sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Ranting

Acho completamente surreal que alguém considere a minha situação atual uma cena fantástica e até tenham inveja. Algumas pessoas acham o máximo que eu tenha tanto tempo livre. Finalmente posso descansar, que já merecia depois destes anos de trabalho nas condições que tinha. Sim senhor, soube bem no primeiro mês, quando andava ainda a sofrer no corpo os males de tantos anos de trabalho sem descanso, não nego, mas agora? Agora é só deprimente! Mas as pessoas não percebem. Claro que quando é a vida dos outros é mais fácil ter paciência e dizer que tudo se vai compor e essas coisas bonitas que dizemos aos outros, mas quando somos nós a viver essas situações, fica mais difícil manter esse pensamento positivo. 

Obviamente preciso de trabalhar para ganhar dinheiro. Não sou rica nem tenho pais ricos. Mas a questão nem passa tanto por aí.  A questão não é só o dinheiro,  é a minha sanidade mental. Sinto-me uma inútil muitas vezes. Estou em casa diariamente a fazer o quê? A fazer as coisas de casa, sim, mas tenho tanto para dar! Vejo filmes, vejo séries, leio, escrevo no blog, namoro, vou ao ginásio... Parece que estou de férias e as pessoas acham fantástico e queriam igual, mas eu sinto-me uma espécie de parasita e tenho vergonha até de sair de casa a qualquer hora porque as pessoas vão ver que não estou a trabalhar. A verdadeira walk of shame é sair de casa e fazer o trajeto até casa do meu namorado a horas em que devia era estar a trabalhar, como qualquer outra pessoa. Tenho vergonha de estar em casa no sofá e ver chegar do trabalho o irmão dele, os pais, os meus pais, até o meu irmão. Sei lá. Parece que estou ali sem fazer nada porque quero. Porque depois esta coisa da procura de emprego hoje em dia passa muito por fazer pesquisa online, já ninguém anda de porta em porta a pedir emprego. Até porque aqui na zona nem há nada do que eu pretendo neste momento. Então parece só que passo a vida no computador, a namorar e a ler, já que ninguém vê as horas passadas em sites de emprego ou a enviar currículos. 

E pensar que alguém acha isto o estilo de vida perfeito, que devia aproveitar agora para descansar, que é uma boa oportunidade para fazer coisas que gosto e que, se soubessem, tinham tirado um tempo depois da faculdade antes de irem trabalhar parece-me só desfasado da realidade e desrespeitoso para quem quer fazer coisas e ainda não tem oportunidades. 

26 comentários:

  1. A seu tempo tudo se irá compor. Sei que é frase cliché mas eu também andei cinco meses desempregado e compreendo o que sentes neste momento. Uma pessoa gosta da "liberdade" durante o primeiro mês mas depois uma pessoa começa a dar em maluca por não ter nada que fazer. Andei muitos dias agarrado ao computador à procura de emprego, de uma oportunidade para começar a trabalhar e nada. À medida que o tempo passava, mais desanimado ficava.

    Força M. ;)

    Beijinhos,
    Ricardo
    www.opinguimsemasas.blogspot.pt

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada pelas tuas palavras :)
      beijinhos

      Excluir
  2. Compreendo perfeitamente a sua posição. Assim que terminei o curso, tive de fazer 2 anos de estágio para integrar a minha ordem profissional. Enquanto fazia esse estágio composto por parte teórica e prática, também estava a part time num escritório, mas sem ser remunerada. Assim que conclui o estágio, fiquei 2 meses em casa até arranjar emprego. O primeiro mês até soube bem, ainda por cima tinha regressado à casa dos meus pais, e ainda estava em versão férias, mas no segundo mês, já tinha a minha cabeça a mil, a pensar o que ia fazer com tanto tempo livre! E também me sentia mal sair à rua em horário laboral porque também sabia que me iam perguntar se não trabalhava.
    Por isso, espero sinceramente que encontre o que procura o mais rapidamente possível, para salvaguarda da sua saúde mental!

