terça-feira, 21 de janeiro de 2014


Eu ainda não me tinha expressado sobre o que aconteceu, mas já estou a ficar cansada das constantes notícias e comentários que se lhes seguem. As pessoas não têm sentido crítico, é isso que eu vejo cada vez mais. 
Tenho muita pena, mesmo, que um ritual supostamente de praxe tenha acabado de forma tão trágica. Tenho muita pena dos familiares das vítimas e percebo que precisem de explicações e de arranjar um culpado. E não digo que o dito Dux não a tenha. Mas estamos aqui a desresponsabilizar as vítimas porquê? Eram todos maiores de idade, pessoas instruídas que frequentavam o ensino superior, todos eles autónomos e responsáveis, pelo menos legalmente. Mesmo que por trás desta tragédia esteja um ritual imposto por alguém mais velho, onde raio estava o sentido crítico desta gente? Mas já não há livre arbítrio? Será que este dito Dux estava a apontar-lhes uma arma, a todos, para os obrigar a entrar na água? Onde anda o sentido crítico destes alunos do ensino superior?
A verdade é que é muito mais fácil culpar o iluminado que teve a terrível ideia de os mandar entrar no mar, de noite e em pleno Inverno, do que culpar as vítimas que não tiveram tomates para se defenderem e tomarem uma atitude. 



Não vou defender a Praxe, muito menos numa academia que eu nem conheço. Continuarei a ser praxista de alma e coração, com muito orgulho das tradições académicas que faço honrar. A mim o que me preocupa não é este confronto constante com a Praxe, até porque sempre que saem notícias a criticar as ditas "praxes", nunca se tratam efetivamente de práticas da tradição académica na sua essência, mas sim de abusos que as pessoas apelidam de "praxes". A mim o que me preocupa é que as pessoas sejam tão prontas a criticar uma suposta tradição mas nunca criticam as pessoas que a elas se submetem como se fossem acéfalos que não pensam nas consequências das coisas. É tão culpado quem manda fazer coisas absurdas como quem as faz, simplesmente porque ninguém, em contexto algum, é obrigado a fazer nada que não queira. Mas que raio, mandam-nos entrar num mar perigoso à noite e as pessoas entram sem questionar? Então se algum doutor ou o Dux os mandassem atirar-se da ponte, também iam, sobre o pretexto de que foi o outro que os obrigou? Mas agora ninguém tem cabecinha para pensar por si? 

É muito triste que as coisas tenham acabado desta forma. É mesmo terrível pensar que morreram tantas pessoas, que há tantas famílias desmembradas por conta de um fim de semana que se queria de diversão. Mas sejamos sinceros, metade da importância que esta notícia está a ter é por envolver "praxes" lá no meio, que é sempre um tópico tão controverso. Se estas mesmas pessoas não estivessem trajadas e estivessem só a passar um fim de semana de amigos, seria apenas um acontecimento muito trágico e triste mas já ninguém falava do assunto. É triste, mas é verdade. 

3 comentários:

  1. Não sei o que se passou, não sei se algum dia saberemos realmente o que se passou... Mas ainda há pouco comentava isso mesmo enquanto via as notícias sobre esse assunto... As pessoas envolvidas eram todas maiores de idade, todas tinham idade para ter bom senso, para distinguir o que é ou não razoável... Veremos como se desenrola esta história.

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  2. Eu sou praxista e respeito a praxe. Acho que o problema desta situação é o único sobrevivente não dizer nada, nem dar paz aos pais das vítimas. Eles precisam de o ouvir para conseguirem seguir em frente. Enquanto ele recusar-se a falar, eles vão sempre pensar que há coisas escondidas nesta história toda (que depois de um silêncio tão prolongado e do pacto de silêncio dos estudantes, acredito que haja uma possibilidade de haver coisas escondidas). Não critico a praxe nesta situação, nem das provas que se tem de fazer sendo pessoas da comissão. O que custa nisto tudo é a angústia dos pais que não sabem, verdadeiramente, o que terá acontecido. Daí a necessidade de ouvirem o Dux. Na minha opinião, claro...

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  3. De acordo, M. Há praxes e praxes! Eu própria fui praxada e n gostei particularmente, mas praxei e bem, acho, porque tnh caloiras que ainda hj são minhas amigas. O importante, como em tudo na vida, é o equilíbrio e o bom senso de quem praxa e de quem é praxado.

    Mas penso principalmente nos pais que perderam os seus filhos, querem repostas, querem fazer o luto convenientemente e não podem!...

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