quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Aquele postzinho a pedir haters

Sabem aqueles textinhos de facebook que têm sempre títulos muito apelativos como Namorar é com alguém que valha a pena ou Não a deixes escapar ou ainda O homem certo faria tudo por ti? Não há cu que aguente.

Basta pôr um titulozinho lamechas com frases de autoaceitação e toda a gente cai na esparrela. Há imensos likes, imensas partilhas, toda a gente comenta. Andaremos assim tão necessitados de textos de autoajuda para sabermos dar valor a nós mesmos? Existiram por aí tantas pessoas em relações cócós que precisem de ajuda externa de um textozinho palerma sobre amor próprio, o valor das relações com amor, como ser uma pessoa decente, para abrirmos os olhos e perceberem que o que têm não é o ideal?

Quando vejo pessoas a gostarem desses textos, a comentar e partilhar como se não houvesse amanhã, nunca sei se hei de achar que são uns grandes palermas ou ficar com pena por gostarem desses textos e sentirem que precisavam de ler aquilo para mudarem a sua vida. Desculpem-me se vocês são do grupo de quem adora estes textos, mas eu simplesmente acho palerma. Acredito que haverá gente que gosta de ler, que acha aquilo uma grande obra da literatura da internet, afinal de contas há malucos para tudo, inclusivamente para me ler, que eu não sou melhor que os autores desses textos. Mas ainda assim acho deprimente. Da mesma maneira que fico sempre com o pé atrás quando as pessoas dizem que adoram Pedro Chagas Freitas. Eu leio muita coisa que as pessoas certamente acharão más, com histórias cócós. Sem dúvida. Aliás, podem ver isso pelas reviews que eu faço dos livros que leio. Não sou só de clássicos, de grandes livros. Acredito que muita gente leia estes textos do facebook com a mesma ideia que eu leio certos livros: puramente para entreter, para tirar a cabeça de pensamentos sérios. Mas não vamos ser hipócritas, toda a gente "julga" os outros pelas coisas que gostam de ver/ler e há coisas que toda a gente olha como sendo parolas...Ou aqui nunca ninguém olhou de lado para quem lê Nicholas Sparks e Margarida Rebelo Pinto e ainda por cima gosta de ouvir Justin Bieber?* Não? Só eu? Pronto, sou só eu que sou mázinha.
Ainda assim, estes textos de facebook são todo um novo low, para mim. Acho que não há pior. É isso e livros de autoajuda. 


*Falo eu que já li ambos os autores e que até gosto de algumas músicas do Justin Bieber. 

11 comentários:

  1. Sabes, as vezes leio os teus posts e fico sempre com a mesma sensação, mas acabo por nunca comentar.
    Acho que te queixas de tudo na vida em geral. E sabes uma coisa? Quem lê livros de auto ajuda se calhar não é assim tão mau, até os psicólogos os aconselham vê lá!
    E o facto de as pessoas lerem esses livros, ou textos do facebook não significa que precisem de ler aquilo para ganharem auto confiança o que seja. Lêem se calhar da mesma forma que lêem uma noticia do JN ou do Correio da Manhã, porque uma pessoa estruturada não lê só o que é intelectualmente bom.

    Mas isto é só a minha opinião.
    E não, não sou uma hater acredita.

    Beijinhos

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    1. Mas tens toda a razão, eu queixo-me mesmo de tudo. Já nem é defeito, é feitio. Tenho sempre opiniões sobre tudo e gosto de as dar, mesmo que não me perguntem.
      Cada um lê/vê/faz o que gosta. E lá está, posso criticar e ser criticada. Também gosto de ler livros cócós (como referi), também perco tempo a ver séries lame e sem conteúdo, também me entretenho com as coisas mais parvas e nada intelectuais. Nunca disse que toda a gente deveria SÓ ler grandes clássicos. Eu sou a pessoa que mais consome programas de treta, por exemplo. Só estou a dar a minha opinião, não digo que para outras pessoas aqueles textos não tenham conteúdo. Cada um gosta do que gosta. Mas é quase piada...da mesma forma que as pessoas criticam ou "pensam menos" de alguém que lê romancezinhos da treta (sejam eles quais forem) ou ouvem músicas más ou com má conotação na sociedade em geral, não quer dizer que não haja quem gosta ou que não tenham valor.

      Pessoalmente faz-me confusão pessoas que precisam de ler aquelas coisas para se sentirem bem ou perceberem que as suas relações são más, para se darem valor. Não quer dizer que TODA a gente que os lê tem esses problemas. Nada disso. E concordo que uma pessoa estruturada deve ler e ver tudo o que quiser e não só o que é intelectualmente bom.