    https://jusajublog.blogspot.pt/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Os estágios são outra conversa que dava pano para mangas... Nem vale a pena.
      Obrigada pelo apoio. Beijinhos

      Excluir
  3. M, estou na mesma situação q tu, embora desde o fim do ano.
    Em relação ao q dizes de procura de emprego passar mais pelo online, não concordo. A minha experiência é que ainda prevalece mais o presencial, o ir ao sítio e preencher uma candidatura, o andar sempre a insistir nas empresas de trabalho temporário e aí sim, estar sempre a enviar candidaturas para o q eles estão a oferecer (aqui digo online porque a maior parte das empresas de trabalho temporário assim o prefere, não sei se por melhor seleção). Muitas vezes já me inscrevi pra coisas q nada tem a ver com a minha área, mas prefiro isso a estar em casa sem ganhar nada.
    Enfim, o que eu queria mesmo dizer é para preferires o presencial, o sair de casa e ir procurar, se não é aí na tua zona é na cidade ao lado se assim o compensar.

    Boa sorte!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oh sim, eu acredito que ir aos locais é uma mais valia, mas acaba por ser maior o trabalho feito online nos sites de emprego e mesmo das empresas. Não quero dizer que não procuro de outras formas, apenas é essa a qual dedico mais tempo.

      Excluir
  4. Só te posso dizer uma coisa...aproveita enquanto podes...goza este tempo que é único...quando o trabalho vier...

    bfs


    bom dia

    ResponderExcluir
  5. Quando se está há muito tempo sem fazer nada começa a ser quase desesperante. Há muita gente que não consegue perceber isso. Eu então não percebo como é que alguém pode pensar que é "perfeito" estar desempregado. São objectivos de vida, ou falta deles. Não ligues.

    ResponderExcluir
  6. Great post!

    You have a nice blog!

    Would you like to follow each other? Let me know on my blog.

    Have a great day!

    xoxo Jacqueline
    www.hokis1981.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Thank you for your comment on my blog!

      I follow you too! ;oD

      xoxo Jacqueline
      www.hokis1981.com

      Excluir
  7. Os primeiros tempos sabem bem, o pior é o resto, precisamente pelas questões que enumeraste. Por mais difícil que seja, não ligues ao que os outros possam dizer/pensar. Não estás nessa situação por vontade própria, o importante é que saibas que estás a dar o teu melhor. Infelizmente, nem tudo depende só de nós. Força!

    ResponderExcluir
  8. A seu tempo tudo se irá compor :) é preciso é calma .

    ResponderExcluir
  9. Pois é, querida M... Ando há tempos para escrever um post sobre como ACHO que me sentiria nesta situação. Não é algo pelo qual ainda tenha passado, mas se tudo correr bem, acabo a tese este ano e será assim. E, mesmo sem estar nesse ponto, percebo-te perfeitamente... Deve ser um sentimento de impotência terrível. Ainda assim, tu tens valor (eu sei que tens) e tudo se há-de compor, mais tarde ou mais cedo :) Eu acredito em ti! E não tenhas vergonha, é uma situação - infelizmente - muito comum...

    ResponderExcluir
  10. Já diz o ditado que a galinha da vizinha é sempre melhor que a minha! Eu neste momento estou na mesma situação e sinto-me uma inútil, só o facto de não colocar despertador parece que me faz perder um dia inteiro mas ao mesmo tempo penso: porque vou acordar super cedo se não vou ter nada que fazer?! Quem diz que esta situação é boa de certeza que não está bom da cabeça!

