quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Defeitos

Não conheço ninguém que goste de ser criticado ou que fique muito satisfeito quando dizem que tem um ou outro defeito. Faz parte do ser social o desejo pela aceitação, pelo afeto e apreciação pelos pares, que os outros vejam em si características positivas e que gostem de si. Neste sentido, ter defeitos que os outros reconhecem em nós acaba por ser a evidência da nossa imperfeição, das nossas falhas e sentimos muitas vezes que os outros usam os nossos defeitos para nos atingir de alguma forma.

Confesso, apesar de não gostar obviamente da critica, já me custou muito mais. Sou uma pessoa extremamente autoconsciente. Conheço-me suficientemente bem para saber de cor e salteado os meus defeitos, onde falho, onde podia ser melhor. Por isso, apesar de não gostar de ser criticada, é raro ficar chateada quando me apontam um defeito, mesmo que o objetivo do outro seja chatear-me ou magoar-me ao fazê-lo.  Se alguém me diz "és muito chata!" eu não vou ficar magoada porque é verdade! Fico magoada se me disserem que sou algo que, claramente, não sou. O problema com isto dos defeitos é acharmos que, quando alguém os aponta, está a fazê-lo como um ataque à nossa pessoa. Por vezes é mesmo, mas outras vezes não. Além disso, quando alguém nos diz que temos um determinado defeito não quer dizer que já não gosta de nós ou que aquilo nos torna piores pessoas e apaga as nossas qualidades. Simplesmente é a constatação de um facto. E como constatação de um facto, porque é que haveria de ser conotado negativamente?  É muito bonito que nos digam que somos maravilhosos, fantásticos, uns queridos, quando é verdade, mas já é muito desagradável quando nos dizem que somos chatos ou teimosos ou preguiçosos... Se é verdade, não deveria ser um insulto.

Acho que a atribuição de um defeito só tem poder de nos magoar se nós deixarmos que assim seja. Se nos conhecermos e aceitarmos tal como somos, se sabemos que estamos a trabalhar no sentido de melhorar certos aspetos que não gostamos em nós, então se nos disserem que temos um defeito em particular não nos pode magoar porque já estamos conscientes do mesmo. Magoa quando somos apanhados desprevenidos ou quando a intenção é claramente destrutiva e feita de forma bruta. Fora isso, são só palavras! Temos que saber relativizar as coisas e, acima de tudo, atribuir-lhes a devida importância (ou falta dela!). 

7 comentários:

  1. Estou de acordo a 100%! Quando era mais nova, e alguém me dizia que tinha este ou outro defeito era motivo para ficar chateada. Agora, a idade traz-nos se calhar outras qualidades que passam por saber ouvir aquilo que os outros, e alguns que não nos conhecem tão bem, tem para nos dizer!
    https://jusajublog.blogspot.pt

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  2. Eu também sou muito auto-consciente pelo que críticas que considero falsas, passam-me ao lado! No entanto, toda a gente tem direito á sua opinião!

    THE PINK ELEPHANT SHOE // INSTAGRAM //

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  3. Também me vejo assim, como tu, auto-consciente e acredito que devemos tentar sempre melhorar-nos como pessoas, não exatamente pelos outros, mas por nós, mas sem nos deixarmos limitar pelos "so called" defeitos.
    Eu deixei de ver defeitos como defeitos ou qualidades como qualidades. Hoje, para mim, as pessoas têm simplesmente características, que, em algumas circunstâncias e para algumas pessoas, podem ser boas ou más.

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    1. exatamente! Acima de tudo são características nossas, sejam boas ou más.

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    2. E o engraçado é que o ser uma boa ou uma má característica acaba por ser bastante subjetivo, não é?
      Por exemplo, numa entrevista de trabalho pode pensar-se que é bom dizermos que somos perfeccionistas, mas se for um trabalho que exija decisões rápidas, a nossa característica pode ser afinal um defeito (para o outro).
      Para mim é tudo uma questão de perspectiva.

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  4. Eu cresci sempre com defeitos... porque era maria rapaz, então tinha que me comportar como uma rapariga, ao ponto de eu adorava assobiar quando era pequena (parece estúpido yah) mas davam-me sempre nas orelhas porque "uma menina não assobia". Isto para dizer o quê... nós somos como somos. Não deixo de ser melhor ou pior pessoa porque assobio (exemplo estúpido mas que pode ser extrapolado ao resto). Podemos tentar "limar arestas" e tentar melhorar-nos um bocadinho mas nunca podemos mudar-nos completamente porque senão não somos nós.

    Beijinhos,
    O meu reino da noite ~ facebook ~ bloglovin'

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  5. Tenho N de defeitos e sou o meu maior crítico, no entanto, há criticas que se fazem com a intenção de rebaixar o outro! Todos nós temos fragilidades e quando conseguem lá chegar...ui!
    Boa tarde

    Bfs

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