segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Não me pagam para isto #13

Aquela cliente que pensa que é uma estrela e que me odeia (agora ainda mais).

Não importa se tem muita ou pouca gente, a estrela quer ser atendida assim que os seus pés de princesa pisam o chão da pastelaria. Se calha de a casa estar cheia, a estrela não descansa enquanto não senta o seu belo rabinho. A estrela gosta de atrair atenção, por isso mesmo faz sempre as suas gargalhadinhas histéricas quando começa a sentir os holofotes fugirem da sua área, principalmente se houver exemplares do sexo masculino na audiência (e se lá estiverem os jogadores de futebol, melhor ainda). Não há limites para a estrela: ela é uma diva e merece ser tratada como tal! Aliás, a estrela é um misto de diva com criancinha mimada: o seu leitinho tem que estar à temperatura ideal, nem mais quente nem mais frio; não pode haver vestígios de qualquer nata, por mais pequeníssima que seja, senão aqui a je tem que lá ir tirar uma nova meia de leite; o pãozinho tem que ter 5 fatias de fiambre obrigatoriamente, senão a estrela faz queixa à patroa. É uma mulher odiosa, mãe de filhos já crescidinhos mas que faz mais figuras que as crianças que costumo atender. Nunca nada está do agrado da estrela.

Mas  melhor de todas as cenas que a estrela já fez ocorreu há uns dois ou três fins de semana. Imaginem o cenário: casa cheia, pequena M. sozinha no atendimento a desdobrar-se em mil para atender todos os pedidos. A estrela entra, vê que não tem a sua mesa de eleição livre mas senta-se numa outra ponta. A estrela repara que o seu dispensador de guardanapos está vazio, mas chama a serviçal (eu, claro) para repor guardanapos, quando à sua direita, a dois passos de onde está sentada, se encontra um novo dispensador de guardanapos completamente cheio. A serviçal, aquela insolente, ignora e continua a atender os demais clientes, sem lhe dar importância. Nisto, uma vespa entra no estabelecimento e fica perto da mesa da estrela. A estrela levanta-se e faz o maior escândalo. Porque está ali uma vespa, credo que horror! Ainda para mais a casa cheia, tantos olhos para lhe darem atenção, tantos jogadores da bola ali aquele espacinho minúsculo. Vai daí a estrela chama a serviçal com o seu tom infantil: M., está ali uma vespa! (a arrastar o meu nome, estão a ver? Tipo quando as crianças chamam a mãeeeeee). Eu muito incrédula, a correr de um lado para o outro para atender toda a gente, só me saiu um : e que é que quer que eu faça? Ela ofendidíssima,  começa muito alto: que a mates!!! (tipo, obviamente que quero que a mates, mas és burra?? Esta criadagem...). E eu, farta das merdas dela só lhe digo: no meio desta confusão toda, quer que eu pare o que estou a fazer para matar uma vespa?? E ela, novamente muito escandalizada, cheia de razão: claro!!! Nisto começa a olhar para toda a gente à espera de aprovação, mas as pessoas nem lhe dizem nada (acho que ficaram todos parvos com a atitude dela). Voltei costas e continuei o meu trabalho. Até hoje não me fala. Entra, senta-se, eu sirvo o pequeno-almoço (que é sempre o mesmo), ela já sabe quanto é e paga sem abrir a boca. Nem bom dia, nem por favor, nem obrigada; nem uma palavra. Acho que nunca tive uma relação tão boa com a estrela.

2 comentários:

  1. Isto já devia ter acontecido mais cedo, para não teres que a ouvir :D eheh! E sinceramente, se ela não fala, então não devias saber o que é que ela quer.. E deixá-la eternamente à espera :D

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  2. ahaha tenho tantas estrelas dessas no meu trabalho ! Não devias ter respondido mas às vezes o stress é tanto que acabamos por responder .

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