sexta-feira, 28 de novembro de 2014

O melhor da adolescência é que acaba (para alguns, pelo menos)

É certo que sou uma pessoa com pouca tolerância e fico facilmente irritada com as mais variadas coisas. É um facto, não há como negar. Mas se há coisa que me tira a paciência são adolescentes armados em parvos. Eu já fui adolescente e sei que passei por uma fase em que achava que já sabia tudo, que era super crescida e tinha um feitio (ainda mais) difícil de aturar, mas há coisas que são completamente irritantes nestes miúdos  e que (quase) todos passam por isso. Ora vejamos:


  1. Têm um desejo de atenção que enerva. As pessoas têm que estar sempre a falar com eles ou sobre eles, acham que o mundo gira à sua volta. Precisam de atenção constante e se não a têm arranjam forma de a conseguir. É assim que chegamos ao ponto número dois.

  2. Os adolescentes só sabem comunicar aos gritos. Não falam calmamente, não conversam sossegados, gritam uns para os outros para que todas as pessoas num raio de 5kms consigam ouvir (como se tivessem coisas muito interessantes para dizer).

  3. Raramente sai alguma coisa iluminada daquelas cabecinhas, mas acham que sabem sempre tudo.

  4. Vivem em rebanho: todos se vestem de forma idêntica, os penteados são os mesmos cabeça sim, cabeça não, o vocabulário não varia muito e têm sempre uma nova palavra esquisita que misturam nas suas conversas completamente fora do sentido (por exemplo, pêga - não sei se é assim que se escreve mas é assim que se lê. O meu irmão usa muito esta. "Que mochila pêga, aquele chapéu é pêgo". Na minha altura, pêga era outra coisa). E depois todos fazem a mesma coisa, vão aos mesmos sítios, têm as mesmas opiniões. 

  5. Fazem birras para terem coisas de marca, como mochilas e sapatilhas. Mas depois não são capazes de estimar as coisas: escrevem nas mochilas, nas sapatilhas, andam com aquilo tudo roto passado umas semanas...porque é moda. Ter coisas boas e bem estimadas é algo que a maior parte dos adolescentes não aprecia...muitas vezes nem sequer percebem o sentido de ter coisas bem cuidadas.

  6. Ouvem música esquisita em altos berros nos autocarros, sem auriculares. Ou com auriculares que deixam passar todo aquele barulho para que as outras pessoas possam apreciar aquelas excelentes músicas. 

  7. Contam aos amigos, com um orgulho desmedido, como desobedeceram aos pais ou como uma vez desautorizaram um professor. São logo os heróis, cheios de razão, porque "ninguém manda em mim!". Têm um certo orgulho em caminharem para a delinquência. Se envolver cigarros, charros e umas bebidas alcoólicas, tanto melhor, 

  8. Têm como única ocupação os estudos, mas odeiam a escola. Trabalhar é que é fixe, mas depois quando os mandam arranjar empregos de Verão ou part-time estão repentinamente muito ocupados e super interessados com as coisas da escola. Só lhes é pedido que vão à escola e passem de ano, mas ainda assim acham que têm a pior tarefa do mundo em mãos. 

  9. Andam sempre com as hormonas aos saltos. Precisam de estar sempre em contacto físico direto com alguém. Não basta estarem com os amigos, têm que estar quase em cima dos amigos (funciona melhor com adolescentes dos dois sexos em interação uns com os outros).

  10. Nunca dão valor a nada. Se as pessoas dão um concelho, estão a ser velhas e "cortes". Se os pais os chamam à atenção, são uns chatos. Têm tudo e mais alguma coisa e não estimam nada, não apreciam os sacrifícios que os pais fazem para que possam ter tudo como os amigos e não serem postos de lado. Ainda exigem mais, como se os pais lhes devessem sapatilhas de 100 euros e telemóveis de 500. Normalmente também não são muito de agradecer aquilo que lhes é dado. 
Claro que não serão todos os adolescentes assim, gosto de pensar que há miúdos com juízo e que não se deixam dominar pelas hormonas saltitantes desta fase parva. Infelizmente, estas coisas que escrevo são aquilo que mais vejo no meu convívio com adolescentes (até tenho um em casa, vejam bem a minha sorte). Apetece-me bater-lhes quando vejo estas coisas ou dizer-lhes umas verdades, mas não adianta de nada. Já todos passamos por isso e não foi por nos terem chateado a cabeça com conversas de crescidos que ficamos menos parvos. É esperar que passe.  

3 comentários:

  1. Ahah :P ainda ontem comentava com a minha irmã este mesmo assunto...

    ResponderExcluir
  2. Regra geral, são idades um bocado parvas sim...

    ResponderExcluir
  3. Ainda ontem vim no comboio e no banco atrás do meu vinha um bando (não tem outro nome!) de adolescentes parvos. Falavam tão alto, tão alto. Que abuso! Apeteceu-me mandá-los calar, mas quem sou eu para fazer isso? E, tal e qual como descreves, do que é que vinham a "conversar"? De brincadeiras estúpidas nas aulas. Orgulhosos e contentes porque não-sei-quem disse não-sei-o-quê na aula e um deles desatou a rir que nem um perdido e a professora chamou-o à atenção mas ele continuou a rir-se muito, e muito alto e foi toda uma animação, para desespero da professora, certamente. E lá vinham eles, qual macacos do zoo, loucos e estridentes, a contar o quanto tão mal-educados em pleno comboio. Eu tenho 22 anos e olho de lado para isto... mas depois começo a pensar o que será que pensam aquelas pessoas mais velhas, principalmente senhoras com os seus 50/60 anos, em que no tempo delas não era nada assim. Coitadas, devem ficar para morrer...

    ResponderExcluir