terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Odiozinho de estimação

A pastelaria onde eu trabalho é ao lado de um estádio, por isso vou tendo contacto com muitos jogadores de futebol, famílias deles, adeptos em geral e miúdos da formação e famílias. Não tenho propriamente queixa de nenhuma dessas pessoas (tirando os arruaceiros que vão aos jogos e aos estabelecimentos apenas para causar o pânico e a confusão - que há muitos, às vezes até somos obrigadas a fechar e há polícia e tudo envolvida). Mas ter esta proximidade com estas pessoas fez-me ganhar um odiozinho ao futebol. Não ao desporto,  mas ao que o envolve.

Vejo constantemente discussões entre pais "porque o meu filho fica sempre no banco e o filho do fulano tal joga sempre, aquele manco! Nem sabe onde anda a bola, mas joga sempre! Aquele treinador é isto e aquilo". Chegam ao ponto de insultar crianças, só porque essa dita criança joga mais tempo ou mais vezes do que os seus filhos. Já vi pais ameaçarem de porrada os filhos de outros, treinadores e diretores, porque o filho de 6 anos fica mais vezes no banco do que em campo. Se isto não é levar o futebol ao ridículo não sei o que será. 

Depois, vejo autênticas crianças chegarem lá ao estabelecimento cheias de vaidades e arrogância, a falarem torto e como se fossem superiores a quem os atende só porque são da formação e andam com o equipamento do clube. Ainda mal sabem escrever o nome, mas já se acham vedetas. Não há como não os adorar. 

Quanto aos jogadores da equipa principal, tenho sentimentos mistos. Já fui maltratada por um que se achava um Messi desta vida, mas nem tinha dinheiro para pagar o café porque o clube estava com salários em atraso. Isto é o que mais me enerva: são jogadores da segunda liga, alguns deles não têm onde cair mortos e nem o 12º ano têm completo, mas acham-se umas estrelas porque são jogadores de futebol e isso, na cabeça deles, dá-lhes o direito de falarem para os outros como querem e bem lhes apetece. Claro que também há os outros, os simpáticos e educados, de quem não tenho a mínima queixa. São pessoas normais, educadas, simples. Mas aprendi a desconfiar sempre. 
Normalmente os pais deles são pessoas educadas e simpáticas, que ficam muito contentes por conhecerem os sítios que os filhos frequentam e até agradecem por "tomarmos conta dos filhos", por sermos simpáticas e por tratarmos bem deles. As mães são sempre uns amores. Pior são as namoradas/esposas que pensam que são muito superiores porque os namorados/maridos são jogadores de futebol. Todas pensam que serão as futuras Irinas, sem pensarem que até essa foi à vida. Olham para nós como potenciais ladras de namorados/maridos e destruidoras de lares, só porque somos educadas e simpáticas e atendemos os clientes com um sorriso. Tenho alguma pena destas pessoas. E às vezes penso "Se isto é assim na segunda liga, como será na liga principal, com jogadores de topo e onde estão envolvidos milhões de euros?". É assustador.

Depois disto e tantas outras coisas que já presenciei por causa de futebol, torna-se dificil ter sentimentos positivos pelo desporto. Costumo dizer que o futebol devia acabar para sempre e sinto mesmo isso. Acho que o futebol consegue transformar as pessoas. Basta vermos que há pessoas perfeitamente civilizadas e normais que, ao verem um jogo de futebol, ficam verdadeiros brutamontes parvos, que chamam nomes aos árbitros e a pessoas que nunca viram na vida por causa de 90 minutos em que 22 gajos andam a correr atrás de uma bola. O futebol não tem nada de mal, as pessoas (algumas, não todas) que gostam e/ou que se envolvem de alguma forma no desporto é que acabam por dar esta imagem negativa. Sem falar que acho absolutamente ridículo que um jogador de futebol ganhe tanto dinheiro por saber dar uns pontapés numa bola, mas isso já são outras questões. 

7 comentários:

  1. Tudo o que disseste aqui é verdade! Mas as pessoas sao assim.. nao ha nada a fazer :/

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  2. Concordo com tudo o que disseste! Principalmente no que toca aos salários...

    MORNING DREAMS

    Sofia Silva, Beijos*

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  3. De facto não tens razões para morreres de amor pelo futebol.

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  4. É verdade que o futebol consegue despertar o pior de muita gente mas, se não fosse o futebol, seria outra coisa qualquer... o ser humano é assim =\

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  5. O problema não está no futebol nem no desporto, mas sim na personalidade das próprias pessoas. Se não é aí, é na política, na religião, na escola, por jogos de computador ou filmes. O mal está mesmo em nós.

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  6. Eu amo futebol, mesmo. Mas compreendo-te bem. É verdade que toda a área que envolva exposição e alguma notoriedade cria verdadeiros egocêntricos.

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  7. O problema são as pessoas não o futebol :)

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