    ResponderExcluir
  11. as pessoas adoram comentar, a vida do outro, acham que é sempre melhor ou mais interessante que a deles, vamos lá saber porquê. quanto à tua situação, eu sei que estás cansada de ler que tudo vai melhorar, que é só uma fase, no entanto, peço-te que não desistas. continua a mandar currículos e se vires que não encontras nada dentro da tua área tenta procurar noutros sítios. infelizmente vivemos num país de empregabilidade precária mas podes sempre tirar partido disso. mesmo que encontres algo que pague pouco, esse pouco é melhor que nada e mesmo que não te dê tanta segurança em termos de futuro isso também te garante teres liberdade de sair sem grandes explicações caso encontres algo melhor.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tenho mandado para imensas coisas fora da minha área de estudos. Se estivesse à espera de ter emprego naquilo que estudei, nunca mais faria nada da vida :)

      Excluir
  12. Compreendo-te porque estou na mesma situação. Também ando à procura de emprego e é complicado. Muitas vezes sinto-me inútil, tal como dizes, e ansiosa, tentando perceber qual será o meu caminho, quais são as minhas opções, como será o futuro próximo (e, medo, o futuro a médio prazo). No entanto tento ver também o lado positivo e tentar aproveitar o presente e o facto de não estar obrigada a horários e tarefas fixas. Claro que não é a melhor situação do mundo, longe disso, mas acho que há sempre coisas boas em todas as fases por que passamos e procurar aproveitá-las e dar-lhes valor é até uma ajuda para a nossa sanidade mental e para manter a fé de que tudo vai melhorar. Boa sorte para a tua procura!!

    ResponderExcluir
  13. Lá esta eu vou dizer aquilo que toda a gente te deve dizer, tens que ter paciência quando menos esperares vai aparecer alguma coisa.
    Eu despedi-me por opção e na fase inicial era uma maravilha só o facto de não ter que aturar o bruta montes do mal educado do meu patrão, com o tempo fui começando a pensar o que é que as pessoas devem pensar por eu não trabalhar? Tinha sempre esta questão na cabeça. É lógico que aqui na vila tudo se sabe e num instantinho ficou-se a saber que eu tinha vindo embora do trabalho porque me despedi, por motivos de saúde para fazer os tratamentos e ir a consultas e exames, depois veio a fase das pessoas quererem saber se eu estava a receber alguma coisa, o que, como e porque e de seguida veio a fase em que eu tive que ser um bocadinho bruta com tanta coscuvilhice pois já bastava ter que estar em casa, sentir-me uma inútil e a criar macaquinhos na cabeça comecei a responder a tanta curiosidade de uma maneira vaga e um pouco azeda, foi remédio santo hoje em dia posso sair de casa sem me chatear.
    As vezes temos que bater o pé para o nosso próprio bem.
    Mais dia menis dia vai aparecer-te algo, enquanto isso não acontece não te martirizes e não deixes de viver a tua vida com medo do que os outros vão pensar.
    Beijinhos ;)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu também me despedi por opção e há dias em que penso se não deveria ter aguentado mais... outros tenho a certeza que fiz o melhor! E aqui na terrinha também é assim, tudo se sabe. Toda a gente pergunta, toda a gente quer saber. Todos os dias perguntam sobre mim e o meu emprego ou falta dele à minha mãe. Não posso ir à fruta, por exemplo, porque passam a vida a perguntar-me da vida e a fazer aqueles olhinhos de pena mas que no fundo se estão bem a cagar, desculpando o termo, para mim e o meu desemprego. As pessoas fazem-se de interessadas e ai que pena que tenho mas no fundo estão é contentes por haver alguém pior que elas.

      Excluir
  14. Compreendo-te perfeitamente! Felizmente apenas estive 4 meses desempregada e estava a dar em maluca! Sim, ao início sabe bem, eu estava muito cansada até porque saí do outro trabalho porque não me pagavam o ordenado, o caso estava em tribunal... por isso o desgaste psicológico foi enorme, daí no primeiro mês ter-me sabido muito bem estar em casa. Mas depois comecei a desesperar, sempre com a mesma rotina...
    Aqui fica uma palavra de positivismo de que tudo corra pelo melhor e fiques pouco tempo nessa situação!

