quarta-feira, 13 de julho de 2016

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Esta que vos escreve é, desde ontem, uma mulher desempregada. 
Ainda no mês passado me queixava que as minhas resoluções de ano novo não estavam a ser cumpridas e já cumpri mais uma: deixar o meu emprego. Não que tivesse pretensões de aumentar o número de desempregados do país, sempre pensei sair quando já tivesse algo melhor, mas as circunstâncias assim o ditaram.

Foi uma decisão impulsiva no sentido em que pensei que já não queria ir mais e fui logo resolver a questão, mas já tinha sido muito ponderada antes. No fundo, foi uma decisão despoletada por algo do momento mas que só confirmou o que eu já andava a ponderar há imenso tempo. Insatisfeita, como sabem, estava há vários meses. Desde o ano passado que queria muito sair mas havia sempre algo que me prendia e, na verdade, não tendo outras perspetivas em vista fui-me deixando estar. Porque agora é só até acabar o curso, agora é só até arranjar emprego na área... E depois apercebi-me que se estivesse à espera do emprego na área para sair ia lá ficar a vida toda. Mas ainda assim fui ficando. Só até ao próximo fim de semana, só até pagar a conta x, só até às férias... sempre vendo anúncios e mandando currículos para outras coisas. Até que a paciência um dia acaba. Há um limite para as barbaridades que estamos dispostos a deixar passar. Uma coisa é engolir uns sapinhos aqui e ali, não responder aos clientes que se armam em superiores e ir fazendo tarefas que até nem gosto muito. Outra é sentir-me explorada, escravizada e desvalorizada. A minha saúde física e psicológica virá sempre em primeiro lugar.

Tendo eu sempre dado tudo pelo emprego que tinha e nunca tendo arranjado problemas com ninguém; tendo sempre cumprido com tudo o que me competia e ainda mais; tendo-me sempre disponibilizado e sujeitado a todos os horários possíveis e imaginários que ela me pedia e sendo sempre uma pessoa cumpridora e que, em mais de dois anos e meio faltou 4 dias por estar doente, acho que merecia mais consideração da parte dela. Não merecia saber por terceiros que sua excelência pretendia ir de férias brevemente sem me consultar (sendo eu a fazer o horário de abertura até ao fecho nessa semana toda sozinha), nem descobrir de igual modo que pagava mais à outra pessoa que arranjou para lá estar de vez em quando (e que nem um café sozinha sabia tirar) nem que fizesse de mim parva por diversas vezes, chegando sempre depois da hora da minha saída e fazendo-me esperar indeterminadamente. Não merecia os raspanetes completamente descontextualizados em frente a quem quer que estivesse lá no estabelecimento nesse momento. Nem que me imputasse responsabilidades que só lhe cabiam a ela, sem nunca me agradecer ou ter uma palavra de elogio. Entre muitas outras coisas que, contando, ninguém acredita.

Por muito que a pessoa pense no futuro, de quão difícil está arranjar emprego, na ingratidão que parece estar a deixar um emprego certo quando há pessoas a querer trabalhar e sem oportunidade para tal, chega um dia que cai a última gota de água que faz o copo transbordar. Um dia chega. E não tendo despesas por aí além, não tendo contas para pagar nem ninguém para sustentar, não estou assim tão necessitada de um emprego a ponto de me sujeitar mais um dia que seja a ser escravizada. Trabalhar anos para uma pessoa que só abusa de nós e da nossa boa vontade, semana, feriados, fins de semana, para nem o salário mínimo receber, e ir aceitando estas situações só nos traz frustrações, má disposição e uma autoestima a roçar na lama. Temos que nos valorizar! 

Sou jovem, tenho um curso superior, sou saudável e não tenho medo de trabalhar, alguma coisa me há-de aparecer. E é como diz o ditado: "Quem muda, Deus ajuda" e que assim seja. Às vezes precisamos mesmo de deixar o que temos para encontrar algo melhor. 

