quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Dos estudos "científicos" que por aí andam...

Hoje em dia pululam por aí estudos atrás de estudos, atestados de uma validade um tanto ao quanto duvidosa mas que nem chega a fazer questão à maioria dos indivíduos. No facebook toda a gente partilha estudos. Porque um diz que corar faz das pessoas mais honestas, porque quem bebe café sem açúcar é psicopata, porque quem ri de olhos fechados é mais sincero e quem diz palavrões é mais confiável. Já perdi a conta. Se abrirmos uma revista qualquer de fofocas, há sempre aqueles artigos de conselhos e truques e dicas baseados em estudos. Que estudos são esses?, não sabemos, mas se um estudo diz, é porque é verdade. 

Acho que qualquer pessoa que pense um bocadinho sobre os assuntos consegue questionar-se quanto à validade destes ditos estudos científicos. A fonte dos mesmos até pode ser uma revista de especialidade, mas tal não significa que os estudos sejam válidos e credíveis. Eu não sei quanto a vocês, mas enquanto andei na faculdade e vi a forma como as pessoas criam testes e fazem teses percebi ainda melhor como é fácil falsificar estudos. Se eu decidir fazer um estudo sobre hábitos de leitura mas só escolher pessoas analfabetas, que resultados terei eu? E se decidir escolher só pessoas que eu sei que lêem muito? Ou que não lêem nada? E se, no total, essas pessoas forem só 5? Que tipo de conclusões é que eu posso retirar daqui?
Há por aí uma quantidade enorme de "estudos" quase tão válidos como este meu estudo hipotético. Se eu quero provar um certo ponto de vista e me estiver a marimbar para a validade do meu estudo, obviamente que vou escolher variáveis e amostras que me dêem resultados que vão de encontro com o que eu quero validar. Se eu quero provar que os Portugueses são todos muito dados às leituras, vou ali a uma biblioteca de uma faculdade qualquer ou a uma loja de livros, escolho 5 ou 6 pessoas que me dizem que lêem 300 livros por ano e deixo de parte as que abordei e não lêem ou lêem pouco. Depois faço um artigo a dizer que "os portugueses lêem muitíssimo, cerca de 300 livros por ano!", baseado nas minhas 6 pessoas que escolhi a dedo e já poderei ser "partilhada" no facebook também.

Vamos lá a ter cuidado com as coisas que lemos e nas quais acreditamos. Acima de tudo devemos ter sempre sentido crítico antes de acreditar e aceitar como verdade só porque um estudo diz. Na maior parte dos casos, quando vemos estes ditos estudos, nem sequer nos mostram qual é a sua fonte, que autores, que amostras foram utilizadas. 

7 comentários:

  1. A internet tem destas coisas! Propaga estudos e avaliações sem qualquer fundamento, e é difundido de tal maneira que se torna viral!

    https://jusajublog.blogspot.pt/

    ResponderExcluir
  2. Pessoalmente não acredito nesses estudos que por aí andam .

    ResponderExcluir
  3. Já li tantos estudos, mas tantos, contraditórios, às vezes no mesmo dia, que já não lhes ligo nenhuma.

    ResponderExcluir
  4. Um estudo que não seja, devidamente, testado não serve de muito, realmente.

    Olá, sou a Olivia, nova por estas bandas. Gostei do blogue. **

    ResponderExcluir
  5. Tens toda a razao, já me tinha deparado com esses disparates, o pior é que as pessoas no geral acreditam.

    ResponderExcluir
  6. Tens muita razão querida, hoje em dia é estudos por todo o lado!

    THE PINK ELEPHANT SHOE // INSTAGRAM //

    ResponderExcluir
  7. Tens toda a razão!
    O livro Freakonomics fala precisamente sobre essa questão! Só vale mesmo a pena dar valor a um estudo se soubermos em que se baseou e como foi construído. Às vezes a realidade do estudo, como disseste, pode não ter nada a ver com a nossa realidade e podemos estar a comparar alhos com bugalhos...
    Mas o que eu gostava mesmo é que quando referissem "baseado num estudo", dissessem que estudo e como podemos aceder ao estudo, porque só assim conseguimos tirar as teimas...

    ResponderExcluir