segunda-feira, 25 de maio de 2015

Que vale o momento da inveja passa rápido e depois volto ao meu "eu" sensato


Gosto de ser (cada vez mais) independente, que gosto. Gosto de puder comprar o que me apetecer sem ter que pedir dinheiro nem dar justificações a ninguém, que também gosto. Mas caramba, às vezes dá-me uma inveja dos meus amigos "privilegiados". Aquelas pessoas que têm sempre dinheiro para ir às festas e aos jantares, que andam sempre de roupinha nova, que vão de férias e ao cinema todos os fins-de-semana. A verdade é que trabalho há relativamente pouco tempo e até lá eram sempre os meus pais a financiar tudo. Mas precisamente por causa disso, nunca abusei. Despesas grandes (transportes e propinas) era eu que pagava com o dinheiro da bolsa e os meus pais davam-me dinheiro para almoçar e compravam-me roupa quando era necessário. Jantaradas e saídas, nunca, porque eu recusava-me a pedir. E sei que já assim me deram muito!
Gosto de ter as minhas coisas e saber que são fruto do meu esforço. Cada pequena coisa que se conquista com o nosso trabalho tem muito mais valor, é verdade. Nada se compara à sensação de dever cumprido, aquele sentimento após conseguirmos juntar dinheiro para algo que queríamos muito, há meses, e finalmente é nosso porque trabalhamos para isso. O valor é outro. Mas há dias, momentos vá, em que tenho inveja daquela malta que tem tudo de mão beijada sem se chatear muito. É que parecendo que não, esta coisa de ter que juntar dinheiro para os pequenos luxos enquanto se paga todas as outras despesas, demora. E é tão menos frustrante quando se tem tudo o que se quer no momento exato em que se quer.

4 comentários:

  1. Olha, eu também não entendo a vida que vejo certas pessoas a fazer .. é jantares todos os fins-de-semana, noitadas, passeios ..
    Credo, eu gosto de usufruir mas também fazer o meu pé de meia :)
    Acho que fazes bem! Devemos aproveitar mas também termos algum de lado!

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  2. Meu Deus como eu te compreendo!!!
    Eu sinto e penso precisamente da mesma forma. Ainda não sou independente porque continuo a estudar e não ganho nada para já mas é com a bolsa que me tenho de orientar (e com o dinheiro que tenho dos trabalhos que ao longo dos anos fiz e guardei).
    Se é verdade que é ingrato e há alturas em que custa muito ter de assistir à diferença abismal de "possibilidades" que nós temos e os nossos colegas/amigos/conhecidos têm de nós, porque custa. Também é verdade que podemos ter a certeza de que somos mais "ricas" intelectual" e mentalmente do que eles, que estamos mais preparadas para o que der e vier, porque já passámos por muito e que nada nem ninguém poderá nunca tirar-nos o mérito do que já conseguimos. E como me diz sempre o meu homem, pessoas como nós, são especiais. Porque apesar de todas as dificuldades, de tudo o que nos tivemos de privar, de todos os obstáculos já conquistámos muito e tudo só à nossa custa, pelo nosso trabalho e esforço. Por isso, nunca nos podemos querer comparar com os nossos "amigos" que têm tudo e sempre tiveram de mão beijada, que não têm de se preocupar com o que podem ou não podem fazer, com o que têm de pagar, com o que são capazes de suportar, porque essas pessoas têm a vida muito facilitada. E oxalá nunca tenham de enfrentar uma fase mais difícil porque não estarão preparados para ela e pode-lhes correr muito mal. Enquanto que a pessoas como nós, já calejadas e habituadas aos percalços, por mais contrariedades que apanhemos pela frente, havemos sempre de arranjar forma de dar a volta por cima, como já temos feito tanta vez.
    Força, beijinhos e parabéns, és uma pessoa especial (não te esqueças!) :)

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  3. Entendo-te bem. Eu já trabalhei e durante esse período conseguia ter os meus pequenos luxos e dei um pouco de paz aos meus pais. Muitas vezes abdicava de várias visitas de estudo porque não queria que eles gastassem dinheiro e quando tive bolsa ajudava bastante a minha mãe. No que toca a gerir dinheiro acho que tive uma boa educação e é dificil, mas lá vou fazendo esforços. È muito bom ser-se independente. Mas há coisas que eu deixo para trás porque são demasiado fúteis. E claro, tenho sempre um pouco de inveja das pessoas mais privilegiadas que conheço, que nem tem de trabalhar enquanto estudantes porque os pais lhes dão tudo e mais alguma coisa. Eu pessoalmente gosto de trabalhar e louvo as pessoas que se esforçam para ganhar o seu dinheiro. De outra maneira é tudo demasiado fácil.

    P.S. Se puderes passa no meu blog, coloquei uma questão aos meus visitantes e agradecia a ajuda! Obrigada *

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  4. Eu admito que acho revoltante o facto de a juventude não dar importância ao ESFORÇO que os pais fazem para os mimar.

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