terça-feira, 2 de agosto de 2016

Ódiozinho de estimação *

Pessoas que caracterizam terceiros como tendo "problemas" quando se referem a uma doença física e/ou mental dão-me cabo dos nervos. Toda a gente conhece alguém assim, aposto. Detesto quando as pessoas se põe com subterfúgios, quando arranjam formas suaves de se referirem a coisas concretas, normalmente mais duras. É tipo aquela cena de as pessoas não terem cancro mas sim um "mal ruim" (não me digam que é só na minha terra!?). Dá-me uns nervos. As coisas são para ser ditas tal como são e não é por falarmos delas abertamente (ou, no caso, não falarmos) que a situação se altera. Se eu disser que uma pessoa tem uma deficiência ela não deixa de a ter nem essa deficiência para a ser mais grave; tal como não é por eu dizer que a pessoa tem "um mal ruim" em vez de cancro que a pessoa passa automaticamente a estar saudável. Infelizmente não é assim que funciona. 

E depois parece que a expressão "ter problemas" engloba uma enorme variedade de questões de saúde que estão por nomear. Uma coisa é dizer que a pessoa tem problemas de saúde quando não se sabe ao certo o que é; outra é tratar as perturbações mentais/físicas severas como sendo "problemas". Quando não se sabe ao certo que tipo de perturbação/deficiência/incapacidade aquela pessoa tem, diz-se só que tem problemas e pronto, toda a gente entende. É estúpido. Quando me vêm com essa conversa do fulano de tal que "tem problemas", acabo sempre por dizer "e não temos todos?". Problemas todos temos, incapacidades físicas e/ou mentais nem todos. 

Não gosto deste tipo de eufemismos. 


*digam lá que não tinham saudades destes postzinhos cheios de veneno? :)

2 comentários:

  1. Custa a certas pessoas dizer as coisas como elas são, parece que se tornam piores ou mesmo contagiosas se disserem os nomes...

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  2. E quando se referem a crianças??? Ui!!
    "Aquele menino tem problemas!"
    Que raiva!!!

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