terça-feira, 26 de abril de 2016

Para aqueles adolescentes (tipo o meu irmão) cheios de pressa de crescer

Há sempre uma altura na nossa vida (normalmente na adolescência) em que queremos muito ser adultos para termos liberdade de fazer o que quisermos, vivermos a nossa vida como bem nos apetecer e não termos que prestar contas a ninguém. Fazer 18 anos é o passe para a liberdade tão desejada, agora é que vou ser dono de mim e fazer o que me apetece. Yeah right! 
Ser adulto, ser crescido, tem muitas vantagens. Mas normalmente, quando se atinge essa meta, não era bem aquilo que estávamos à espera. Há imensas coisas boas de ser criança/adolescente e que nós só damos valor depois de adultos. Ser adulto é uma valente chatice, na verdade.

Já não há obrigatoriedade de ir à escola e fazer trabalhos de casa, mas há empregos e é bem pior. Fingir de doente para ficar em casa não tem consequências quando faltamos à escola, mas faltar ao trabalho é muito pior porque significa não receber esse dia e ainda ficar mal visto perante a entidade patronal (que, em casos extremos, até pode mesmo despedir-nos). Sem contar que a escola tem um prazo, sabemos que "mais x anos e acaba", mas quando não se gosta do trabalho que se tem e não há outro à vista, é um beco sem saída. Arrastamo-nos para o trabalho, dia após dia, sem saber quando vamos poder sair dali. 
Ficar mesmo doente não é sinónimo de dia livre, mas sim de ter que ir na mesma arrastar-se para as obrigações do dia: há na mesma uma casa para tratar, almoços e jantares para fazer, trabalhos para onde ir, filhos para cuidar. O mundo não pára porque nos dói a cabeça. 
Ser adulto significa tratar de um sem fim de papeladas e burocracias chatas que antes faziam os paizinhos e agora é nossa responsabilidade: Segurança Social, Finanças, IRS e tretas que tais são todas da nossa responsabilidade. Já ninguém nos leva a fazer o cartão do cidadão ou nos avisa dos prazos para isto ou aquilo; nós é que temos que estar preocupados e atentos a essas coisas todas. Idas ao médico, marcação de consultas, idas à farmácia, tudo depende de nós, adultos livres! 
E as coisinhas todas que são necessárias para fazer aquele almocinho bom que a mamã ensinou? Pois, é preciso ir comprar, que os armários não se enchem sozinhos. De repente já há um sem número de contas para pagar e a gente nem sabe onde raio foi que o dinheiro se meteu.

Quando somos crianças, fins de semana são uma seca. Não há amigos da escola para brincar, só visitas a casa de avós e tios velhotes, passeios de vez em quando e muito tempo em casa, que seca. Em adulto, os fins de semana são pequenos demais para os passeios entre a cama e o sofá! Passamos a semana a desejar aqueles dois dias para descansar, para passear, para ir a casa dos avós e tios velhotes (quem ainda tem a sorte de os ter!) e depois parece que esses dias são antes duas horas, de tão rápido que passam e nós só tivemos tempo de dobrar roupa, limpar a casa e preparar refeições para a semana. 
Precisamos de roupa? Temos que ser nós a gastar o nosso dinheirinho! Quando surge alguma despesa não planeada é o fim do mundo em cuecas para encaixar aquilo no budget já tão bem organizadinho desse mês. Já temos carta (o sonho de tantos adolescentes) e carro, mas eles não andam a ar e é preciso pagar seguros, inspeção, arranjos quando necessário... Renovar a carta é outra seca. 


Tudo isto para dizer que sim, ser adulto é super awesome, mas essa liberdade tão desejada tem um preço. E o preço para termos a nossa liberdade, de entrar e sair à hora que quisermos, de não ter que dar justificações a ninguém porque a casa é nossa e a vida é nossa é o preço de uma renda, da luz, da água, do gás, da alimentação, do carro, do combustível... E ainda assim há sempre alguém a quem temos que nos justificar: há um patrão, um supervisor... e a não ser que sejam solteirinhos da vida, há outra pessoa na relação com quem contar, por vezes até filhos. Na verdade, ser adulto é como ser adolescente, mas com mil chatices mais! 

6 comentários:

  1. tudo o que disseste aqui é completamente verdade. ser adulto as vezes é horrivel mesmo! para mim o pior é ter de "cuidar de mim"... ou seja, lembrar-me que tenho de lavar a roupa, comprar comida, dobrar e arruamar a roupa, fazer o jantar, limpar a casa... esse tipo de coisas para mim é o que mais me irrita!

    beijinho

    ResponderExcluir
  2. Tão verdade.. mas ser criança é mesmo isso, é ser inocente a ponto de pensar que ser adulto é melhor. Mal eles sabem.. ai os 18, melhor idade de sempre!

    ResponderExcluir
  3. omg adorei o teu texto!! É mesmo verdade... "Na verdade, ser adulto é como ser adolescente, mas com mil chatices mais! "

    ResponderExcluir
  4. Tudo verdade...pensamos que vamos finalmente ser livres ..mas é quando começa a verdadeira escravatura ..

    ResponderExcluir
  5. Eu não tenho saudades de ser criança, e muito menos da obrigatoriedade de fazer o que quer que seja só porque os pais diziam que tinha que ser. Mas morro de saudades da universidade!

    ResponderExcluir