sexta-feira, 15 de julho de 2016

como as coisas mudam

Cada vez que vejo as publicações que a minha afilhada de 12 anos e as amiguinhas dela fazem no instagram/facebook/snapchat dou graças da Deus por ter vivido a minha adolescência longe de computadores e telemóveis, a correr no campo da minha avó e enfiada em casa de amigas a ver filmes e a inventar músicas. Apodera-se de mim uma sentimento de vergonha alheia tão grande quando vejo certas coisas mesmo de pitas, aquelas conversas parvas, aquelas coisas ridículas do "avalio de 0 a 10" ou "troco elogios no chat". Menos, muito menos. 

Passam o dia com os amigos na escola, chegam a casa e têm internet ao seu dispor, só conversam o dia todo pelo chat do facebook ou whatsapp e até fazem videochamadas. E depois dizem que nas férias têm mesmo que sair, que precisam de falar com os amigos. Eu via as minhas amigas de longe a longe, nas férias. Às vezes íamos para casa umas das outras, mas não era sempre nem tão frequente como vejo agora. Não havia facebook nem telemóveis com mensagens "grátis" e muito menos era comum passar o dia em frente ao computador com internet, sempre a comunicar. Víamos os nossos amigos quando o rei fazia anos, quando os pais deixavam ou nos encontrávamos por acaso em qualquer lado. E não morríamos! Era perfeitamente capaz de passar os três meses das férias de Verão vendo as minhas amigas por três ou quatro vezes. Depois é que vieram as mensagens "grátis" e aí sim, já nos falávamos mais vezes. Mas nessa altura já eu tinha 14/15 anos.  Criei facebook quase com 18 anos. Whatsapp tenho há meia dúzia de meses e só criei conta no snapchat há umas semanas. 

Agora digam isto a uma miúda de 12 anos que nasceu no meio das tecnologias. Correr, brincar no jardim, jogar à macaca, saltar à corda, tudo isso parece coisa de homens das cavernas. Expliquem a uma miúda de 12 anos que não tinham telemóvel até ter 13 anos e, mesmo assim, era usado só para dar toques e raramente estavam carregados com dinheiro. E que só tiveram computador com 14 anos e este só servia para jogar e fazer trabalhos da escola. A internet, em minha casa, chegou muito depois. 
Com 23 anos, sou um fóssil. 

5 comentários:

  1. Oh, eu acho que não é tão assim. As crianças hoje nascem para um mundo altamente dominado pelas tecnologias digitais (e a culpa também é dos pais que começam a dar telemóveis e tablets para as mãos dos bebés para os entreter), mas se disser à minha prima de 11 anos para irmos saltar à corda ou brincar no jardim ela vem e diverte-se

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  2. Concordo exactamente com tudo o que disseste.

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  3. Também tenho uma prima que publica coisas que são do arco da velha. Ao ponto de eu elucidar a mãe mostrando-lhe a página do instagram e a do ask.fm. Enfim, o resto é história. Parece que é a normalidade agora.

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  4. Concordo a 100% com as tuas palavras e para mim não faz sentido que se nasça com acesso a tanta tecnologia.

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  5. São realidades bem diferentes mesmo. No entanto acho que ainda há crianças que gostam de sair e fazer outras coisas... acho que vai da educação também. Até porque tudo o que é de mais enjoa... ;) Mas lá está, compreendo perfeitamente o que queres dizer, e reconheço que há algumas assim...

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