terça-feira, 9 de agosto de 2016

work

Talvez seja por ainda não ter encontrado o emprego dos meus sonhos, seja lá isso o que for, ou simplesmente é assim a vida de adulto, mas passo a vida à espera das folgas. Que vida deprimente, de facto. Anseio chegar a casa, conto as horas para estar de folga, imagino mil vezes na minha cabeça as coisas que vou fazer quando sair do trabalho... Vivo para as folgas, a sério. Arrasto-me para o trabalho com o pensamento de "só são 6 horas" ou "faltam só dois dias até estar de folga outra vez". A minha vida (ou será a de todos os trabalhadores?) é isto: passar a maior parte do meu tempo no trabalho, para ganhar a vida, sonhando com as horas ou dias que faltam para estar outra vez em casa ou ir àquele jantar ou ver aquela pessoa, as folgas, as férias, os dias de descanso em geral. 

A vida é mesmo assim. Temos todos que trabalhar para sermos/termos alguma coisa na vida. É com o trabalho que compramos o conforto da casinha para a qual passamos as horas de trabalho a sonhar voltar. Mas não é deprimente pensar que passamos a nossa vida a trabalhar, a fazermos coisas que não gostamos e a aturar gente com quem não queremos estar para depois podermos usufruir do nosso tempo a fazer as coisas que verdadeiramente nos preenchem, a ver as pessoas com quem realmente queremos estar? É mesmo assim, a vida é assim, mas não deixa de ser deprimente. 

Não me interpretem mal: sou uma pessoa trabalhadora. Não tenho medo do trabalho, faço o que for preciso, o que tiver que ser para poder ser financeiramente independente e minimamente estável. É o que todos desejamos. Mas daí a dizer que adoro trabalhar ou que morria se não trabalhasse... Ou, pior, como aquelas pessoas que dizem que se ganhassem o euromilhões iam trabalahr na mesma. Shame! Pessoas que, certamente, não sabem o que fazer do seu tempo livre ou não têm ninguém com quem o partilhar. Eu cá nasci para não fazer nenhum, dava-me muito bem numa vidinha de leituras, séries, sofá e papo para o ar, viagens, compras. Não é ser fútil, é saber aproveitar o tempo a fazer coisas que me fazem feliz. Tivesse eu paizinhos ricos a ver se me metia a trabalhar. Sim sim.

7 comentários:

  1. Pela minha experiência acho que isso se sente muito mais quando estamos num trabalho que não adoramos ou no qual não nos sentimos úteis. Principalmente quando achamos que aquele trabalho não é o nosso futuro e não nos dá experiência enriquecedora. Eu já tive trabalhos onde contava cada hora para sair e as segundas-feiras eram um suplício. Hoje em dia continuo a gostar muito do momento em que chego a casa, dos fins-de-semana e dos feriados. Mas já não sinto aquela vontade enorme de cortar os pulsos à segunda-feira :)

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  2. acho um bocado mau dizeres que sao "Pessoas que, certamente, não sabem o que fazer do seu tempo livre ou não têm ninguém com quem o partilhar". Simplesmente podem ser pessoas que são realizadas no trabalho que tem e que trabalhar é um dos componentes para se sentirem felizes e uteis.

    Claro que é bom poder fazer uma vida desafogada e irmos onde queremos quando queremos, mas nem todos queremos o mesmo!!

    beijinho

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    1. Penso que até mesmo as pessoas que adoram trabalhar e se sentem realizadas no seu trabalho também gostam mais de sair do trabalho do que de lá estar. Digo eu. De facto não o posso afirmar. Mas sei que, mesmo quando fazia algo que gostava muito e me sentia realizada profissionalmente, gostava sempre mais de ir para casa, voltar para os meus, ter o meu tempo livre. Não queremos todos o mesmo, é uma realidade. Mas, pela minha experiência e pelo que vejo de toda a gente que eu conheço, todos preferem a casa ao trabalho.

      Trabalhar pode ser uma componente importante da realização de cada um, que é. Mas mesmo que trabalhe num sítio que adore, com pessoas que adore, a fazer coisas que adore e a receber muito bem, sempre vi o trabalho como trabalho, não como a minha vida. Tenho colegas que parece que vivem para aquilo. Fazem horas extra sem serem pagos, vão para lá nas folgas, ... isso não é gostar de trabalhar, é não saber ocupar o tempo e a vida fora daquele espaço. Digo eu.

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  3. É o pior sentimento. Quando não estamos verdadeiramente apaixonados pelo nosso trabalho não há como fugir do pensamento "lá vou eu para o castigo". Poucos são aqueles abençoado que trabalham no que amam.

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  4. Gosto do meu trabalho, mas adoro odescanso e sobretudo, ter tempo para mim e para as minhas coisas...

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  5. As folgas e as horas a que se chega a casa sabem sempre melhor, são sempre mais desejadas porque é o tempo que temos para sermos nós sem pensar no demais. A não ser que se seja workawoic, iremos estar sempre a pensar no tempo livre

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  6. Ahah eu percebo o que dizes! Mas acho que quando tiveres um trabalho em que te sintas melhor não vais ter esses pensamentos. Eu neste momento não estou a trabalhar na área, não posso considerar que é o emprego dos meus sonhos, mas felizmente gosto do que estou a fazer, o ambiente é bom e, portanto, não me custa ir trabalhar nem passo a semana a ansiar pelo fim-de-semana. Faz parte. Em breve vais ver a diferença! :)

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