terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Para quem já está/vai começar a escrever uma tese (é grande mas ajuda!)

Esta que vos escreve é a pessoa mais stressada à face da terra. Gosto de ter tudo planeado até aos pequenos pormenores, gosto de saber com o que contar, gosto de organização e gosto de me sentir no controlo da minha própria vida. Por isso mesmo, e tendo em conta que uma tese exige muito mais do que só a nossa força de vontade, houve momentos em que me senti perdida e que, após tentativas e tentativas falhas, frustrações e ataques de choro, pensei para mim mesma "quem me dera que me tivessem dito isto antes!". Como não quero que vos falte nada, pensei escrever isso mesmo: coisas que gostava que me tivessem dito antes de eu começar a escrever a minha tese e não aprendido à força da pancada e por tentativa e erro, e mais umas dicas que fui aprendendo ao longo do caminho. Quem ainda não está nesta fase, guarde o post para um dia mais tarde ou para mostrar aos amigos que possam estar a fazer as suas; são dicas valiosíssimas :) 

Ora então, relativamente à parte mais prática da coisa:
  1. Começar com um tema que gostamos!
  2. Escolher como orientador uma pessoa disponível e que possa ajudar em tudo o que for necessário (pena é que nem sempre se acerta, mesmo que tentemos)
  3. Começar desde logo a pesquisar o que já foi feito dentro do tema que escolhemos, decidir que variáveis estudar, definir objetivos de estudo (que são flexíveis e vão mudar com o tempo)
  4. Fazer uma revisão da literatura com base em autores fidedignos, ir estudar as origens, procurar integrar autores e trabalhos mais antigos e mais recentes.
  5. Começar a escrever o mais rapidamente possível! Eu sei que é difícil começar, não sabemos muito bem como o fazer, mas basta começarmos por definir conceitos, por exemplo. Depois vai-se limando arestas, escolhendo frases mais compostinhas, tudo se modifica!
  6. Não pensar que o que já fizemos é imutável. Uma tese é um work in progress e vão ser feitos ajustes até ao último dia, mesmo nas coisas que achávamos que já estavam bem feitas desde o dia 1. E, por isso mesmo, não desesperar! Há frases que vão mudar de sítio, vai haver dificuldade em criar um fio condutor para algumas ideias se conjugarem, mas tudo se consegue com calma e muita paciência.
  7. Não deixar a recolha da amostra em segundo plano. Para quem pretende fazer estudos exploratórios, sejam eles quantitativos ou qualitativos, a amostra é essencial. Não vale a pena fingir que temos muito tempo e que depois pegamos nisso. Mais vale começar desde logo a tratar da recolha porque são coisas demoradas e que implicam tarefas chatas e por vezes longas. Tratando-se de pessoas, é ainda mais difícil saber com o que contar. As pessoas são normalmente resistentes a participarem em estudos, têm medo de avaliações e não gostam de perder tempo. Vai haver desistências e alguém que não responde a todas as vossas questões ou responde de forma desadequada. Be prepared para essas tretas todas.
  8. No mesmo seguimento, não deixar a análise de dados para o fim ou muito próximo da data limite de entrega. É muito fácil pensar que se tem tempo e, se não gostam de análise estatística ou de fazer transcrições de entrevistas e coisas do género, a tentação para deixar os dados a marinar é ainda maior. Mas é preciso ter tempo para entender os dados, estudá-los bem, decidir as análises a fazer, como fazer e depois meter tudo isso no papel. É uma seca mas tem que ser.

  9. Fazer uma discussão de resultados com calma. Pensar bem nas conclusões, usar autores que referimos na parte introdutória para os justificar. Na maior parte dos casos vai ser preciso voltar a fazer pesquisa para encontrarmos autores que justifiquem alguns resultados obtidos e, nessa altura, já estamos mais que fartos da tese, mas é o trabalho final! Também é importante não meter para lá palha, andar a encher chouriços, só porque são preguiçosos e não querem procurar mais referências. Isso depois reflete-se na nota.

  10. Ter calma! Acima de tudo uma tese é um processo moroso, que exige muito tempo e muito sacrifício da nossa parte. Temos que ter em mente que não é por estarmos fartos dela que ela se vai fazer sozinha. 

  11. Se formos fazendo todos os dias um bocadinho, se todos os dias riscarmos uma tarefa que temos que fazer para a tese, custa menos. Há que saber organizar o nosso tempo, definir metas e objetivos. Tudo se consegue mas com organização custa menos e é mais rápido. 

E agora a parte mais emocional da coisa. Convém ter #thesisbuddies, aquelas pessoas que estão a passar exatamente pelo mesmo para descarregar frustrações e pedir ajuda. Ou alguém que já fez uma tese e vos pode assegurar que tudo vai correr bem. Ou pessoas queridas no geral para aturarem as vossas más disposições. É importante saber relativizar as más disposições, mau humor e descargas emocionais que acontecem sem qualquer previsão. É normal! É um período de grande stress e muita pressão, em que parece que não há fim à vista, por isso é normal que se sintam pressionados e acabem por desabar em algum momento. Há que saber dar o devido tempo para a poeira baixar e recomeçar quando estivermos com mais condições. Por isso é muito importante saber parar, ir tomar um café com os amigos, descansar, namorar, estar com a família, fazer pausas para ver filmes e comer tudo o que estiver na cozinha (muito cuidado com a ingestão alimentar compulsiva no uso de comida como conforto, é fácil entrar numa espiral de problemas de saúde deste tipo e de engordar uns quilos só nesta brincadeira). A tese não vai a lado nenhum enquanto vocês estiverem a cuidar da vossa sanidade mental, podem recomeçar quando se sentirem melhor.
E, por fim, ter em mente que nunca ninguém morreu a fazer uma tese (de tédio, talvez, mas nada mais que isso) e vocês não serão os primeiros. Muita calma nessa hora! E pensem, se aquela pessoa estúpida do vosso curso/que vocês conhecem/que é de anos mais avançados conseguiu acabar, vocês também conseguem. Isto ajudou-me imenso :) ahaha 

Asseguro que a sensação de dever cumprido vale mais do que qualquer momento depressivo que possam ter passado durante esse período difícil da vossa vida académica. Se forem como eu, até vão chorar só de colocar o último ponto final :) 

8 comentários:

  1. Bem tentei fazer a minha mas desisti :/

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    1. oh :/ Não há motivos para desistir! Tudo se consegue!

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  2. Vou guardar e enviar a amigas :P

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    1. linda menina :p ahaha Boa sorte para as amigas.

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  3. Uma das razões pela qual nao me meto num mestrado, é a tese.

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    1. é a parte mais complicada e tem os seus momentos em que apetece cortar os pulsos, mas também não é motivo para fugir do mestrado ou desistir! :)

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  4. Vou guardar para ler mais tarde, sem dúvida! Um obrigada gigante!
    Beijinho*

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