segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Strong independent woman

É verdade que não sou o maior exemplo de independência e destemor, mas, no geral, sou bastante despachada. Gosto de tratar dos meus assuntos sozinha, fazer o que tenho a fazer sem dar cavaco a ninguém. Principalmente depois de ter ido para a faculdade, comecei a ficar mais destemida, mais desenrascada, mais independente. Sempre quis ter carta por isso mesmo: não precisar de ninguém para me levar onde precisasse ou quisesse ir.

Na minha família, só duas das minhas tias têm carta. A minha mãe nunca quis conduzir porque o santo do meu pai faz de motorista de bom grado. Leva-a para todo o lado, quando ela quer. Precisamente por ver a chatice que é ter que estar sempre à espera dos outros para fazer a nossa vida, sempre disse que queria ter carta para não depender de ninguém. Era o que havia de me faltar, ter que estar sempre a pedir favores ou subjugar-me aos horários dos outros para fazer a minha vida. É verdade que prefiro mil vezes ser conduzida do que conduzir e que ainda fico nervosa se tiver que ir para algum lugar diferente de carro sozinha, mas isso é porque sou uma trenga. Se precisar mesmo de ir a algum lado, pego no carro e vou. E a pé, ninguém me pára! 

A minha mãe não gosta de fazer nada sozinha. Tem medo de ir ao centro da cidade à farmácia ou ao banco que ficam a uns 50 metros de casa. Numa cidade da pavónia, a céu aberto, um lugar com bom ar e onde nada se passa, onde podemos andar na rua sossegados sem medo de que nos venham assaltar ou o que quer que seja. Qualquer problema que surja é sempre alguém que resolve por ela. Ela sai, faz as coisas, mas eu bem sei que vai cheia de medo quando ninguém a pode acompanhar. Vá-se lá entender. E eu sempre tive medo de acabar assim. Sempre tive um feitiozinho daqueles, sou teimosa, sou orgulhosa, gosto de ser capaz de fazer tudo sem ajuda. Gosto de ser autosuficiente e tenho medo de um dia depender de alguém. Ainda mais de um homem! Sempre tive medo de ser daquelas mulheres que dependem dos homens para tudo. Não que condene, cada um sabe de si, mas para mim não dava. Aquela ideia de não ser suficiente sozinha, de ter que ser um homem a tomar conta de mim por eu não ser suficientemente capaz como mulher, como pessoa individual. Enfim, nunca quis dar razão aos estereótipos e machismos que tais. Não quer com isto dizer que não gosto que tomem conta de mim ou tenho problemas em que o meu namorado, por exemplo, trate de coisas para mim. Em qualquer relação tem que haver entreajuda e essa entrega, mas deixar que alguém tenha esse poder sobre mim, saber que se não fosse aquela pessoa eu não fazia nada sozinha, é uma forma de nos castrarmos também enquanto pessoas, de nos minimizarmos e de nos pormos à mercê dos outros. Isso eu não quero para mim. Compreendo que haja quem se sinta melhor assim, protegidos de tudo, sendo tratados como crianças sem responsabilidades, mas para mim não dava. Só penso em conquistar cada vez mais independência, principalmente financeira, que é o que falta neste momento. 

7 comentários:

  1. Também sou assim, como te descreves.
    Penso que o facto da tua mãe ser como é se deve à forma como foi educada. Eram outros tempos...
    O que me faz confusão (mas lá está, cada um é como é) é uma amiga minha ser assim. Ela não é capaz de fazer o que quer que seja sozinha!

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    1. Sem dúvida que a educação das pessoas acaba por ser um fator importante para este sentido de independência. E claro, faz-me mais confusão uma pessoa jovem, da minha faixa etária, ser assim "atadinha" do que uma pessoa mais velha como a minha mãe (se bem que a minha mãe ainda nem 50 anos tem). São coisas que se vão adaptando aos tempos.

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  2. Concordo a 100%. Não, a 300%. É que é mesmo!

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  3. Ora eu revejo-me completamente neste teu post, sem tirar nem por.
    Menos mal que existe mais alguém do meu gênero ;) estava a começar a ficar preocupada (brincadeira) o meu pai diz sempre que eu sou muito orgulhosa e que tenho a mania que me desenrasco sozinha.

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    1. Não é ser orgulhosa, é querer ser autosuficiente! Não tenho problemas nenhuns em pedir ajuda a quem seja se precisar, mas gosto primeiro de fazer as coisas por mim e só peço ajuda em último recurso. Não podemos andar sempre a depender dos outros!

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  4. Também sou assim e acredito que a carta de condução é um grande feito para conseguirmos ser independentes!

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