      Quanto aos livros de autoajuda, para mim não têm mal nenhum, cada um lê o que gosta, o que quer, o que precisa. A mim faz-me confusão, lá está. Não disse que eram maus ou que não ajudam as pessoas (a avaliar como vendem, devem mesmo ajudar), apenas é uma embirração pessoal. E olha que eu sou psicóloga e não recomendaria :)

      Obrigada pelo teu comentário! Não levo nada a mal nem rotulo como hater, gosto de debater opiniões diferentes. Beijinhos

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  2. Acho que não devemos julgar. Ler é sempre uma aprendizagem e tal como no futebol: gostos não se discutem. Já li e gosto de Nicholas Sparks, não gosto de Justin Bieber. Gosto de poder ler em qualquer sítio sem que me julguem, assim como não julgo quem lê o que quer que seja onde quer que seja. Vamos ser boas para o mundo para que o mundo seja bom para nós :)

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    1. Ora nem mais!
      Era um post mais sarcástico do que outra coisa. Não penso mal das pessoas que lêem coisas que eu considero más, cada um gosta do que gosta. Como referi, também leio e vejo coisas nada fantásticas ou bem rotuladas. Cada um com os seus gostos. Também já li um ou dois livros de Nicholas Sparks e gostei, mas toda a gente sabe que ele tem aquela conotação de lixo literário para mulheres que gostam de histórias de amor. Mas quem gosta, que leia! Não condeno.

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  3. Eu costumava ler esse género de coisas : Pedro Chagas Freitas e por vezes um ou outro texto desses.
    Só li um livro de Nicholas Sparks. N gostei.
    Sei que o preconceito existe..
    Mas também acho que deveríamos ser todos mais brandos.
    Há quem goste e n tem nada de mal.
    Quanto aos livros de auto-ajuda, os psicólogos recomendam-nos mesmo. Há livros que mudam uma vida. Só li dois e n mudaram nada porque sou uma céptica e estava sempre a gozar com aquilo. Li quase obrigada.
    Mas respeito quem n pensa assim :)

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    1. Lá está, é puro preconceito. Eu tenho-os, muitas outras pessoas têm. Não sou melhor que ninguém, também tenho sentimentos maus em relação a muitas coisas. Neste caso sou preconceituosa em relação às leituras das pessoas, tal como muitas vezes já me criticaram por coisas que li. Não penso mal das pessoas por lerem isto ou aquilo, mas todos fazemos uma espécie de categorização mental dos outros tendo em conta os seus gostos e preferências, entre muitas outras coisas.

      Esses textinhos do facebook acho que são do mais parolo e lamechas que há. Não digo que não tenham valor, mas para mim não dá. Cada um faz o que gosta.

      Quanto aos livros de autoajuda, mais uma vez, não tenho nada contra, apenas não acredito. Sei que há psicólogos que recomendam, até porque há pessoas para quem isso funciona. Não digo que esses livros sejam maus ou não tenham conteúdo e se ajudar alguém, ótimo. Pessoalmente embirro com esses livros e como psicóloga não recomendaria por não acreditar no seu "poder". Para mim, enquanto cliente, não funcionaria, por isso só recomendo coisas em que acredito.

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  4. Bom, sobre esses textos, confesso as vezes vou ler, não me agradam todos, até porque parecem repetições uns dos outros, mas as vezes gosto de ler aquilo que estou a sentir nesse momento.
    Mas para mim o mau desses textos são as partilhas nas redes sociais em que as pessoas utilizam para enviar bocas a outros, para mostrar que ja superaram o fim da relação e etc. amigas não façam isto ok?

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    1. É precisamente mais a esse sentido a que eu me refiro... as pessoas lêem e depois partilham como forma de se mostrarem muito bem resolvidas, muito superiores, oh para mim que estou aqui firme e forte, para mandar indiretas. É por isso que acho ridículo. Não tenho absolutamente nada a ver nem nada contra os gostos pessoais de cada um, só acho algumas coisas desnecessárias.

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  5. Eu gosto dessas coisas, sou sincera. Não assim por sentir que vá mudar a minha vida, mas gosto de ler palavras bonitas. *guilty pleasure*
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  6. Há gostos para tudo e a vida já é tão complicada que por vezes as pessoas gostam de ler coisas mais simples e nada complexas. Beijinhos

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  7. Ai, quando vejo disso só penso "Silêncio, senhores!"

    Um beijinho dourado.

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