quarta-feira, 4 de novembro de 2015

A história do gato

Quero começar por dizer que não sou mãe nem tenho nenhum animal de estimação. Apesar dos mil gatos que foram passando por casa da minha avó na infância e de um dia ter tido um gatinho em minha casa, por poucos meses, nunca tive aquela verdadeira ligação com um animal. Mas o meu namorado tem um gato com quem convivo há quase 9 anos e que adoro, o que, não sendo a mesma coisa, é o mais próximo que alguma vez tive de um animal de estimação. 

Isto tudo para dizer que sim, eu compreendo que as pessoas se afeiçoem aos animais, que gostem da presença constante dos bichinhos, que os passem a ver como parte da família porque estão sempre lá, querem cuidar e proteger. Percebo muito bem a aflição de se verem sem os animais, quer eles fujam quer morram. Percebo perfeitamente! Quando o gato do meu namorado teve que ser operado e voltou para casa mais morto que vivo, fiquei com o coração apertadinho, com medo que estivesse a sofrer. Por isso percebo, sei que custa. E obviamente ninguém quer perder partes da sua vida, sejam elas pessoas ou animais. Mas custa-me perceber esta comparação dos animais de estimação com pessoas. Aceito mas não compreendo. Principalmente quando comparam animais a filhos. Um gato ou um cão nunca serão filhos. Ponto. É estranho. É quase como se estivessem a diminuir a importância de um filho ao compararem-no com o amor que se sente por um animal de estimação. 

Sei que esta minha opinião não é consensual e sei que há por aí muitas pessoas que me vão criticar e dizer que se nunca tive um animal de estimação não sei como é. Mas baralha-me o sistema esta coisa de igualarem pessoas a animais, pronto. E que venha aquela pessoa comparar o desaparecimento de um gato com o desaparecimento/doença/morte de um filho. Não é normal! Não pode ser comparável! Porque não é igual, não tem a mesma importância, desculpem mas não tem. Mais uma vez, eu não sou mãe, mas então e aquela conversa dos filhos serem "o amor maior"... deixa de ser verdade quando se tem um animal? Os filhos E os gatos é que são "o amor maior"? E aquelas pessoas que foram para lá comentar que fez bem a pessoa acabar com o relacionamento com o namorado (que eu percebo perfeitamente, a questão de já não confiar, de estar magoada pela falta de cuidado perante um animal que era tão amado e daí já não conseguir perdoar pela perda) "porque homens vão e vêm mas gatos são para sempre"? Oi?? Isto é tudo amor aos animais ou falta de amor de espécie humana? Sinceramente não entendo. 

Não estou a gozar ou criticar o amor incondicional que muitas pessoas dizem sentir pelos seus amiguinhos de quatro patas. E sim, também acho que os animais devem ser acarinhados, cuidados, protegidos e sou muito a favor da luta pelos direitos dos mesmos. Não, não sou uma heartless bitch nem estou a gozar com o sofrimento de quem perdeu o seu bichinho de estimação porque com isso não se brinca. Não é a aflição de perder um animal ou o amor que se tem a um animal de estimação que estão em causa, mas sim a comparação dos mesmos com seres humanos, que é algo que pessoalmente não entendo, não consigo perceber. 

6 comentários:

  1. perdi o meu bichano na passada sexta feira....não querias nem saber nem sonhar o quanto sofri...o quanto a casa ficou vazia :(

    Quanto a filhos não tenho, mas nunca senti uma dor tão grande em perder algo...foi e ainda é uma angustia e um sufoco entrar em casa e não ter aquele bichinho a ronronar, miar e a dar cabeçadas nas pernas...não sei o que é ter o filho, mas aposto que é bem pior sofrer por eles quando estão doentes, quando não se pode fazer nada ou não se consegue saber o que têm!
    Por enquanto uma das minhas maiores dores foi mesmo perder o meu PRIIMEIRO animal de estimação... :'(

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  2. Se bem que há animais melhores que certos humanos, né? :/

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  3. Se as pessoas disserem que tu achas isso por nunca teres tido um animal de estimação então vejam a minha situação.
    Eu tenho 5 cães e uma gata e sempre tive animais em casa, cresci com gatos e cães, passei toda a minha vida com eles. Gosto muito deles, trato-os super bem, ensino-os, nunca os deixo passar mal e dou-lhes tudo e mais alguma coisa. Mas não, não os trato da mesma maneira que trato as pessoas. Uma vez um gatinho meu desapareceu por culpa da minha irmã e eu nunca a culpei por isso. Não durmo com eles na minha cama e nem gosto que eles estejam sempre no sofá, gosto de separar as coisas e não é por isso que gosto menos deles. Até porque se os tenho é porque quero!

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  4. li isto e acho que acabei de perder o meu gato, e não estou a gozar!

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  5. Não vou falar acerca de animais, não tenho perda de gato agora recentemente, mas sim de uma cadela.
    Mas pronto é complicado.

    xoxo ❤, Sophie*
    http://www.wordsofsophie.com

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  6. Também gosto muito de animais, não consigo conceber que alguém seja capaz de os maltratar ou de os desrespeitar, mas daí a essa comparação com filhos também acho que vai uma grande distância. Sinceramente achei todo o discurso da senhora muito exagerado, só desculpável mesmo pelo mau momento que está a passar - sim, claro que isso consigo perceber, que se sofra bastante com a perda de um animal - associado ao facto de, ao que parece, estar a passar também por uma depressão.

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