quinta-feira, 16 de janeiro de 2014


Desde que era caloira e assisti à minha primeira imposição de insígnias que sonho com o dia em que eu própria terei o meu momento especial, o dia em que cartolar. Acho o momento tão bonito, tão simbólico. Deve ser um momento único para qualquer estudante, mas acredito que para aqueles que vivem a praxe de alma e coração, como eu, tem um valor especial. É o momento em que condensamos 5 anos de vivências académicas e praxísticas, 5 anos de sacrifício, de pessoas, de loucuras, de frustração e tanto estudo, num vídeo com fotos importantes e uma duração muito mais pequena do que aquela que qualquer pessoa gostaria. 5 anos daqueles que dizem ser os melhores da nossa vida projetados numa parede de um auditório cheio de gente feliz, orgulhosa, esperançosa. 
Ainda falta um ano para que esse momento chegue para mim (o que me traz sentimentos ambivalentes: que chegue rápido que eu já estou cansada disto! mas que passe devagar para aproveitar muito bem tudo o que ainda me falta), mas eu penso muitas vezes nisto. Já sei quem quero que escreva as minhas quadras e as vá ler, já fiz uma seleção mental de todas as fotografias que quero que apareçam, já escolhi a música, até já imaginei quem gostaria que fosse a primeira pessoa a abençoar-me com as suas bengaladas :)

Mas até lá ainda me falta impôr fitas e isso sim, está para breve. Às vezes esqueço-me disso mas a verdade é que Maio está já aí e terei fitas! Fitas!! Eu que ainda no outro dia andava com as calças todas sujas nos joelhos, sem voz, preocupada com a primeira época de exames. Daqui a nada impõe-me fitas e toda a gente vai começar a tratar-me por finalista e vou começar a chorar como uma madalena arrependida em todas as ocasiões especiais de praxe, porque "é a última vez que vou viver isto de preto, como doutora". Eu sou assim, dada a estas lamechices; estas coisas mexem comigo. 
Já estive a pensar quem quero que compre as minhas fitas, quem me vai impor, que pessoas vão estar presentes e qual o papel delas no momento, que fotos quero tirar... Ainda tenho tempo, eu sei, mas estas coisas entusiasmam-me :) E é algo que me reconforta, gosto de pensar nisto quando estou mais triste ou mais em baixo, principalmente nestas fases de exames. Penso sempre que já está quase, que é só mais um passinho e depois poderei viver todas estas coisas, como um prémio. 

5 comentários:

  1. Este ano também vou levar as fitas na pasta. Aqui em Coimbra acho que somos nós mesmas que as compramos, tal como a cartola e a bengala (pelo menos estou a contar com isso). O meu curso não tem mestrado integrado, pelo que resolvi este ano (o 3º ano e último da licenciatura) ir no carro. Não serei, por isso, cartolada, com alguma pena minha. Mas também acredito que ir no carro este ano seja incrível (pelo menos é o que toda a gente que já por lá passou me diz). Não sei ainda bem o que vou fazer para o ano: se parto para um estágio profissional (se encontrar um sítio em que possa fazê-lo, ou se me meta já em mestrado). Uma coisa é certa, quero tirar mestrado, seja para o ano ou mais tarde. E não és a única a pensar e imaginar já todos esses momentos :) Ainda não acredito muito bem que já estou prestes a chegar ao fim, daí ainda não ter começado a deprimir a valer por tanta coisa boa ir terminar (mas que outras certamente irão acontecer, assim se espera e assim é o ciclo da vida). Acho que até mesmo eu, de lágrima difícil, vou me desmanchar assim que maio se aproximar.

    ***

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  2. Como estudante de Coimbra, o momento que mais me marcou, além da primeira seranata em que trajei e me traçaram a capa, foi a benção das pastas. É uma cerimónia muito bonita, com aqueles que nos são queridos, com os nossos amigos, com as fitas cheias de palavras bonitas e sentidas... Para quem vive a vida académica com coração e sentimento faz muito sentido, para já não falar no nó que se forma na garganta e nos olhos razos de lágrimas.

    Agora, no meu segundo curso, acho que já não vivo as coisas da mesma maneira. Continuo a sentir Coimbra e o seu espírito mágico, mas de forma mais ponderada e adulta. Afinal, 24 anos não são 18 eheh

    Não tenhas pressa de crescer! Aproveita ao máximo a fase em que estás, porque se a outra traz coisas boas (que teaz, muitas), também traz muitas preocupações e dores de cabeça, e não é só em Janeiro e Junho (época de exames lool).

    Beijinhoos

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  3. Nunca liguei a essas coisas. Mas, se tu gostas, faz tudo a que tens direito. Só acontece uma vez, por isso DESFRUTA.

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  4. E a minha bênção já vai fazer um ano! É mesmo um dos momentos mais marcantes da vida académica que fica para sempre no coração!

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  5. Aii, compreendo-te tão bem, M. Tenho pena que aqui por Lisboa não haja tanta tradição e coisinhas especiais, mas a verdade é que sinto cada coisa. Lembro-me do meu baptismo como se fosse ontem... O tempo passou tão depressa, que já tenho três afilhadas. A primeira vez que trajei... O meu traçar. O traçar da minha afilhada (as outras duas é só este ano). E o meu enterro, é verdade! Ainda me faltam dois anos para a minha benção, mas já me estou a imaginar a chorar baba e ranho x)

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