14 comentários:

  1. Na minha opinião, que não conheço mais da tua vida do que o que vou lendo por aqui, fizeste bem, M. Há meses, tantos que se calhar até já se contam em anos, que se nota que não és feliz nesse sítio e que a tua patroa (e alguns dos teus clientes...) não te tratam com a dignidade que mereces. Até a uma "rubrica" aqui no blogue isso deu origem!

    Posto isto... Força, M! Sê feliz :)

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    1. obrigada! Tenho a certeza que tomei a decisão certa e só me arrependo de não o ter feito há mais tempo. Obrigada por estares desse lado, pelo cometário e pela força :) Só por isso já vale a pena ir alimentando este espaço e expondo tanto de mim.

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  2. Na minha opinião, fizeste bem! Não fui sujeita ao que tu foste, mas sei o que é trabalhar num local que não nos faz bem. Espero sinceramente que encontre algo rapidamente. Pensamento positivo e força!

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  3. Acho que tomaste a decisão certa! Se não é isso que queres para o futuro e não estavas bem, não valia a pena. Assim podes concentrar todas as tuas forças na procura de algo melhor :) boa sorte querida M.!

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  4. Acho que fizeste bem. Desejo-te muito sorte :)

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  5. Felicito-te pela coragem. Concordo quanto dizes, já devia ter sido há mais tempo. Não vale a pena estarmos sempre a arranjar desculpas para não sairmos dum beco de infelicidade. Parabéns pela ousadia !! É a sorte sorri aos audazes! Beijinhos

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  6. Bravo! Sempre ouvi dizer: quem está mal, muda-se. E foi o que fizeste, e bem! Tenho a certeza que com a tua entrega e capacidade de trabalho encontrarás alguma coisa brevemente :) Força nisso!

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  7. Seguiste o teu coração por isso só te podes sentir bem. Não nos podemos prender para sempre a um lugar que nos corrói, para além do corpo, a alma. Força, vais encontrar outra coisa em breve!

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  8. Não conhecia o ditado mas não podia acreditar mais: "Quem muda, Deus ajuda!", que assim seja! Muitas vezes o que nos abre os olhos para a situação (má) em que estamos são os sinais do nosso corpo e aí temos mesmo de parar, porque em primeiro lugar, como disseste e bem, tem de estar a nossa saúde.
    Não é fácil tomar a decisão que tomaste e muito menos é aguentar um trabalho só por necessidade mas podes crer que irás conseguir algo que te deixe mais feliz. Estou a torcer por ti e envio-te as melhores energias positivas :)
    Beijinhos*

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  9. Realmente o "Não me pagam para isto" já ia no número 36...
    Eventualmente arranjas emprego a fazer o mesmo mas, noutro local e pagam-te melhor e acima de tudo és mais bem tratada!

    http://confessionsinpink.blogspot.pt/

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  10. Sei bem o que isso é, também vou ter de sair do meu mas por motivos de saúde ! Mas sei bem o que é não valorizarem o nosso trabalho ! Boa sorte, certamente que irás arranjar uma coisa melhor *

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  11. Alô! acho que fizeste muito bem.. se ainda não tens essas responsabilidades todas de contas para pagar, não tens nada a perder! eu ando a pensar seriamente no mesmo...já ando saturada do meu trabalho, de estar sempre a fazer horas a mais, de quando uma pessoa erra cai tudo em cima, mas quando uma pessoa dá mais horas à casa nunca haver um agradecimento... acho que se não nos sentimos bem no nosso local de trabalho é meio caminho andado para as coisas não correrem bem! Sei que na minha área é muito difícil arranjar alguma coisa, por isso já pondero tudo e mais alguma coisa. Mas compreendo perfeitamente o que escreves e retrato-me bastante! Boa sorte para o que aí vem!! Beijinho

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  12. Fizeste bem. Percebia-se que já estavas mesmo saturada! E, é como dizes, como não tens medo de trabalhar, rapidamente te surgirá outra coisa :)

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  13. Ler isto quando ainda por cima já li os posts com os desenvolvimentos da história ainda reitera mais o que te diria de qualquer forma: fizeste bem porque quando as coisas chegam a tamanho ponto de rutura não faz sentido estar em tanto sofrimento!

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