma conta poupança para onde é transferida uma parte do meu salário automaticamente assim que ele entra na conta. É a melhor opção. Mesmo quem tem salários mais baixos deveria fazer isso, nem que seja só com 10 ou 20 euros porque a verdade é que tanto se vive com mais 10 ou menos 10, e é muito fácil gastar esse mesmo dinheiro em algo completamente inútil e, assim, pelo menos, ficava de parte.

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