sábado, 16 de agosto de 2014

Gosto de trabalhar onde estou. Gosto mesmo da maior parte dos clientes habituais, da simpatia, das conversas e das piadas. Até não desgosto do que faço, em si; não é nada mau. Mas há dias em que me apetece mandar tudo ao ar. Não gostasse eu, acima de tudo, do dinheiro que recebo e das despesas que este me permite pagar e já não estaria lá.

Há dias em que, mesmo sabendo que não é um emprego mau e que até gosto daquilo, só consigo ver o lado mau. Só penso nos desaforos que tenho que ouvir e calar, nos olhares de superioridade que algumas pessoas me lançam só porque tenho que as servir (como se isso fosse uma coisa menos digna), nas más criações que tenho que aturar. As más criações e superioridades são coisas que me deixam possuída, sejam em que situação for, mas deixam-me ainda mais chateada por saber que vêm de pessoas que acham que me pode tratar como quiserem só porque trabalho ali, mas que trata tudo o que seja Sr. Dr. - mesmo que só licenciados - nas palminhas, quase beijando o chão que essas pessoas pisam. Questiono-me se me tratariam assim se soubessem que já sou licenciada e que estou a um ano de ser psicóloga, também uma dessas Senhoras Doutoras que essas pessoas tanto apreciam. 
Penso no horário que é horrível: entrar às 7h, fazer 12h por cada dia, com 4h de intervalo que nunca dão para nada, sair sempre depois da hora porque há pessoas que não entendem que os estabelecimentos têm horário de fecho (e que não recebo os 20/40/50 minutos que lá fico a mais). Penso que nessas 24h de trabalho que faço em cada fim de semana completo só tenho, no máximo, 20 minutos totais para ir à casa de banho/comer. E mesmo assim é sempre a correr porque pode chegar alguém e não está lá mais ninguém para me substituir. E de como é irritante começar a comer qualquer coisa e ter que pousar tudo e ir atender os clientes.  E de como a minha patroa às vezes é tão irresponsável e em como me apetece pedir-lhe que me pague tudo o que me deve e pôr-me na alheta, acabar com a exploração.

Mas depois lembro-me novamente do dinheiro, em quão bem sabe ser independente, não ter que pedir dinheiro aos meus pais para absolutamente nada e ainda poder comprar coisas que preciso ou que simplesmente quero sem ter que dar justificações a ninguém. E das propinas que ainda tenho que pagar, das contas do dentista que nunca mais acabam, dos passes que vou ter que começar a pagar novamente, etc etc etc. E pronto, lá volto eu a pensar em quão bom é ter a sorte de ter um emprego (mesmo que me arraste para lá todos os fins de semana como se fosse para uma matança) e que não é assim tão mau. Não vejo a hora de começar a trabalhar na minha área.

5 comentários:

  1. Percebo-te tão bem e identifico-me bastante com a tua situação. Mas o tempo passa, e não tarda nada conseguirás aquilo que queres. Força! ;-)

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  2. Pois é esse trabalho ajuda-te a ter a independencia que tanto desejas... eu sei que é dificil lidar com certas pessoinhas... pois eu tb lido com elas todos os dias e há muitos anos. E o trabalho, o esforço extra apesar de nao ser reconhecido e recompensado, o certo é que aos poucos estás a construir a tua vida. Espero que um dia quando fores Doutora, nao esqueças e dês valor a quem trabalha... assim para ter e ser alguem nada vida. FORÇA e BEIJINHOs

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  3. Às vezes temos mesmo de engolir e olhar para a frente ! Pensa quje é tudo para o teu bem :)

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  4. Há esforços que vêm por bem... ainda que neste momento só trabalhe no verão e num sítio que nada tem a ver com a minha área e que na maior parte dos dias não tenho nada para fazer, o que para mim é pior do que se tivesse (odeio estar parada), tento ver sempre o lado positivo... para além de ganhar durante três meses, que para o que faço até é bem pago, sempre conheço outras pessoas, recordo outras e aprendo também outras coisas de outras áreas. Quando terminar o trabalho não sei o que vou fazer, mas parada não hei de ficar!! Força ;)

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  5. A parte má é chata, mas no fim tens a recompensa.. E sabes que sabe melhor assim, porque vem do teu esforço e dedicação :)

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