sexta-feira, 27 de junho de 2014

o dom de ser irritante

Tinha-me esquecido de um pequeno pormenor quanto a esta coisa de estar de férias: passo mais tempo em casa, logo passo mais tempo com a minha família, o que se traduz em momentos vários de irritação. Em defesa da minha família, tenho a dizer que são todos umas joias de pessoas e eu adoro-os e mimimi, e sei que isto só me irrita porque eu sou facilmente irritável e quase tudo me chateia, mas às vezes não há cu que aguente. Eu não sei como é em casa das outras pessoas, mas a minha é uma casa de loucos.

Pra começar, irrita-me que toda a gente fale incrivelmente alto. Eu falo alto (pois claro, fui habituada assim) e, apesar de ser uma pessoa divertida e estar quase sempre a rir e a dizer piadas, gosto da minha paz, de vez em quando. Por isso não há nada que me irrite mais do que passar horas sozinha, no silêncio, e de repente ter a casa cheia de pessoas aos berros. O meu pai fala sempre alto e a forma dele falar é como se estivesse sempre enervado com alguma coisa. A minha mãe às vezes parece um galinha, muito aguda. O meu irmão é um bronco, fala grosso e não diz nada que tenha jeito. Isto tudo ao mesmo tempo, algumas vezes até em diálogos acalorados, podem imaginar como soa na cabeça de uma pessoa que está em completo silêncio durante horas seguidas Dói, literalmente, ouvi-los.

Depois é a minha mãe, sempre a perguntar as horas.  Mas é que é constante e torna-se insuportável. O relógio da cozinha avariou-se há meses e ainda ninguém se deu ao trabalho de o arranjar ou de comprar um novo. Então ela chega a casa e a primeira pergunta é "que horas são?". Passados cinco minutos, a mesma pergunta, e depois igual, e depois e depois, sempre a mesma pergunta. Custa-lhe muito pegar no raio do telemóvel e andar com ele no bolso para ver as horas quando precisar ou comprar um relógio de pulso? É que se eu ou o meu irmão não respondermos na hora, começa logo a resmungar e a perguntar outra vez. Eu estou no quarto e só a ouço perguntar as horas, desde que chega até que se deita. Deus me livre, não há quem a ature.

Outra coisa que me irrita profundamente é não poder estar sossegada um minuto se a minha mãe estiver em casa. Há-de arranjar sempre pretexto para entrar no quarto. Agora uma camisola que passou a ferro, depois um recado, mais tarde uma cusquice qualquer, depois uma pergunta... constantemente! Ao ponto de eu não poder ir à casa de banho sozinha ou de estar lá e ela bater à porta. Parece que só precisa de alguma coisa que lá está quando eu estou a usar a casa de banho.

E isto são só 3 exemplos. Eu fico louca, juro. É por isso que tento ao máximo passar o dia fora de casa. Ou trazer o meu namorado cá. É que assim é remédio santo: sabendo ela que estamos os dois no quarto, nunca bate à porta, não me chama para nada, não tem pressa pra jantar.

Já estou neste estado e só hoje tive o meu primeiro dia de férias... a ver se sobrevivo ao que falta.

3 comentários:

  1. Realmente assim é dose...mas olha leva-o para aí :D
    Relax... é por não estares tanto tempo em casa...

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  2. Ahah, eu percebo-te bem :p Mas em vez de ser com os meus pais e irmão, é com a minha mãe e avós.. A sorte, quando estou lá em baixo, é que a minha avó é a que menos me chateia, o meu avô passa o dia a trabalhar e a minha mãe também. Mas não há quem os ature todos juntos :p Boa sorte com essa parte das férias! eheh

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  3. A casa dos meus é relativamente tranquila, mas lá está, às vezes eles querem falar e nós queremos sossego, às vezes só o barulho da tv da sala incomoda, mas faz parte da convivência. Por isso é que é tão bom termos o nosso espaço.

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