    ResponderExcluir
  15. Leio o que escreveste e sinto o mesmo. Já ouvi tanta coisa desde a célebre fase "Não trabalhas porque não queres" :/. Mas a questão é que eu trabalho. É certo, não é um emprego, não é legal termos de direitos, mas foi a forma que eu arranjei para ganhar o meu dinheiro. Eu tenho vergonha de sair de casa, tenho vergonha de me cruzar com pessoas na rua, porque tudo comenta a tua vida. Ainda é pior, quando sabes que a grande parte dos comentários vem de pessoas da família. É duro! Eu demiti-me do local onde fiz estágio profissional, porque me estava a dar cabo da saúde e não me pagavam. Desde aí, vou conseguindo entrevistas e acabo sempre por não ficar. Já fiz envio de CVs porta a porta e, sinceramente, a sensação que tenho é que eles vão diretamente para o livro (eu via o que se fazia no meu local de estágio). Por isso, nem sei o que é melhor.
    As pessoas são insensíveis, incapazes de se colocarem no lugar do outro e de entenderem as suas frustrações.
    Sei o que sentes e digo-te: tenta não baixar os braços e insistir e persistir. Haverá alturas duras. Alturas em que te questionas acerca do teu caminho. Ainda na semana passada me questionava o que andava aqui a fazer dado que quase nada me corre bem, ou corre como eu esperava que me corresse. Há dias muito, muito difíceis, mas ninguém vê isso. Apenas olham para o nosso suposto tempo livre. Tenta manter a cabeça ocupada. Procura formações remuneradas. Dão-te algum dinheiro e acabas por ver outros ambientes. Eu cheguei a frequentar, porém vivo numa localidade pequena e não houve mais financiamento para elas. ;(
    Boa sorte.
    Beijinhos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Essa é outra, de não trabalhar porque não queremos. Claro, porque a pessoa sai de dois empregos pelas más condições de trabalho e mau pagamento e, enfim, porque aquilo é emprego que não interessa a ninguém, mas é obrigada a aceitar qualquer coisa depois, só para ter emprego? Não, obrigada. Já chegaram 3 anos de abusos. Admito que não concorro para tudo o que vejo. Há certos empregos que não me interessam e antes isto do que passar mais sei lá quanto tempo a dar cabo da minha saúde física e mental em empregos de treta só para fazer coisas e ganhar algum dinheiro. Sei que chega uma altura em que não podemos ser muito exigentes, mas o mínimo das condições de trabalho continuarei a exigir. Não quero mais ser explorada.

      Excluir
    2. Partilha do mesmo, M. Há empregos que também descarto logo à partida porque sei que não vai correr bem.
      Acho que não é uma questão de exigência. É uma questão de dignidade. O nosso problema não é o trabalho. É apenas encontrar um onde somos pagas a tempo e horas e com um valor o mais justo possível. Será pedir muito? Se calhar até é e eu que me ponho a idealizar coisas e cenas que nunca farão parte da minha vida.

      Excluir
  16. Percebo o que queres dizer e imagino que te irritem irritem bastante com esses comentários sobre "a sorte" que tens. Vais ver que tudo se resolve.

    ResponderExcluir
  17. Era a vida que eu gostava de ter. Trabalho unicamente por obrigação, porque não sou rica e o dinheiro tem que vir de algum lado. No entanto, sei, porque tenho um cá em casa, que é como tu. Não aguenta estar em casa. Mas eu gostava. Ser dona de casa. Tratar da casa, ver séries, filmes, ler, com todo o tempo do mundo, andar pelas redes sociais. Ir ao ginásio, ir buscar e levar o meu filho à escola e às actividades. Infelizmente, não tenho condições financeiras para tal. E quanto ao que os outros pensam e dizem, que importa isso? Tu sabes o esforço que fazes para encontrar trabalho. Não tens que sentir vergonha de nada, ora essa. Era só o que faltava, mas a vida é de quem? :)

    ResponderExcluir