segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Não sou obrigada

Pessoas mal humoradas, mal encaradas e de mal com a vida dão-me nos nervos. Tudo bem, todos temos direito aos nossos cinco minutos de telha, a achar que a nossa vida é uma shit e tudo nos corre mal, mas fazer disso vida é coisa que me é incompreensível. O pior de gente assim é que não sabem depois conviver com a restante sociedade. São pessoas sempre mal dispostas, a quem nada agrada, cujo sorriso de uma criança lhes provoca mal estar. Vamos na rua, sorrimos e nem nos olham de volta, não respondem a um "bom dia", são capazes de passar para o outro lado da rua para não se cruzarem connosco e bufam e roncam quando têm que falar ou fazer qualquer coisa. Não entendo e, acima de tudo, não sou obrigada a aturar gente assim.

Pessoas mal humoradas, mal encaradas e de mal com a vida no atendimento ao público, em particular, dão-me nos nervos. Eu trabalhei durante uns anos numa pastelaria, odiei cada segundo, ia arrastada para lá e senti-me, em vários momentos, na proximidade de uma depressão por lá trabalhar e lidar com pessoas que não lembram a ninguém, mas, ainda assim, nunca fui uma pessoa mal humorada, mal encarada e de mal com a vida com os meus clientes. Os outros não têm culpa por termos uma vida de merda ou por estarmos tristes ou preocupados ou fartos daquele trabalho que, ainda por cima, é mal pago. Não exijo que me tratem como uma rainha e me estendam a passadeira vermelha, mas penso que o mínimo de respeito e simpatia fica bem a qualquer um, em geral, e a pessoas no atendimento ao público, em particular. E eu sei - ai como eu sei! - que há clientes intragáveis, pessoas insuportáveis e que nos fazem a vida negra naqueles cinco minutos de exigências e extravagâncias em lojas ou outro tipo de serviços, mas não será por esses que os restantes clientes receberão o pior tratamento. Quem não está bem, muda-se. Foi o que eu fiz.
E depois questiono-me sobre o tipo de recrutamento que é feito nestas  situações, em que se escolhem pessoas claramente antipáticas, sem qualquer educação e com mania de superioridade para estarem à frente de negócios que vivem do atendimento ao público e, portanto, requerem uma quantidade de características relacionadas com o bom relacionamento interpessoal e boas capacidades de comunicação. Mas isso sou eu. 

5 comentários:

  1. Concordo com tudo o que disseste, não entendo mesmo essas pessoas que tudo é um drama, estão sempre mal dispostas e mal encaradas e pior... são mal educadas coisa que não tolero! Enfim... o nos resta é sermos sempre melhor que essas pessoas.

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  2. Obrigada por este post. Principalmente por teres trabalhado em algo que não gostaste e que exigia a tua simpatia e amabilidade para com os clientes, mesmo não gostando do que fazias. Disseste tudo o que penso! É que passo-me mesmo com estas coisas --' Ao ponto de, como já disse noutros posts (penso eu), fico genuinamente feliz e surpreendida quando as pessoas que estão a atender ao público me tratam super bem. Isto devia ser só uma coisa garantida.. Até porque, se gostei do serviço, mais facilmente volto àquele local.

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    1. Exatamente, um bom atendimento faz com que o serviço seja mais apreciado e com que os clientes voltem mais vezes!

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  3. Concordo. O meu estágio profissional foi feito na receção de um hotel onde muitas vezes ficava lá sozinha a tentar dar conta de tudo. Chegava a ir quase sem dormir, super cansada e chateada mas para o cliente tinha que ter sempre um sorriso na cara, por pior que o cliente fosse!

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  4. Sabes que na maior parte dos casos o que interessa aos empregadores é que o trabalho fique feito .

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