quinta-feira, 27 de outubro de 2016

No judgment

Sei que é difícil, mas tenho tentado cada vez mais não fazer julgamentos em relação aos outros. É sempre tão fácil apontar o dedo, criticar, dizer o que faríamos diferente, onde estão a errar, quando se trata da vida dos outros... 
Ultimamente tenho feito o exercício oposto: pensar o porquê de aquela pessoa fazer isto ou aquilo com o qual eu não concordo, perceber as razões que a levam a tomar certas atitudes, pensar na vida daquela pessoa e nas possíveis razões para ser assim ou assado, fazer isto ou aquilo. É muito fácil sermos os primeiros a dizer "Se fosse eu..." ou "eu no lugar dela faria...", mas e se nos puséssemos na mesma situação? Se fosse eu a estar na mesma situação, faria diferente ou agiria da mesma forma? E mesmo que eu tomasse outra decisão em relação a algo nas mesmas exatas circunstâncias, mesmo que eu não concorde com aquela atitude e nunca me imaginasse a fazer aquilo, que motivos teria aquela pessoa para agir assim? O que é que na vida dela justifica a forma como ela age, como ela pensa?

Há uma coisa muito importante nas relações humanas que é a empatia. Esta capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, de sentirmos o que o outro sente. Costuma-se dizer que "pimenta no cu dos outros é refresco" e é bem verdade. Parece que nos regemos por uma balança mal calibrada: a medida que usamos para os outros é a mesma que usamos para nós? O mesmo peso, duas medidas? Como é afinal? Parece que quando é connosco é tudo muito mais subjetivo e quando é com os outros é tudo muito fácil, muito óbvio. Mas, lá está, cada um sabe de si, das suas necessidades, das suas batalhas. Quem sou eu para dizer que aquela pessoa está a agir bem ou mal em coisas que não me dizem respeito? Ninguém quer ser julgado, mas todos julgamos os outros. Antes de apontarmos o dedo aos outros, devíamos olhar para nós mesmos, nunca esquecendo que, quando aponto um dedo a outros, tenho quatro a apontar diretamente para mim.

7 comentários:

  1. Identifico-me muito com este texto. Às vezes falo de coisas da boca para fora e só depois é que começo a reflectir... Não devemos julgar porque não sabemos o que é que "vai dentro" de cada um!

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  2. Excelente reflexão. Concordo contigo... Mas acho que "faz parte da natureza humana" julgar... E depois, por muito que tentemos mudar, os outros continuam a julgar-nos então fica difícil mudar definitivamente, n é? Mas tens toda a razão no que dizes :)

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  3. Bem verdade, é tão mais fácil simplificar a vida dos outros do que a nossa...

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  4. Já há algum tempo que tento fazer isso e não é um exercício fácil. Como dizes, fácil é criticar, apontar o dedo e criar pré-conceitos. Mais difícil é mesmo não o fazer. Mas é ir tentando mudar :) pelo menos o que tenho feito também.

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  5. Estava a ler o teu texto e lembrei-me logo da frase com que terminaste ahah :P é uma frase que resume muito bem a atitude que devemos ter em relação à tentação de julgar os outros ;)

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  6. Gostei muito de ler este texto :) acho que fazes muito bem em tentar julgar menos! Claro que todos julgamos, em determinadas ocasiões.. Mas tentar fazê-lo menos é muito positivo.

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  7. Só sabe do convento, quem vai lá dentro!
    Tenho tentado compreender e respeitar as vontades e atitudes dos outros, porque é isso mesmo! As pessoas são como são e agem da forma que mais lhes parece correta. Ainda que não concordemos, elas lá terão os seus motivos e a mim só me resta respeitar!

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