quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Equality

Não tenho vocação para empregada doméstica. Não é por mal, eu é que tenho a mania que tenho outros gostos e objetivos na vida. Gosto de ocupar o meu tempo com outras coisas. Aquela coisa de mulher independente e bem resolvida - uma chatice.

Sei fazer tudo em casa, desde cozinhar, a tarefas domésticas mais específicas. Fui ensinada desde cedo porque, lá está, sou mulher e as mulheres começam cedo no curso da vida "como ser uma fada do lar". Mas depois também desde cedo me apercebi que homens e mulheres têm ambos dois braços, duas pernas e um cérebro e que não tenho vocação para escrava. Sendo que o meu homem frequenta um curso superior e é inteligente, deduzo que tenha capacidades cognitivas suficientes para aprender aos 20 e muitos o que eu aprendi aos 10. Não sou exigente, tenho paciência e gosto de ensinar. Gosto ainda mais de manter a paz no lar e de me sentir valorizada enquanto mulher, enquanto pessoa, enquanto futura esposa-e-mãe-dos-filhos, por isso é do meu maior interesse perder tempo a ensinar o homem (que, como homem que é, nunca lhe ensinaram a fazer coisas destas em casa) e dividir tarefas domésticas.

Isto porquê? Porque ou as pessoas se acomodam a um certo tipo de vida ou então não falam nas coisas antes de as levarem para a frente. A comunicação é essencial a uma boa relação. As coisas têm que ser faladas, discutidas entre os dois antes de se seguir em frente. Não vamos começar um namoro sério sem saber se aquela pessoa tem os mesmos projetos que nós, pois não? Isso porque vejo muita gente a queixar-se constantemente que os maridos/namorados não ajudam nada em casa, que têm que fazer tudo, que passaram a ser escravas da casa e não se sentem apreciadas como mulheres. Pois, se calhar se tivessem falado antes com os parceiros, se lhes tivessem explicado quais as suas expetativas para a vida a dois, o que podem fazer, o que esperam que o outro faça, as coisas não seriam assim. Eu nunca poderia estar num relacionamento com alguém que esperasse ter em mim uma mãezinha que cozinhasse, lavasse e limpasse a toda a hora e ainda estivesse disponível para quando sua excelência quisesse. Nada contra, mas não dá para mim. Da mesma forma que um homem está no seu direito de querer isso de uma mulher, desde que assuma isso logo e a mulher esteja de acordo. Cada um com a sua vida. 

Ao menos o meu não pode dizer que vai ao engano.  Na prática logo se verá, mas a teoria já está cá toda: tudo o que for nosso será dividido. Se as contas serão pagas a meias, se a casa será dos dois, então os dois terão que contribuir para tudo. Eu não sei dobrar meias melhor do que ninguém só porque nasci com um pipi. Já lhe disse várias vezes que, se está a pensar que vai casar/viver comigo e continuar a ser apaparicado como em casa da mãe, mais vale nem sair. Até ao momento sempre demonstrou estar de acordo comigo quando a temática é divisão de tarefas e se achava que eu ia ser a sua empregada doméstica privada certamente já se apercebeu que tal não vai acontecer e está de bem com isso.  Ainda bem para todos. 

O importante é as pessoas perceberem o que querem e o que o outro quer. Ceder quando tem que ser. Dividir. Perceber o que é que um gosta mais ou tem mais jeito para fazer, conjugar horários, ver disponibilidades. É claro que vai haver sempre um que vai fazer mais coisas porque tem mais tempo ou chega a casa primeiro, mas desde que todos se sintam bem com isso, não haverá lugar para estas queixas.
É que, parecendo que não, este homem escolheu passar a vida comigo pela pessoa que eu sou, não fui a nenhuma entrevista para empregada doméstica e fui a feliz selecionada. 


8 comentários:

  1. Não poderia estar mais de acordo :)

    ResponderExcluir
  2. É inconcebível ainda existirem mentalidades retrógradas e machistas no que respeita ao papel da mulher na sociedade e na vida em geral. E mais escandaloso é a constatação dessas mentalidades em jovens de 20/ 30 anos.

    ResponderExcluir
  3. Viver numa relação onde um faz tudo e outro faz nada também não é para mim. Neste momento estou solteira e vivo sozinha num apartamento e não poderia estar a gostar mais da experiência.
    Estou habituada a depender de mim mesma e mesmo que surja um alguém para eu partilhar a vida, irei continuar a ter a minha vida e ele a dele mas no fim complementamos-nos. É assim que resulta. Pelo menos é assim que penso.

    Cátia ∫ Meraki

    ResponderExcluir
  4. Estás certa, devemos dividir as tarefas com eles. Eu disso não me posso queixar, mas fiz questão de lhe dizer ao que vinha para não se sentir enganado :))

    ResponderExcluir
  5. Concordo com o teu post e é triste ver que as mentalidades de à 50 anos continuam a ser as mentalidades de muitos (jovens) hoje em dia...

    http://confessionsinpink.blogspot.pt/

    ResponderExcluir
  6. Ora nem mais! Se alguém na nossa relação vai deixar o emprego para ser empregada doméstica e ficar em casa com os filhos, esse alguém não vou ser eu :P E as coisas divididas custam menos a todos! Irrita-me tanto quando a minha mãe desculpa certos hábitos com o "oh, mas eles são homens" -.-
    Agora um à parte, mas relacionado: o meu namorado irrita-me solenemente do fundo do coração quando não quer cozinhar. Porque "não sabe", porque isto, porque aquilo. Nós nunca precisámos propriamente de dividir mais tarefas do que cozinhar e lavar a louça até ao momento - o que até funciona bem, porque eu não gosto de lavar a louça. No entanto, quando ele tem mais tempo do que eu e eu lhe peço para fazer qualquer coisa, a resposta acaba invariavelmente por ser "compramos uma pizza ou uma lasanha". Epá, mas às vezes não me apetece!! Enfim, só um desabafo ahah anyway, ao fim de 4 anos e tal de namoro, encontrou algo que sabe cozinhar e já o fez para mim :P yey!! baby-steps -.-

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tens mais sorte que eu, que em quase 9 anos e meio de namoro, o meu nunca cozinhou para mim :p ahaha Mas percebo o que dizes. Para eles "desenrasca-se" qualquer coisa e pronto. Queria ver se fossemos sempre nós a dizer "compramos umas pizzas e umas lasanhas" todos os dias, a ver se não se fartavam depressa. A solução para eles é sempre arranjar alguma alternativa ao trabalho que teriam e não aprender a fazê-lo! :)

      Excluir