sexta-feira, 6 de maio de 2016

que confianças!

Gosto muito de receber em minha casa as pessoas de quem gosto. Gosto de jantaradas, de visitas, de marcar coisas com as minhas pessoas, recebê-las na minha casa. Enfim, gosto de ter em minha casa pessoas que eu própria convidei para lá irem. Detesto pessoas que impõe a sua presença e acho uma falta de educação e de consideração as pessoas que aparecem a toda a hora sem se anunciarem.
Não há telefones? É tão mais educado ligar e perguntar se pode passar lá em casa, que queria dizer isto ou aquilo, que tinha saudades, que queria entregar alguma coisa. 

Eu sou incapaz de aparecer à porta de alguém sem confirmar primeiro se posso, se dá jeito à pessoa, se está disponível. As famílias passam o dia afastadas, à noite é o momento de estarem todos em casa, porem as conversas em dia, de descansar, de fazer algumas tarefas. E os fins de semana igual. Aparecer assim, sem ninguém estar a contar, é uma falta de noção. Sabem lá se as pessoas estão bem dispostas, se não têm já coisas marcadas, se não preferem nesse dia estarem sozinhas ou a tratarem de assuntos pessoais, enfim. E uma casa é um refugio. Eu não quero em minha casa toda a gente! Mas nem todas as pessoas entendem isto. 

Fui educada num meio familiar muito próximo e sempre vivi perto de pessoas da minha família, como a minha avó e alguns tios. Vivi parte da minha vida enfiada em casa da minha tia, com a minha prima, ou em casa da minha avó. Esta familiaridade de frequentar a casa de outras pessoas a qualquer hora era muito comum quando vivíamos, literalmente, colados uns aos outros. Mas, ainda assim, há regras de boa educação. Não aparecia à hora de almoçar ou jantar, por exemplo, a não ser que fosse convidada. Não ia a casa das pessoas de manhãzinha ou ao fim do dia quando as pessoas querem ir para a cama. Vejo pela minha avó, coitada, que tem sempre as portas abertas e muitas vezes está a dormir de pé mas não pode ir para a cama porque os meus tios aparecem a qualquer hora e ficam quanto tempo lhes apetece. É feio. É desconsideração. As pessoas nem sempre estão para nos aturar, podem ter outros planos e, enfim, estão na casa delas e elas é que sabem o que querem fazer, quando, como e com quem. Fazer-se de convidado é feio em qualquer situação.

Já avisei muitas vezes que, quando tiver a minha casa, não quero que as pessoas se ponham com ideias de aparecer a toda a hora sem me perguntarem primeiro se sequer estou em casa. Nada de confianças, senão não nos desamparam a porta. Pode parecer extremo, mas preservo muito a minha intimidade e a minha "bolha de segurança e conforto".

5 comentários:

  1. Eu tenho disso na minha família...aparecem do nada aos fins de semana e com planos....quanto mais não seja ficarem plantados de sofá o dia todo em casa dos meus pais...ah, e mais engraçado ...não estar ninguém em casa , toca o telefone da minha irmã , ela atende e ouve:" olá somos nós, estamos aqui à porta de tua casa com uns frangos da tal churrasqueira " . Felizmente moro a 60 km disto.

    ResponderExcluir
  2. Nunca passei por isso e ainda bem. Quando vivia com os meus pais as amigas da minha mãe sempre tiveram o hábito de aparecer lá em casa para falarem de alguma coisa, para darem coisas da sua horta que acabariam por se estragar se não o fizessem e a minha mãe igual, mas sempre houve o cuidado de ambas as partes ligar antes de aparecer porque lá está: as pessoas têm a sua vida e nem sempre dá jeito aparecer em casa das pessoas.

    ResponderExcluir
  3. há pessoas sem noção -- elas sabem lá se tu as queres receber

    ResponderExcluir
  4. Não tenho essa experiência, mas deve ser muito chato mesmo...

    ResponderExcluir